O que você procura?

Fechar

Saúde e Bem-estar

Especial. Glaucoma: atendimento cresce no SUS, mas diagnóstico tardio persiste

Da Redação*
Publicado em 10 de maio de 2026 às 16:15

glaucoma

Foto: Prefeitura de Três Barras SC/Divulgação

Continua depois da publicidade

Continue lendo

O acesso a exames para detecção do glaucoma na rede pública de saúde brasileira registrou um avanço significativo nos últimos anos.

De acordo com dados do SUS, compilados pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), o número de procedimentos específicos realizados entre 2019 e 2025 saltou 64,8%.

O crescimento aponta para uma maior conscientização sobre a doença, que é a principal causa de cegueira irreversível no mundo.

O levantamento considerou como exames a campimetria (exame oftalmológico que mede o campo visual), curva diária de pressão ocular, gonioscopia (avalia o ângulo de drenagem do olho) e o teste provocativo para glaucoma.

A doença é uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo.

O aumento aconteceu mesmo apesar de uma queda de 20,7% entre 2019 e 2020, impulsionada pela pandemia de Covid.

A evolução, porém, varia por região do país: o Nordeste e o Sul apresentaram menor crescimento —35,5% e 37,4%, respectivamente. O Sudeste lidera com 114,6%.

Entre os estados, Rondônia, Tocantins, Distrito Federal e Rio de Janeiro registraram as maiores variações percentuais.

Na contramão, Roraima (-32,4%), Piauí (-10,2%), Ceará (-21%), Alagoas (-32,5%) e Sergipe (-9%) tiveram queda.

O CBO também analisou os números de forma proporcional a um dos grupos mais expostos ao risco da doença acima de 40 anos, considerando a taxa de exames por 100 mil habitantes.

Quando os dados são ponderados pela população acima de 40 anos um dos grupos mais expostos ao risco da doença , o Brasil passou de 1.703 exames por 100 mil habitantes em 2019 para 2.452 em 2025.

No recorte intermediário, entre 2019 e 2020, a taxa caiu de 1.703 para 1.318.

Em 2025, o Sul lidera nessa faixa etária com 3.561 exames por 100 mil habitantes, seguido pelo Sudeste (2.429) e Nordeste (2.364).

Norte (1.804) e Centro-Oeste (1.246) permanecem abaixo da média nacional.

Pernambuco aparece à frente entre os estados, com 7.055 exames por 100 mil habitantes; o Amapá (140) registra a menor taxa.

O país também registrou alta de 64,77% nas operações de glaucoma entre 2019 e 2025.

No biênio 2019-2020, os procedimentos caíram 24,2%. Em 2025, São Paulo (6.439) e Pernambuco (3.577) lideraram em número de cirurgias; Amapá e Mato Grosso realizaram o menor volume, com três e 22 procedimentos, respectivamente.

Além das diferenças regionais, especialistas apontam a demora no diagnóstico precoce como outro desafio.

Para Maria Auxiliadora Frazão, presidente do CBO, os avanços são importantes, mas precisam vir acompanhados da garantia de acesso ao tratamento com foco em estratégias custo-efetivas capazes de reduzir a cegueira causada pela doença.

Apesar de não mencionar números, Maria Auxiliadora afirma que as filas de espera para tratamento pelo SUS são significativas.

“Já existia a fila que precisaríamos cancelar, os pacientes que viriam normalmente e mais aqueles que foram diagnosticados. Tivemos um contingente enorme de pessoas pós-pandemia e esse pessoal ainda está sendo atendido”, afirma.

Para entidades como o CBO e a Sociedade Brasileira de Glaucoma, transferir a oftalmologia da atenção especializada para a primária seria a solução para diagnósticos mais rápidos e efetivos.

O glaucoma é uma doença silenciosa na maioria dos casos, só é percebido quando a perda de campo de visão já está em fase tardia.

A presidente do CBO diz que tem apresentado essa proposta às autoridades há algum tempo e avalia que ela está avançando, mas pondera que o encaminhamento para a oftalmologia exige capacitação técnica específica e que, sem um especialista para medir a pressão ocular ou avaliar o nervo óptico, a hipótese diagnóstica sequer é formulada.

Frazão também defende que o exame ocular rotineiro passe a integrar o check-up regular dos brasileiros, assim como a mamografia e os exames ginecológicos e de próstata.

Por fim, avalia que ainda há resistência cultural à prevenção.

“Não temos a cultura da prevenção e precisamos criá-la. A única forma de mudar um país e a sua saúde é através da educação. Precisamos insistir em conscientizar”, diz.

*com informações de Patrícia Pasquini/folhapress

 

Valorize o jornalismo profissional e compartilhe informação de qualidade!

ParaibaOnline

© 2003 - 2026 - ParaibaOnline - Rainha Publicidade e Propaganda Ltda - Todos os direitos reservados.

ParaibaOnline | Notícias de João Pessoa e Campina Grande Sra. Caixas | Caixas de papelão em Campina Grande Eticar Baterias | Baterias para Carros e Motos em Campina Grande e João Pessoa Sindilojas Campina Grande Sincopeças Paraíba Edmaq Equipamentos | Equipamentos paras Bares e Restaurantes em Campina Grande VLD DIstribuidora e Varejista de Peças para Caminhões Volvo na Paraíba Voldiesel Paraíba | Truck Center especializado em Caminhões Volvo na Paraíba Stancanelli Transportes | Transportadora de Cargas de São Paulo para toda a Paraíba