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Saúde e Bem-estar
Foto: Rafaela Araújo/Folhapress
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A história da cabeleireira Silvia Martins, de 48 anos, ilustra a importância do acompanhamento contínuo no Sistema Único de Saúde (SUS).
Diagnosticada com hipertensão aos 17 anos – quadro desencadeado por uma eclampsia na primeira gestação -, Silvia contou com o suporte da atenção primária por mais de duas décadas.
O diagnóstico de hipertensão refratária – quando a pressão não é controlada nem mesmo com múltiplos medicamentos -, ela toma 28 comprimidos por dia e ainda enfrenta dores, cansaço e crises frequentes.
Deixou de trabalhar por causa das limitações. “Se eu forço, começo a suar frio, fico pálida e sinto dor no peito.”
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A hipertensão é a doença crônica não transmissível mais prevalente no Brasil e o principal fator de risco para infarto e AVC (acidente vascular cerebral), segundo diretrizes nacionais e dados do Ministério da Saúde.
Especialistas ouvidos pela Folha de São Paulo/ParaibaOnline afirmam que os principais gargalos no enfrentamento da doença são as falhas no rastreamento e no diagnóstico precoce e a baixa adesão ao tratamento.
O Ministério da Saúde afirma que os atendimentos ambulatoriais relacionados à hipertensão no SUS quase triplicaram entre 2022 e 2025, passando de 916,7 mil para 2,6 milhões.
A pasta estima que cerca de 30% da população brasileira tenha a doença.
Quando não controlada, a hipertensão pode aumentar os riscos de infarto, insuficiência cardíaca, AVC e comprometimento dos rins, que, em casos graves, pode levar à necessidade de diálise.
Além disso, afeta os vasos sanguíneos, acelera a aterosclerose (acúmulo de gordura nas artérias) e eleva o risco de aneurismas.
O diretor da Unidade de Hipertensão Arterial do Incor do Hospital das Clínicas da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), Luiz Bortolotto, estima que 90% dos pacientes não apresentam sintomas e podem conviver com a doença por anos sem diagnóstico ou acompanhamento médico.
Para o especialista, é fundamental que a pressão seja aferida de forma rotineira em qualquer consulta na atenção básica, independentemente da queixa do paciente.
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A SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia) faz a mesma recomendação ao ressaltar a necessidade de busca ativa de pacientes.
Para João Vicente da Silveira, cardiologista da Sociedade Brasileira de Hipertensão, como a maioria dos pacientes não apresenta sintomas, a doença é conhecida como “assassino silencioso“.
“O grande problema é que as pessoas não sentem nada. Não procuram o médico e não aferem a pressão. Ficam anos com a pressão elevada sem saber”, diz.
Para Bortolotto, outro problema para o controle da hipertensão na atenção básica é a chamada inércia terapêutica, quando a medicação disponível não é utilizada ou combinada da forma mais adequada pelos médicos.
A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025, da SBC, aponta que cerca de 75% dos pacientes hipertensos no Brasil são tratados no SUS, que oferece as principais classes de anti-hipertensivos.
“Dá para tratar a grande maioria dos pacientes com o que há disponível na rede pública. Mas é preciso combinar corretamente”, diz Bortolotto.
De acordo com o especialista, a maior parte dos hipertensos pode ser acompanhada em uma UBS (Unidade Básica de Saúde), porta de entrada no SUS.
Ele estima que apenas de 10% a 15% necessitem de atendimento em serviços de maior complexidade.
Uma limitação importante citada pelos especialistas é que os programas de distribuição do Ministério da Saúde não dispõem de combinações em um único comprimido para tratar a hipertensão.
A necessidade de tomar vários medicamentos por dia atrapalha a adesão, levando parte dos pacientes a abandonar o tratamento ou a segui-lo de forma inadequada, aponta Silveira.
A diretriz brasileira aponta que cerca de 50% dos pacientes com doenças crônicas no país não tomam os medicamentos conforme o prescrito, o que contribui para aumento de hospitalizações e mortalidade.
*com informações de Laiz Menezes/folhapress
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Tudo a ver:
Sedentarismo aumenta risco de doenças e compromete envelhecimento saudável
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