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Saúde e Bem-estar
Foto: ParaibaOnline/Arquivo
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*Vídeo: ParaibaOnline
Em um cenário pós-pandemia que ainda reverbera na saúde emocional da população, o diálogo sobre transtornos psíquicos torna-se cada vez mais urgente. Lívia Sales, coordenadora de Saúde Mental de Campina Grande, destacou em entrevista à Rádio Caturité FM que, embora existam avanços na rede de apoio, o estigma e o julgamento familiar ainda são barreiras cruciais para quem precisa de ajuda.
Segundo a coordenadora, frases carregadas de preconceito ainda são comuns no cotidiano de quem sofre. “Ainda temos muito a caminhar, porque escuta-se ainda, apesar de tantas informações serem difundidas: ‘isso é falta de Deus’, ‘falta do que fazer'”, lamenta Lívia.
O problema se agrava quando a desinformação vem de onde deveria haver acolhimento. “Às vezes [o julgamento vem] até de pessoas que deveriam apoiar dentro de casa. Há muito julgamento, por isso que as pessoas têm receio de falar que precisam de ajuda, de serem julgadas como sensíveis ou frágeis”, pontua.
Um dos pontos centrais destacados por Lívia Sales é a progressão lenta e muitas vezes invisível dos transtornos mentais. Ela alerta que a depressão e a ansiedade não surgem de forma abrupta.
“Ninguém adoece da noite para o dia. A pessoa não vai dormir hoje e amanhã acorda com uma depressão ou transtorno ansioso. É devagar. Os sinais vêm e muitas vezes nós os ignoramos.”
A coordenadora reforça a necessidade de quebrar a ideia de invulnerabilidade. “É preciso entender que qualquer um de nós, independente de estudo, faixa etária, classe social ou ambiente de trabalho, pode sim ter um transtorno psíquico.”
Para Lívia, a solução para mitigar o sofrimento intenso da população passa por “tornar essa temática algo comum”. A proposta é simples, mas transformadora: trazer a saúde mental para a mesa de jantar e para as conversas cotidianas.
Falar sobre emoções: Perguntar genuinamente “como você está?” ou “como foi sua semana?”.
Compartilhar sentimentos: Não esconder fragilidades por medo de julgamento.
Escuta ativa: Criar ambientes onde o outro se sinta seguro para pedir ajuda.
“Quando a gente traz o tema à tona, a gente consegue prevenir muito desse sofrimento todo, tão intenso, que tem repercutido na nossa população de uma forma geral”, conclui a coordenadora.
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