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São João

Os ritmos do Nordeste: uma essência que atravessa gerações

Da Redação*
Publicado em 6 de julho de 2026 às 12:30

edmar miguel pelo avesso

Foto: ParaibaOnline/Arquivo

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Xote, xaxado e baião. Três ritmos que compõem a tradição de toda uma região. Cada um transmite para o público um sentimento único, mas que reflete aquilo que tem maior valor no Nordeste: a cultura.

Imortalizado na voz de Luiz Gonzaga, o baião encontra sua essência no encontro entre sanfona, zabumba e triângulo. Cada instrumento segue seu próprio compasso, mas é justamente dessa aparente desordem que nasce a perfeita harmonia de um dos ritmos mais marcantes do Nordeste.

Nem sempre foi assim. Como explica o musicista autodidata Edmar Miguel, quando surgiu o baião carregava o ritmo de outros instrumentos: “O baião, ele vem se ajeitando ao longo do tempo, porque no começo não existia o triângulo, era tocado de reco-reco. Depois surgiram todos os instrumentos.”

Já o xaxado e o xote se diferenciam do baião principalmente pela batida, conduzindo a dança de uma maneira diferente.

O xote vem mais cadenciado, convidando os pares a dançarem de forma mais lenta e envolvente, dançando no dois por dois – o famoso dois pra lá, dois pra cá – e é muito comum nas festas juninas e nos forrós pé de serra.

O xaxado, por sua vez, surgiu no Sertão nordestino e carrega uma marca histórica, sendo conhecido pelos passos arrastados que remetem à caminhada dos cangaceiros. Inicialmente era um ritmo masculino, que se popularizou tornando-se um símbolo cultural.

Edmar Miguel explica que quando iniciou sua trajetória na música, não apenas o forró, mas também os ritmos derivados, eram predominantemente instrumentais.

Com o tempo, esses gêneros passaram a incorporar letras e melodias, transformando-se pouco a pouco nas canções que ajudaram a consolidar a identidade da música nordestina.

“Quando comecei, nas festas que a gente tocava para o povo dançar o que predominava eram a rasteira, a mazurca, o samba e o bolero. Foi só a partir dos anos 1960 que esse movimento ganhou mais força. Naquela época, o forró ainda era muito associado ao meio rural. Tanto que, durante muito tempo, as sanfonas nem entravam nos clubes da minha cidade. Foi um movimento que aconteceu aos poucos”, discorreu o músico.

Ao refletir sobre as transformações no gênero, o cantor ressalta que a evolução da música é um processo natural.

Para ele, assim como acontece com todas as manifestações culturais, o forró segue se reinventando ao longo do tempo, dando origem a novas vertentes, sem perder a essência que o caracteriza.

“Eu vejo isso com muita naturalidade. Todas as épocas foram assim. Lembro que, no passado, também existiam muitas críticas a alguns cantores, mas nunca enxerguei dessa forma. Acredito que cada artista canta a linguagem do seu tempo. Para mim, não existe uma descaracterização das festas juninas. Essa percepção costuma partir de quem é mais saudosista. Na verdade, quem ganhou com essas transformações foram a sanfona, a zabumba e o triângulo, que continuam presentes no centro da festa. Eu vejo esse processo como uma evolução”, ponderou Edmar.

Mais do que preservar um ritmo, manter viva a sua essência é reconhecer que a cultura também se transforma. Novas vertentes podem surgir e elementos podem ser incorporados ou deixados de lado. Mas suas raízes permanecem firmes. Enquanto a sanfona, a zabumba e o triângulo continuam a ecoar, o baião, o xote e o xaxado seguirão vivos, porque o forró não se define apenas pelo som que produz, mas pelo que lhe sustenta. Renovando-se ano após ano, sem perder aquilo que os tornou símbolos da cultura da região.

*Jornalista Maria Clara Teixeira, especial para o ParaibaOnline

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