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Política

Veja como está o ´troca-troca´ de partidos pelo Brasil

Da Redação*
Publicado em 4 de abril de 2026 às 14:00

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Foto: Agência Brasil

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Ao menos dez políticos mudaram de domicílio eleitoral nos últimos meses para disputar a eleição para Câmara e Senado por outros estados, movimento que provocou tensões tanto na base do presidente Lula (PT) quanto entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

As mudanças embaralharam o tabuleiro político regional, com disputas internas e resistências de líderes locais a candidaturas consideradas forasteiras, sem histórico político nos estados.

Três postulantes ao Senado que mudaram de domicílio são familiares ou aliados próximos a Jair Bolsonaro (PL), que trabalha para ter maioria na Casa. Na semana passada, o deputado federal Hélio Lopes, amigo do ex-presidente, transferiu seu título do Rio de Janeiro para Roraima.

O PL de Roraima disse ter recebido com surpresa o anúncio da transferência de domicílio do deputado, que teria sido feito de forma unilateral.

“Roraima exige representação construída com conhecimento de sua dinâmica política, social e econômica, com vinculo efetivo com sua população, respeitando as lideranças locais e a sociedade roraimense”, informou a legenda.

O diretório estadual é comandado por Arthur Henrique, que renunciou à Prefeitura de Boa Vista nesta quinta-feira (2) para ser candidato ao Senado.

Também alteraram o domicílio para as eleições de 2026 o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Carlos gerou ruído na base bolsonarista ao mudar para Santa Catarina. A chegada do filho do ex-presidente ao páreo gerou tensões na base do governador Jorginho Mello (PL) e reações de políticos locais, que veem no político fluminense um forasteiro sem vínculo com o estado.

Já mudança de Michelle foi feita em consenso com o partido e líderes políticos locais. Ela nasceu no Distrito Federal, mora na capital federal e nunca disputou eleições.

Na base do presidente Lula (PT), a mudança mais simbólica foi a da ministra do Planejamento, Simone Tebet, que se filiou ao PSB e trocou o domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul, onde foi prefeita, deputada, vice-governadora e senadora, para concorrer ao Senado por São Paulo.

O movimento foi estimulado por Lula, que busca fortalecer seu palanque no maior colégio eleitoral do país. Tebet enfrentava um cenário difícil em seu estado de origem, de tendência bolsonarista, mas ganhou dimensão nacional ao disputar a Presidência pelo MDB em 2022.

Outro ex-presidenciável que trocou de estado é Cabo Daciolo. Catarinense com carreira política no Rio de Janeiro, ele mudou para o Amazonas, filiou-se ao Mobilização Nacional, antigo PMN, e afirma ser pré-candidato à Presidência da República.

“Escolhi o Amazonas porque o Norte é esquecido. É uma das regiões mais ricas do mundo e uma das mais probres do Brasil. Eu pretendo trazer na campanha esse discurso no nacionalismo”, afirmou o ex-deputado à reportagem.

Caso o projeto presidencial não seja referendado pelo partido, ele não descarta concorrer ao governo ou ao Senado pelo Amazonas.

Dentre os que vão disputar a Câmara, mudaram de estado nomes como Eduardo Cunha (sem partido) Jean Wyllys (PT), Tiririca (PSD) e Antônio Rueda (União Brasil) e Rosângela Moro (PL).

O pernambucano Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, vai concorrer a deputado federal pelo Rio de Janeiro. A irmã dele, Mila de Rueda, anunciou ser candidata a suplente de senadora no Tocantins, na chapa do deputado Carlos Gaguim (União Brasil).

Presidente da Câmara dos Deputados entre 2015 e 2016, Eduardo Cunha tenta voltar ao Congresso após ter sido cassado e preso. Com carreira política no Rio, ele concorreu ao cargo em 2022 por São Paulo, mas teve pouco mais de 5.000 votos.

Agora, ele planeja voltar à Câmara por Minas Gerais, mas enfrenta resistência dos partidos. Nesta semana, ele teve a filiação ao Podemos vetada pela cúpula da legenda e defendeu em artigo a possibilidade de candidaturas avulsas.

Jean Wyllys, que antagonizou com Cunha quando foi deputado federal pelo Rio, vai tentar voltar à Câmara por São Paulo. Ele renunciou ao mandato em 2019 e deixou o Brasil após receber ameaças.

Tiririca mudou o domicílio para o Ceará, seu estado natal. O humorista tem quatro mandatos por São Paulo e chegou a ter mais de 1,3 milhão de votos em nas eleições de 2010.

Rosângela Moro, que em 2022 trocou o domicílio para São Paulo, fez um movimento contrário e vai disputar a reeleição para deputada pelo Paraná.

“Sou curitibana e essa mudança de domicílio é natural. Estou muito feliz de estar de volta”, afirmou a deputada, que em 2024 foi candidata a vice-prefeita de Curitiba, sem sucesso.

As mudanças de domicílio eleitoral são avaliadas pela Justiça Eleitoral, a quem cabe aprovar ou não a troca mediante comprovação de vínculo mínimo de três meses com o município.

“Pode ser vínculo residencial, afetivo, familiar, profissional, comunitário ou de outra natureza que justifique a escolha do município. Neste ponto, há certa flexibilidade da legislação”, afirma o advogado eleitoralista Luiz Gustavo de Andrade, professor e diretor da Escola Paranaense de Direito.

A troca de domicílio deve ser feita até 150 dias antes do pleito. Uma eventual transferência considerada fraudulenta pode ser contestada na Justiça Eleitoral.

Em 2022, um dos casos mais emblemáticos foi o do hoje senador Sergio Moro (PL-PR), que transferiu o título para São Paulo para concorrer ao Senado.

A mudança foi contestada pelo PT, que argumentou que o ex-juiz não tinha vínculos com o estado. Ele alegou que morou em um hotel e em um flat na capital paulista, mas a Justiça barrou a mudança.

Também houve questionamentos à troca de domicílio do hoje governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), nascido no Rio de Janeiro e que trabalhava em Brasília. Na época, contudo, a Justiça Eleitoral não viu ilegalidade.

*JOÃO PEDRO PITOMBO/folhapress

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