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Fraudes: entenda o golpe por ligação e mensagem que usa a ‘engenharia social’

Da Redação*
Publicado em 22 de agosto de 2026 às 21:04

golpes celular

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

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Quase metade de todas as tentativas de fraude financeira registradas no Brasil utilizam a mesma tática: a engenharia social.

A estratégia de manipulação psicológica já responde por 40% dos indícios de golpes no país, superando métodos puramente tecnológicos.

Em vez de invadir sistemas complexos, os criminosos focam em enganar a própria vítima.

Para isso, criam cenários altamente convincentes, que vão desde falsas centrais de atendimento telefônico (call centers) até golpistas que se passam por funcionários do banco ou simulam operações policiais.

O objetivo final é induzir a vítima, pelo medo ou pela urgência, a fornecer dados confidenciais, senhas ou a realizar transferências via Pix instantaneamente.

Especialistas reforçam que nenhuma instituição financeira ou autoridade policial solicita senhas ou transferências de teste durante chamadas telefônicas.

Conforme pesquisa da recente Quod, datatech especializada em inteligência de dados para o mercado de crédito, no primeiro semestre de 2026 foram registrados mais de 9 milhões de indícios de fraudes, entre casos suspeitos e confirmados, alta de 10,26% em relação ao segundo semestre de 2025.

A engenharia social representou mais de 3,6 milhões dessas ocorrências.

De acordo com a Quod, o celular foi o principal canal usado nos golpes, presente em 78% dos casos.

O Pix aparece como meio de movimentação em 85% das ocorrências.

Sofisticação

A engenharia social explora a confiança e as emoções da vítima, em vez de depender de uma invasão aos sistemas bancários.

Os criminosos criam situações de urgência, medo ou falsa autoridade para induzir decisões rápidas.

No golpe do falso call center, por exemplo, o criminoso afirma ter identificado uma transação suspeita e orienta a vítima a realizar procedimentos para supostamente proteger a conta.

Em falsas operações policiais, o golpista usa a autoridade para intimidar o alvo e exigir movimentações financeiras.

Os ataques também podem combinar ligações, WhatsApp, SMS e e-mails durante dias ou semanas antes da tentativa de transferência. 

A inteligência artificial tornou as abordagens ainda mais convincentes, com clonagem de voz, imagens e produção de documentos falsificados.

Para José Oliveira, diretor de Tecnologia da Certta, empresa de verificação inteligente que unifica soluções antifraude em uma única plataforma, a engenharia social atinge uma camada diferente da segurança tradicional.

“A IA antifraude não foi desenhada para combater engenharia social, ela foi desenhada para combater fraude.

São camadas diferentes de um mesmo problema, onde engenharia social ataca a decisão humana, a fraude ataca o sistema, o documento, a identidade”, diz.

O combate às fraudes ganhou novos mecanismos em 2026.

Uma Resolução (501) do Banco Central ampliou o compartilhamento de informações sobre indícios de fraude entre instituições financeiras, enquanto o Registro Unificado de Fraudes (Rufra) concentra dados para identificar padrões e apoiar ações preventivas.

As instituições também utilizam inteligência artificial (IA) e biometria comportamental para analisar fatores como dispositivo, horário, localização e histórico de transações.

Como evitar golpes

  •  Desconfie da urgência: pressão para agir rapidamente é um sinal de alerta;
  •  Confirme pelo canal oficial: desligue e procure o banco diretamente se receber uma ligação suspeita;
  •  Contate o gerente: desconfie de notícias de que o gerente da agência está envolvido em fraudes;
  •  Não compartilhe senhas e códigos: informações de autenticação nunca devem ser fornecidas a terceiros;
  •  Confira o Pix: verifique destinatário e valor antes de confirmar a transferência;
  •  Desconfie de falsas autoridades: uma suposta investigação policial não justifica transferências ou fornecimento de dados;
  •  Evite links suspeitos: não clique em mensagens inesperadas com alertas ou ofertas;
  •  Não empreste sua conta: contas usadas para receber dinheiro de terceiros podem fazer parte de esquemas criminosos;
  • Use autenticação multifator: mantenha recursos adicionais de segurança ativados nas contas.

Vítimas jovens

Os jovens entre 18 e 34 anos representam 49,06% das vítimas, segundo o levantamento da Quod.

Pessoas que recebem até dois salários mínimos correspondem a 58% dos atingidos.

No total, 3,1 milhões de pessoas foram vítimas de fraudes no primeiro semestre, e cerca de 799 mil sofreram golpes duas ou mais vezes.

*Repórter da Agência Brasil/com edição da Redação do Paraibaonline

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