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O que o Fantástico revelou sobre policiais paraibanos negociando drogas

Da Redação*
Publicado em 8 de junho de 2026 às 23:19

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Foto: Reprodução/TV Globo

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Neste domingo, o programa Fantástico, da TV Globo, veiculou uma reportagem sobre corrupção e outros crimes provavelmente praticados por policiais civis da Paraíba.

Leia um resumo da reportagem, de acordo com o material que foi ao ar.

 

Investigador da Polícia Civil há mais de 20 anos, apresentador de podcast e palestrante em cursos voltados ao público masculino. 

A imagem pública construída por Everton Aires, conhecido como “Bomba” (foto), contrasta com as acusações que agora o colocam no centro de uma investigação sobre um suposto esquema de revenda de drogas na Paraíba.

Preso na semana passada durante uma operação conjunta do Ministério Público e da Polícia Civil, Bomba é apontado pelos investigadores como líder de uma organização criminosa formada por policiais civis e traficantes. 

Segundo a apuração, o grupo desviava drogas apreendidas pela polícia para revendê-las a criminosos.

Além da atuação como investigador, Everton Aires oferecia cursos de autoajuda para homens e participava de um podcast ao lado de outros policiais.

 Em uma das edições do programa, ele chegou a comentar temas relacionados à atividade policial e à segurança pública.

Nos bastidores, porém, a investigação aponta uma realidade bem diferente.

Em áudios obtidos pelos investigadores, o policial aparece discutindo negociações de drogas e tratando o tráfico como uma atividade comercial.

“É mesmo que você está vendendo qualquer outra coisa. Só que, em vez de você estar vendendo relógio, você está vendendo droga”, afirma uma voz atribuída a ele em uma das gravações.

Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, Bomba mantinha contato direto com traficantes e teria participado da comercialização de cocaína, crack, skank e anabolizantes.

Milhões movimentados

A investigação também identificou uma movimentação financeira considerada incompatível com os rendimentos do investigador.

De acordo com os investigadores, Everton Aires recebeu mais de R$ 4 milhões em suas contas bancárias nos últimos cinco anos. 

O valor chamou a atenção por superar amplamente a remuneração de um investigador da Polícia Civil, estimada em cerca de R$ 8,5 mil mensais.

Em uma das conversas analisadas pela polícia, ele atribui seus ganhos a atividades comerciais.

“O cara que mais vende aqui sou eu. Se for para me sustentar só do salário da polícia, não dá não”, diz a voz atribuída ao policial.

Segundo a investigação, o grupo utilizava drogas apreendidas pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), unidade onde Bomba trabalhou durante vários anos.

As apurações apontam que entorpecentes que deveriam permanecer sob custódia da polícia eram retirados e revendidos a traficantes.

Os investigadores afirmam que as negociações envolviam diferentes organizações criminosas. 

Em um dos áudios, o policial menciona um contato ligado ao Comando Vermelho que estaria disposto a comprar toda a droga disponível.

A polícia também sustenta que o grupo mantinha relações próximas com criminosos, participando de encontros presenciais e convivendo socialmente com alguns deles.

Além de Everton Aires, a operação prendeu o investigador Eduardo Jorge, conhecido como “Mão Branca”, e o delegado Brás Morrone. 

Também foi preso José Alexandrino Júnior Lira, o Júnior Lira, apontado pela polícia como integrante do chamado Novo Cangaço.

Para os responsáveis pela operação, o caso expõe um dos cenários mais graves para as forças de segurança: a atuação de agentes públicos ao lado do crime organizado.

“O fato de serem agentes do Estado dá a essas pessoas uma sensação de blindagem. É algo muito grave e que precisa ser combatido com toda a força”, afirmou um dos investigadores responsáveis pelo caso.

O advogado de Bomba afirmou que o devido processo legal se instaurou e que o policial não aceita as acusações.

O advogado de Mão Branca disse que não é crível que policiais possam estar negociando drogas abertamente e que podemos estar diante de um processo de assassinato de reputação.

O advogado do delegado Braz sustenta que não há nada que exponha a participação consciente do delegado nos fatos investigados.

Júnior Lira, suspeito de integrar o Novo Cangaço, também foi preso. 

Sua defesa disse que a “inocência será demonstrada” e que ele é “alvo de uma perseguição policial”.

*fonte:tvglobo

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