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Foto: Acervo pessoal
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O Simpósio de Filosofia e Teologia em Campina Grande acontecerá de 27 a 29 de outubro de 2026 no Seminário São João Maria Vianney, em homenagem ao centenário de nascimento de Dom Luís Gonzaga Fernandes (1926–2003) [foto].
Em entrevista à Rádio Caturité FM, o padre João Paulo destacou a importância de conhecer melhor a história do bispo, especialmente sua atuação em defesa das pessoas em situação de vulnerabilidade.
“Dom Luís me ordenou, estou aqui por causa dele”, afirmou o sacerdote, ao explicar também sua ligação pessoal com o religioso e a motivação para participar da programação.
Entre as atividades previstas está a apresentação da professora Bruna Cristina Nascimento, que pesquisa, no doutorado, a passagem de Dom Luís pela Diocese de Vitória, no Espírito Santo. Padre João Paulo ressaltou a relevância desse período para compreender o compromisso social do bispo.
“Ele se destacou muito lá porque foi o tempo da ditadura e recebeu do seu bispo liberdade para se dedicar à questão social”, declarou.
Segundo o sacerdote, a atuação de Dom Luís foi tão significativa que deu origem ao Prêmio Dom Luís Gonzaga, destinado a reconhecer pessoas que se destacam na luta pelos direitos dos mais esquecidos.
A programação também inclui debates sobre o pensamento filosófico do bispo, sua concepção de Igreja e a relação com o povo, além de estudos de textos escritos por ele. O trabalho de recuperação desses registros resultou em três volumes, reunindo cerca de 900 artigos.
Ao recordar alguns dos escritos, padre João Paulo destacou histórias que revelam a atenção de Dom Luís às dificuldades enfrentadas pela população. Uma delas relata a situação de famílias que não tinham recursos para sepultar os próprios filhos.
“Ele escreve isso quase chorando”, contou o sacerdote, ao recordar o relato de uma família que perdeu duas crianças em consequência da fome. Para ele, episódios como esse ajudam a compreender a sensibilidade do bispo diante da pobreza e da exclusão social.
Padre João Paulo também mencionou os registros sobre trabalhadores rurais que reivindicavam condições de vida mais dignas e sobre crianças que trabalhavam nas ruas.
“Eu acho que Campina Grande viu muito bem o que marcou muito a vida dele: as pessoas que vivem à margem”, destacou.
Nesse contexto, o sacerdote considerou significativa a homenagem a Dom Luís no nome do Hospital de Emergência e Trauma de Campina Grande, associando a memória do religioso ao cuidado com quem mais precisa de assistência.
Outro tema abordado foi a formação sacerdotal. Atualmente, o Seminário Diocesano conta com cerca de 60 seminaristas, que participam da preparação religiosa e desenvolvem atividades pastorais nas paróquias. Padre João Paulo ressaltou a importância da instituição para a diocese e convidou a população a conhecer o espaço.
“Esse seminário, em parte, é o coração da nossa diocese. Então, precisamos muito que vocês nos conheçam, que vocês nos visitem e rezem por nós”, concluiu.
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