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A trajetória e o legado de Dom Luís Gonzaga Fernandes, quarto bispo da Diocese de Campina Grande, foram relembrados pelo padre João Jorge durante entrevista à Rádio Caturité FM.
O religioso destacou a formação do bispo, sua atuação social e a defesa dos direitos humanos ao longo da vida.
Natural do Rio Grande do Norte, Dom Luís teve uma infância marcada pela simplicidade e por dificuldades financeiras. Após ingressar no seminário em João Pessoa, destacou-se nos estudos de Filosofia e foi enviado a Roma, onde estudou na Universidade Gregoriana, mantida pelos Jesuítas.
Durante sua formação, viveu um dos momentos que mais influenciaram sua atuação pastoral. Quinze dias antes de sua consagração episcopal, participou de uma missa nas catacumbas de Roma, durante a qual cerca de 40 bispos firmaram o chamado “Pacto das Catacumbas”, compromisso com uma Igreja mais simples, próxima dos pobres e distante de privilégios.
“Embora ainda não fosse bispo para assinar formalmente o documento, aquele compromisso moldou sua visão pastoral”, explicou padre João Jorge.
A atuação em defesa dos direitos humanos ganhou força durante o período da ditadura militar, quando Dom Luís foi bispo auxiliar em Vitória.
Segundo João Jorge, sua postura foi tão marcante que, até hoje, um prêmio anual leva seu nome em homenagem a pessoas que se destacam na defesa dos direitos humanos.
Em 1981, Dom Luís assumiu a Diocese de Campina Grande, onde permaneceu por quase 20 anos, período que o tornou o bispo com maior tempo à frente da instituição.
Para o padre João Jorge, sua passagem pela diocese deixou uma marca profunda pela defesa de uma teologia humanista e pela proximidade com a população.
Mesmo em Campina Grande, Dom Luís continuou sendo procurado para debates sobre direitos humanos no Brasil e no exterior, mantendo vínculos com nomes importantes da Igreja latino-americana, como Dom Hélder Câmara e Dom Leonidas Proaño.
Dom Luís renunciou ao cargo aos 75 anos e morreu posteriormente em João Pessoa, vítima de câncer pulmonar.
Para João Jorge, recordar sua história é também resgatar a memória de um religioso que fez da simplicidade, da fé e da defesa da dignidade humana princípios centrais de sua missão.
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