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Foto: Arquivo
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Referência do jornalismo paraibano e conhecido pelas charges publicadas diariamente no ParaibaOnline, o jornalista, cartunista e designer gráfico Fred Ozanan acaba de ingressar na Academia de Letras de Campina Grande (ALCG).
A posse representa o reconhecimento de uma trajetória construída de forma improvável: antes de se tornar um dos principais chargistas da Paraíba, ele nem sequer sabia desenhar.
Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Caturité FM, Fred relembrou que sua paixão pela charge surgiu ainda na juventude, quando começou a perceber que, para entender os desenhos publicados nos jornais, precisava primeiro compreender os acontecimentos retratados nas notícias.
“A charge me chamou para o jornalismo. Eu percebi que, para entendê-la, precisava ler o jornal. Foi assim que nasceu minha paixão pela comunicação.”
Sem formação artística na época, Fred aceitou o desafio de substituir um chargista em um jornal e encontrou uma maneira própria de desenvolver seu trabalho. Com estudo, observação e muita leitura, transformou uma limitação em identidade, construindo um estilo que o levou a conquistar reconhecimento dentro e fora da Paraíba.
Hoje, autor de 13 livros e vencedor de dois prêmios HQ Mix — a maior premiação dos quadrinhos brasileiros —, Fred afirma que nunca fez da charge apenas um desenho de humor, mas uma ferramenta para provocar reflexão.
“Eu estou sempre do lado do mais fraco. Através do meu trabalho, eu consigo dar voz a quem muitas vezes não tem esse poder de fazer isso.”
Para o novo acadêmico, a função da charge vai além da crítica política. Ela desperta a curiosidade, incentiva a leitura e estimula o debate sobre os acontecimentos do cotidiano, razão pela qual sempre buscou retratar os fatos sem se prender a ideologias, mas ao interesse da sociedade.
Ao falar sobre a posse na Academia de Letras, Fred Ozanan disse receber a homenagem com gratidão, encarando o momento como o reconhecimento de uma trajetória construída sem preocupação com prestígio pessoal.
“Eu nunca procurei holofotes. Sempre fiz o meu trabalho porque acreditava nele. Esse reconhecimento mostra que valeu a pena.”
Agora como integrante da Academia de Letras de Campina Grande, ele pretende contribuir para aproximar a instituição da população e fortalecer o incentivo à leitura.
“A academia tem que sair da sala de reuniões e ir para onde o povo está. É assim que ela pode contribuir ainda mais com a sociedade.”
Ouça a entrevista:
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