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Foto: ParaibaOnline
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Conhecido por gerações de campinenses como “Seu Biu da Gelada“, Severino Pereira de Araújo, de 91 anos, é um dos personagens que ajudaram a construir a história da Feira Central de Campina Grande.
Em entrevista à reportagem da Caturité FM, ele relembrou sua trajetória de aproximadamente 60 anos como comerciante, marcada pelo trabalho, dedicação e pelo carinho conquistado junto aos clientes.
Seu Biu conta que começou a trabalhar na feira ainda jovem, aos 24 anos, e fez daquele espaço o sustento de toda a família.
“Comecei muito jovem, aos 24 anos. Trabalhei ali por cerca de 60 anos. Construí minha vida, casei-me e dediquei praticamente toda a minha existência àquela banca. Saí apenas quando a idade avançou e a saúde limitaram as minhas forças. Hoje, a barraca está alugada para um rapaz de confiança”, relatou.
A banca funcionava no setor de confecções da Feira Central, próximo à antiga Farmácia de Vô Nobre, em um ponto que se tornou referência para quem buscava a tradicional gelada de coco.
Mais do que vender um produto, Seu Biu afirma que o segredo do sucesso sempre esteve na qualidade e no relacionamento com os clientes.
“O que mais me satisfazia era o reconhecimento dos clientes. Eu me dedicava muito à qualidade do produto. O cliente vinha uma vez, gostava e sempre retornava. Eu fazia questão de oferecer algo de excelência”, destacou.
A rotina começava antes mesmo do amanhecer. “Eu saía de casa entre 4h e 5h da manhã todos os dias. Aos sábados, chegava a sair às 3h30. Só fechava a barraca quando o movimento diminuía”, lembrou.
Embora tenha ficado conhecido pela gelada de coco, Seu Biu também comercializava bolinhos, pastéis, coxinhas, enroladinhos, sucos e geladas de outros sabores, como goiaba e maracujá. Segundo ele, o cardápio variava conforme a procura dos fregueses.
Ao longo das décadas, a banca se transformou em ponto de encontro de clientes fiéis, muitos deles vindos de diferentes partes do país.
“Vinha gente de todos os lugares, até de São Paulo, que quando chegava em Campina Grande perguntava onde encontrar o ‘Seu Biu da Gelada’. Naquela época, o movimento era tão grande que eu precisava de auxiliares para dar conta da demanda”, contou.
A famosa gelada de coco era preparada de forma totalmente artesanal. “Eu ralava o coco e tirava o leite manualmente, usando água quente para extrair todo o sabor e a gordura da fruta, depois misturava com água fria. Antes da energia elétrica chegar às bancas, conservar o produto era um grande desafio. Quando sobrava, eu vendia por um preço mais baixo no fim da tarde”, recordou.
Hoje, já distante da rotina intensa da feira, Seu Biu guarda com carinho as lembranças de uma vida inteira dedicada ao trabalho.
“Sinto orgulho do que construí. Não sinto falta da rotina porque sei que o meu tempo passou e as feiras mudaram muito. Agradeço a Deus pelo patrimônio que conquistei, que me permite viver com dignidade, mesmo com as limitações da saúde”, afirmou.
O vínculo com a Feira Central, no entanto, começou muito antes de abrir sua própria banca. Ainda criança, ele acompanhava o pai nas madrugadas de trabalho.
“Comecei aos 10 anos de idade, acompanhando meu pai, que tinha uma banca de feijão. Nós caminhávamos durante a madrugada, enfrentando sol ou chuva, do Velame até o beco do 31. Foi ali que aprendi a arte de trabalhar na feira e onde tudo começou”, relembrou.
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