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Foto: Arquivo pessoal
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A pesquisadora do Instituto Nacional do Semiárido (INSA), Semirames Silva, participou nesta segunda-feira (11) do Jornal da Manhã, dentro da coluna do INSA, e destacou o potencial das plantas medicinais da Caatinga para geração de renda, preservação ambiental e fortalecimento da agricultura familiar no Semiárido.
Doutora em Engenharia Agrícola e pesquisadora da área vegetal, Semirames explicou que diversas espécies nativas do bioma possuem propriedades medicinais e terapêuticas já reconhecidas cientificamente, além de grande valor econômico para comunidades rurais.
Durante a entrevista, ela citou o exemplo de uma cooperativa da Bahia que trabalha com produtos extraídos de espécies da Caatinga, como o maracujá-do-mato e o umbuzeiro, desenvolvendo ações de preservação ambiental e recuperação de áreas degradadas.
“A retirada dessas árvores e a sua não recomposição traz consequências graves para a nossa vida. Nós precisamos dessa vegetação, porque o nosso alimento, o nosso remédio e também uma forma de se obter renda dentro da agricultura familiar vêm da Caatinga”, destacou.
A pesquisadora também comentou sobre o potencial medicinal da pata-de-vaca-mororó, planta utilizada tanto na medicina popular quanto em tratamentos veterinários.
“Existem vários estudos científicos desenvolvidos aqui no Brasil que mostram o potencial dessa planta para pessoas com diabetes e colesterol alto. É mais uma possibilidade de uso em função das propriedades medicinais dessa espécie”, afirmou.
Segundo Semirames, o conhecimento tradicional das comunidades do Semiárido precisa ser valorizado e preservado, principalmente diante das possibilidades de produção de fitoterápicos e medicamentos naturais a partir da flora nativa.
“Nós temos o medicamento sintético fabricado na indústria, mas também temos o medicamento fitoterápico, que vem da matéria-prima vegetal e pode ser uma fonte de renda, seguindo as normas da Anvisa”, explicou.
Ela ressaltou ainda que o INSA atua diretamente no apoio aos agricultores familiares, oferecendo orientação técnica e distribuição de mudas de espécies nativas produzidas no viveiro da instituição.
“É papel nosso fazer essa orientação. Nós produzimos mudas de espécies nativas, fazemos distribuição e doação para a população recompor a nossa flora. A produção e comercialização dessas mudas também podem ser uma fonte de renda”, pontuou.
Semirames alertou para a necessidade do manejo sustentável das plantas medicinais, evitando a extração indiscriminada e garantindo a preservação das espécies.
“A gente precisa utilizar aquilo de que necessita, mas manter a planta viva. Por isso existe o plano de manejo sustentável, para continuar usufruindo dos benefícios da flora da Caatinga”, disse.
A pesquisadora também chamou atenção para os cuidados no uso de plantas medicinais, reforçando que o fato de um produto ser natural não significa que ele possa ser consumido sem orientação.
“A diferença entre o remédio e o veneno é a quantidade que você está tomando. Não é porque é natural que você vai utilizar de qualquer forma”, alertou.
Ela ainda explicou que a forma de preparo interfere diretamente nas propriedades terapêuticas das plantas.
“Quando você cozinha folhas e flores, pode acabar degradando substâncias importantes. Por isso existem diferenças no preparo de cascas, raízes, sementes e folhas”, concluiu.
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