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Foto: ParaibaOnline
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Durante entrevista concedida à Rádio Caturité FM, nesta segunda-feira (27), a professora e coordenadora de pesquisas do Instituto Nacional do Semiárido, Dilma Trovão, destacou a importância e o potencial produtivo da Caatinga.
A participação ocorreu no Jornal da Manhã, dentro do quadro semanal do Insa, às vésperas do Dia da Caatinga, celebrado em 28 de abril.
A pesquisadora explicou que a principal característica do bioma está na sua vegetação, adaptada ao clima semiárido ao longo de milhares de anos. Segundo ela, esse processo evolutivo traz ensinamentos importantes para a produção agrícola sustentável.
“O que caracteriza a Caatinga como bioma é principalmente a sua vegetação. E temos essa vegetação que evoluiu ao longo de milhares de anos e é a partir dela que podemos cultivar outras culturas”, afirmou.
Dilma também destacou que a aparência considerada “árida” ou “retorcida” da vegetação, muitas vezes chamada de “garrancheira”, na verdade revela uma estratégia natural de sobrevivência.
“As pessoas dizem que é uma garrancheira, mas ela é assim porque diminui a altura e cresce para os lados, justamente para economizar água. Se a gente aprender com esse modelo, conseguimos produzir mais gastando menos recursos hídricos”, explicou.
A especialista alertou ainda para a necessidade de respeitar as características do bioma, evitando o cultivo de espécies que demandam grande volume de água e não se adaptam às condições locais.
“Não adianta querer produzir algo que exige muita água em um ambiente onde ela é escassa. A Caatinga nos ensina como produzir. Precisamos parar de trazer espécies exóticas que não se adequam à nossa realidade”, pontuou.
Além disso, Dilma ressaltou que o semiárido brasileiro vem sendo cada vez mais reconhecido como uma nova fronteira agrícola e energética do país, despertando inclusive o interesse internacional.
“Hoje somos vistos como fronteira de produção agrícola do Brasil. A Caatinga vai nos dar essa condição. Temos solo e clima que favorecem a qualidade das nossas frutas e da nossa produção”, destacou.
A pesquisadora também reforçou o papel da agricultura familiar na segurança alimentar e no desenvolvimento da região, lembrando que grande parte dessa produção está concentrada no Nordeste.
“Mais de 50% da agricultura familiar do Brasil está no Nordeste. É ela quem coloca comida na mesa da população. Precisamos incentivar e investir nesse setor”, disse.
Por fim, a representante do Insa destacou que o instituto desenvolve tecnologias sociais e projetos voltados ao uso eficiente da água e à convivência com o semiárido, reforçando que é possível produzir de forma sustentável dentro da Caatinga.
“A Caatinga é o bioma que nós temos e é o melhor para nós. Ela é uma fronteira agrícola e energética. Precisamos aprender com ela para garantir produção e qualidade de vida”, concluiu.
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