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Foto: Arquivo pessoal
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Segue lá o jornalista em sua jornada de levar informação, matéria-prima com prazo de validade, em um mundo que insiste em também dar vencimento aos próprios fatos.
Entre a história e o cotidiano, há apenas uma lógica: o presente, que aprende a envelhecer pela memória.
O jornalista possui dois tipos de bússola: as fontes e o instinto. Os livros que carrega têm, muitas vezes, um efeito psicológico — o de balsamizar a solidão nos momentos em que não há com quem dividir ideias.
O jornalismo é descartável; o jornalista, não. A notícia consumida hoje, se não se perder na efêmera força dos escândalos, passará pelo verniz do tempo para saber se pode se tornar registro.
O jornalista não caminha a esmo. Existe uma rota, que ele só descobre pela vontade de aprender e de saber um pouco mais. Essa grande viagem é a utopia jornalística: ser um observador do mundo e, ao mesmo tempo, um fragmento espelhado da existência.
Ainda que julgue simplórios os próprios passos, é a transformação informativa na vida dos outros que justifica o combustível para seguir em frente. Com a consciência de que a vida é soberana e não deve ser romantizada. Jornalismo não é literatura, não é poesia. A vida é o que é: colorida e cruel. E, para opinar, é preciso fundamentar.
O jornalista, certamente, um dia padecerá — talvez por falência múltipla de créditos. Porque, no dia em que não restar mais ninguém a respeitar este sacro ofício, reconhecendo nele sua legítima credibilidade, não haverá razão maior para sua existência. Restará, então, no mundo, a classe putrefata dos travestidos de imprensa — influencers e afins — a corroer a pouca massa encefálica que ainda resiste, dizendo amém ao grande bezerro de ouro chamado algoritmo.
Mas ainda assim… haverá um.
Um que recusa o atalho fácil, que desconfia do aplauso rápido e que insiste em perguntar quando todos já se contentaram com respostas prontas. Um que escreve não para agradar, mas para revelar.
E enquanto houver um único jornalista disposto a sustentar a verdade, mesmo que doa, mesmo que custe, mesmo que ninguém aplauda, o jornalismo não terá morrido.
Porque a verdade, meu caro… pode até perder espaço.
Mas nunca aceita desaparecer.
* Jornalista
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