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Paraíba
Foto: Pascom/CG
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Em um profundo clima de silêncio e recolhimento, a Igreja viveu a Sexta-feira Santa, dia em que contempla a Paixão e Morte de Jesus Cristo.
No coração do Tríduo Pascal, os fiéis são convidados a mergulhar no mistério da cruz, reconhecendo nela a maior prova de amor: a entrega total do Filho de Deus pela salvação da humanidade.
Na Catedral Diocesana de Nossa Senhora da Conceição, em Campina Grande, a celebração foi presidida pelo bispo diocesano, Dom Dulcênio Fontes de Matos, reunindo centenas de fiéis.
A liturgia, marcada por gestos fortes e carregados de significado, iniciou-se em silêncio, conduzindo todos a uma atitude de oração.
A prostração diante do altar, a narração da Paixão do Senhor e a solene adoração da cruz marcaram a celebração, tocando os corações e convidando todos a contemplarem o sofrimento redentor de Cristo.

Pascom/CG
A riqueza simbólica da liturgia revelou, em cada gesto, a profundidade do mistério celebrado.
O beijo na cruz, realizado pelos fiéis, expressou não apenas devoção, mas também reconhecimento do amor que se doa até o fim.
Em meio ao silêncio que envolvia a celebração, cada oração e cada rito tornaram-se um convite à conversão e à entrega confiante nas mãos de Deus.
Encerrando este momento de intensa espiritualidade, a Procissão do Senhor Morto percorreu as ruas da cidade, reunindo uma multidão em oração silenciosa.
O trajeto, marcado pela reverência, tornou-se um testemunho público de fé. Assim, entre passos lentos e corações contritos, o povo de Deus seguiu contemplando o mistério da morte de Cristo, sustentado pela esperança da Ressurreição.
Homilia
Dom Dulcênio conduziu os fiéis a contemplarem a cruz a partir da imagem do jardim evocada pelo Evangelho de João.
Mais do que um detalhe geográfico, o lugar da crucificação e do sepultamento revela um profundo sentido teológico: ali, no silêncio do jardim, Deus inaugura uma nova criação.
“No lugar onde Jesus foi crucificado, havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado. Por causa da preparação da Páscoa, e como o túmulo estava perto, foi ali que colocaram Jesus” (Jo 19,41-42). Com estas palavras, foi encerrada a narrativa da Paixão do Salvador pelo Evangelista-Teólogo São João. Esta localização, antes de ser geográfica, remete-se ao sentido bíblico-teológico de jardim”, refletiu.

Pascom/CG
O bispo recordou o jardim do Éden, onde Deus estabeleceu a harmonia com a humanidade. Criado para viver na intimidade divina, o homem rompe essa comunhão ao ceder ao pecado, afastando-se de Deus e experimentando o deserto da desordem e do sofrimento.
“O Senhor Deus tomou o homem e o colocou no jardim de Éden, para o cultivar e guardar” (Gn 2,8.10-15). Isso o faz para dizer que Deus criou o mundo na harmonia, na beleza da Sua presença e o confiou ao homem. Porém, esta ordem durou até quando o ser humano foi tentado pelas palavras sugestivas de pecado do maligno”, verbalizou o prelado.
Mas é nesse caminho que Deus conduz a humanidade a um novo jardim: o Calvário. No centro dele está a cruz, árvore que transforma a antiga maldição em fonte de vida. Nela, Cristo se oferece como fruto bendito, restaurando o que foi perdido e atraindo todos a si.
Por fim, Dom Dulcênio destacou o paradoxo do Gólgota: lugar de morte que se torna fonte de vida. O sangue de Cristo fecunda a terra e faz nascer a salvação. Assim, o jardim da Paixão não é o fim, mas início de uma nova vida.
*com informações pascom/cg
Fotos: pascom diocesana
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