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O secretário de Saúde de Campina Grande, Dunga Júnior, fez um forte desabafo em entrevista à Rádio Caturité FM ao comentar críticas sobre um suposto “caos” na rede municipal de saúde. Segundo ele, os números de atendimentos e procedimentos comprovam que o sistema continua funcionando, apesar de uma grave crise de financiamento que recai quase exclusivamente sobre o município.
“Precisamos analisar o tamanho desse caos”, afirmou o secretário, ao apresentar dados de 2025. “Só na atenção primária foram mais de 800 mil atendimentos. Nos procedimentos de exames, somando atenção primária, média e alta complexidade, foram quatro milhões e duzentos mil exames realizados”, destacou.
Dunga Júnior também chamou atenção para os resultados na saúde bucal, que, segundo ele, alcançaram números expressivos, reforçando que o sistema segue ativo mesmo em meio às dificuldades. “É um caos que se proliferou em virtude de um momento de crise que se passa, mas temos resultados”, pontuou.
Para reforçar o argumento, o secretário citou os boletins divulgados recentemente pelas unidades de urgência e emergência. “Hoje estamos divulgando boletim de fim de semana nas UPAs e hospitais. De 8 a 11 de janeiro, tivemos quase nove mil atendimentos. Que caos é esse em que o atendimento não falta?”, questionou.
Ele reconheceu, no entanto, problemas pontuais, como o atraso no pagamento de colaboradores. “Tivemos um grande problema que foi o pagamento dos colaboradores, que estamos fazendo até o quinto dia útil do mês subsequente, e estamos tentando resolver isso agora”, explicou.
Saúde de Campina garante pleno acesso a consultas, exames e medicamentos na rede pública
Segundo Dunga Júnior, um dos principais entraves está na desproporção entre a população do município e a quantidade de usuários atendidos. “Não é fácil acordar num município com 440 mil habitantes e ter 600 mil cartões do SUS credenciados. Essa conta não fecha”, afirmou.
O secretário foi enfático ao apontar o financiamento da saúde como o maior problema “que ninguém abre a porta para discutir”. Ele destacou o papel regional de Campina Grande, especialmente na assistência materno-infantil. “Até outubro de 2025, nós tínhamos 109 municípios referenciados no ISEA. É SUS e só tem essa maternidade. Em agosto, o Estado faz uma nova pactuação e passamos para 139 municípios. O vácuo de janeiro a agosto ninguém pagou, quem pagou foi o município”, denunciou.
De acordo com Dunga Júnior, ao final de 2025, Campina Grande estava atendendo pacientes de 172 municípios. “Essa conta só fecha quando sentarem à mesa o governo federal, o governo estadual e o município para definir o que é devido por cada um. O governo do Estado continua devendo — e devendo muito — a Campina Grande”, afirmou.
O secretário também relatou distorções no sistema, com pacientes de cidades vizinhas transferindo o cartão do SUS para Campina Grande. “Tem município vizinho que não tem atendimento adequado. A pessoa arruma recibo de aluguel de parente que mora aqui, transfere o cartão do SUS e vem ser atendida aqui”, disse.
Por fim, Dunga Júnior revelou valores expressivos de procedimentos realizados sem o devido ressarcimento. “Em 2024, levantamos R$ 36 milhões em procedimentos feitos pelo município e não pagos pela tripartite da saúde. Levamos isso ao senador Veneziano e ao Ministério da Saúde, e fomos ressarcidos em R$ 30 milhões em 2025”, explicou.
Segundo ele, em 2025 o levantamento já chega a R$ 38 milhões, que estão em tramitação no Ministério da Saúde, além dos valores excedentes ainda não compensados.
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