Paraíba

Prefeitura de Campina Grande esclarece mortandade de peixes no Açude Velho

Da Redação
Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 22:55

Foto: Frame/TV Paraíba

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A Prefeitura de Campina Grande, por meio da SESUMA e em parceria com a Secretaria de Obras, realizou nesta quarta-feira (14) uma reunião técnica com especialistas para analisar a mortandade de peixes no Açude Velho.

O evento foi atribuído a um fenômeno natural chamado Circulação Vertical Turbulenta da Coluna d’Água, intensificado por altas temperaturas, ventos fortes e baixa renovação hídrica, que libera gases tóxicos e provoca intoxicação da ictiofauna.

Confira a nota técnica na íntegra:

A Prefeitura Municipal de Campina Grande, por meio da Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (SESUMA), em conjunto com a Secretaria de Obras, realizou nesta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, reunião técnica com especialistas de instituições de ensino superior e técnicos municipais, com o objetivo de analisar o recente episódio de mortandade de peixes no Açude Velho e definir medidas de enfrentamento e mitigação.

Após análises e debates técnicos, houve consenso unânime de que o episódio decorre de um fenômeno ambiental natural, denominado Circulação Vertical Turbulenta da Coluna d’Água, comum em reservatórios do semiárido e intensificado por condições climáticas específicas, como altas temperaturas diurnas, noites mais frias, ventos intensos, baixa lâmina d’água e ausência de renovação hídrica significativa.

Esse processo promove a ressuspensão do sedimento do fundo do açude, rico em matéria orgânica acumulada ao longo de décadas, ocasionando a liberação de gases tóxicos, especialmente metano (CH₄) e gás sulfídrico (H₂S). Esses gases provocam intoxicação aguda da ictiofauna, levando à mortandade de peixes, inclusive antes da ocorrência de deficiência crítica de oxigênio dissolvido.

Embora o fenômeno seja natural, os especialistas destacaram fatores antrópicos históricos que potencializam sua gravidade, entre eles:

– assoreamento do reservatório;
– eutrofização elevada;
– acúmulo de matéria orgânica no sedimento;
– baixa oxigenação da água;
– longo tempo de residência hídrica;
– contribuições de ligações clandestinas de esgoto;
– inexistência de sistema contínuo e eficiente de renovação da água.

Ressalta-se que não há responsabilização individual, tratando-se de um desequilíbrio ambiental sistêmico e histórico, comum a diversos reservatórios urbanos brasileiros que perderam sua função original de abastecimento.

PROTOCOLO DE AÇÕES DEFINIDO

Ações imediatas (curto prazo):

– aquisição e instalação de aeradores para incremento do oxigênio dissolvido;
– monitoramento contínuo da qualidade da água;
– análises de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), oxigênio dissolvido, potencial de oxirredução e turbidez;
– acompanhamento da ictiofauna.

Ações de médio e longo prazo:

– intensificação das fiscalizações para coibir ligações clandestinas de esgoto;
– ampliação do monitoramento ambiental permanente;
– estudos para implantação de sistema de renovação hídrica;
– avaliação técnica para dragagem do sedimento;
– aquisição de novos equipamentos ambientais;
– articulação contínua com universidades e órgãos ambientais.

A Prefeitura de Campina Grande reafirma que:

– o evento não decorre de omissão imediata, mas de fenômeno climático-natural agravado por passivos ambientais históricos;
– não existe solução emergencial definitiva para eventos dessa natureza;
– as medidas adotadas são técnicas, científicas e respaldadas por especialistas de referência nacional.

O compromisso da gestão municipal é com a transparência, a recuperação ambiental e a preservação do Açude Velho como patrimônio ambiental e paisagístico da cidade.

Participaram da reunião:

Dorgival Vilar – Secretário de Serviços Urbanos e Meio Ambiente
• Joab Machado – Secretário de Obras
• Lilian Ribeiro – Bióloga – Coordenadora de Meio Ambiente da SESUMA – Doutora em Desenvolvimento e Meio Ambiente (UFPB)
• Marcelo Aurélio Coutinho Barreto Filho – Engenheiro Civil da SESUMA
• Soahd Arruda Rached Farias – Professora da UFCG/CTRN/UNIPAPE – Engenharia Agrícola
• Cícero Fellipe Diniz de Santana – Professor da UFCG/VACTA/CCTA – Engenheiro Sanitarista e Ambiental – Doutor em Engenharia Civil e Ambiental
• Weruska Brasileiro Ferreira – Professora da UEPB – Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental – Doutora em Engenharia Química
• Hênio Nascimento – Biólogo – Doutor em Limnologia – Especialista em açudes do semiárido brasileiro (UFCE)
• Soahd Arruda Rached Farias – Professora da UFCG/CTRN/UNIPAPE – Engenharia Agrícola
CTRN/UAEA
• Técnicos da SESUMA

Campina Grande, 14 de janeiro de 2026

Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente – SESUMA
Prefeitura Municipal de Campina Grande

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