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Foto: Leonardo Silva/ParaibaOnline/Arquivo
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Em entrevista, a engenheira agrícola Soahd Arruda afirmou que a mortandade de peixes no Açude Velho provoca impactos simultâneos nas esferas social, econômica, ambiental e histórica, destacando a importância simbólica e ambiental do reservatório para Campina Grande.
Segundo ela, a maior parte dos peixes encontrados mortos era tilápia, espécie conhecida pela alta resistência a baixos níveis de oxigênio e a ambientes adversos, o que torna o episódio ainda mais preocupante.
Soahd explicou que chamou atenção o padrão semelhante de tamanho dos peixes mortos, o que pode indicar que uma faixa etária específica foi mais afetada.
Para ela, essa informação é relevante, já que a resistência dos peixes varia conforme a idade. A engenheira ressaltou que ainda não há laudos conclusivos e que todas as análises apresentadas são hipóteses técnicas construídas a partir de observações de campo e diálogo com especialistas.
Entre as hipóteses levantadas, Soahd citou a possibilidade de circulação vertical da água, provocada por ventos fortes associados a altas temperaturas, o que pode ter deslocado sedimentos do fundo do açude.
Esses sedimentos, ricos em matéria orgânica, podem liberar gases tóxicos como metano e gás sulfídrico, capazes de causar mortandade rápida dos peixes. A coloração marrom da água, observada no período, reforça essa possibilidade.
A engenheira também destacou o papel do esgoto lançado no manancial, explicando que a decomposição da matéria orgânica consome oxigênio da água e favorece processos anaeróbicos, que geram gases tóxicos.
Ela lembrou ainda que o Açude Velho é raso, sofre com assoreamento histórico e recebe grande volume de águas pluviais da área central da cidade, fatores que agravam o aquecimento da água e reduzem a capacidade de autodepuração do reservatório.
Para Soahd, a recuperação do açude passa por ações estruturais, como o controle rigoroso do lançamento de esgoto, estudos técnicos aprofundados e possíveis intervenções para retirada de sedimentos, visando melhorar a profundidade, a qualidade da água e a sustentabilidade ambiental do Açude Velho.
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