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Foto: ascom/Fifa
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Os dois têm 19 anos, já se destacam no futebol europeu e têm um futuro brilhante pela frente. Só que Rayan e Endrick não quiseram esperar 2030 para receber uma chance. Contra o Japão, na segunda fase da Copa do Mundo da FIFA 2026™, a dupla foi importante quando o Brasil mais precisava.
Rayan começou como titular pela segunda partida seguida e jogou os 90 minutos; Endrick entrou no intervalo. Com os dois em campo, a seleção conseguiu a virada contra os japoneses: 2 a 1. Os comandados de Carlo Ancelotti enfrentarão a Noruega, no domingo, pelas oitavas de final. Os dois prodígios, que concorrem ao prêmio de melhor Jovem Jogador da FIFA neste torneio, estarão no centro das expectativas.
Seja qual for o resultado da campanha brasileira no torneio, a dupla já está escrevendo seu nome na história do futebol do país pentacampeão.
Contra o Haiti, Rayan e Endrick estiveram juntos em campo a partir dos 19 minutos do segundo tempo. Eles tornaram-se a primeira dupla de jogadores com menos de 20 anos a disputar um duelo de Copa do Mundo pelo Brasil desde 1958.
Na campanha do primeiro título mundial, Pelé, então com 17 anos, e Mazzola, 19, jogaram juntos na vitória por 1 a 0 sobre o País de Gales.
Diante da Escócia, no terceiro jogo da fase de grupos, Rayan tornou-se o sexto titular mais jovem da Seleção em Copas — o mais jovem desde o lateral-esquerdo Marco Antônio, na Copa de 1970.
Lesão mudou destino
Rayan foi um dos últimos atacantes a conquistar uma vaga na convocação de Carlo Ancelotti, graças ao bom desempenho em seus primeiros meses no futebol europeu: ele ajudou o Bournemouth a ser uma das surpresas da Premier League.
Só que, na seleção, o ex-jogador do Vasco ainda estava distante de uma posição no time titular. O destino mudou aos 40 minutos do primeiro tempo diante do Haiti, quando Raphinha sofreu uma recaída de uma lesão no músculo posterior da coxa direita. Rayan entrou em campo e foi elogiado pelo treinador.
Sem o ponta do Barcelona, Ancelotti teve de escolher um substituto para enfrentar a Escócia, e optou pelo camisa 26.
“Acho que o Rayan, quando entrou no lugar do Raphinha [contra o Haiti], fez um bom jogo. Rayan tem muito potencial nesse aspecto. Temos outros jogadores que podem se adaptar ao sistema, mas se precisarmos dessa amplitude, o Rayan pode fazer esse papel”,disse o treinador, na véspera da partida.
Em campo, a escolha de Ancelotti mostrou-se certeira: a marcação-pressão de Rayan na saída de bola provocou o erro de Scott McKenna, que terminou com o primeiro gol brasileiro, marcado por Vinícius Jr. O jovem foi mantido no time para a partida contra o Japão.
Endrick ganha espaço
A história de Endrick na Copa vai por um caminho diferente, mas também mostra um crescimento nas oportunidades. Depois de não entrar na estreia, contra Marrocos, o atacante entrou durante o segundo tempo contra Haiti e Escócia. Diante do Japão, ele foi a campo no início da etapa final.
Diante de um clamor da torcida pelo jovem, Carlo Ancelotti já disse que Endrick “será importante no momento certo”. Na vitória sobre os asiáticos, ele não fez gol, mas ajudou o ataque brasileiro a empurrar o adversário para dentro da área, criando espaços para os companheiros jogarem.
“A gente sabe que hoje teve que colocar um pouco mais de força na área para se recuperar na partida, e o Endrick poderia nos dar essa força e presença na área. Ele fez um jogo muito bom, estava intenso e era perigoso”, disse o treinador, em entrevista coletiva após a partida.
Amizade desde a base
O encontro de Endrick e Rayan em campo, durante momentos importantes da Copa do Mundo, é o auge de uma relação esportiva que vem desde as categorias de base, onde eles já foram colegas e rivais.
Em junho de 2022, os dois se encontraram para decidir o título da Copa do Brasil sub-17. No primeiro jogo, o Palmeiras venceu por 4 a 1, com dois gols de Endrick; no segundo, o Vasco fez 4 a 2, com um gol de Rayan. Mas, com os dois gols marcados — ambos por Endrick — o alviverde levou o título com 6 a 5 no placar agregado.
Na época, os dois tinham apenas 15 anos.
Os dois também poderiam ter se encontrado em competições oficiais pela Seleção Brasileira de base, mas acabou não acontecendo. Eles até estiveram juntos em períodos de treinamentos e jogos amistosos, mas não nos torneios mais importantes.
Na campanha do título Sul-Americano de 2023, Rayan era o titular do ataque, mas Endrick não estava. No Mundial da categoria, em novembro daquele mesmo ano, o então jogador do Vasco jogava com Estevão — outra joia do Palmeiras —, mas Endrick já estava com o time principal e não foi liberado.
Já na campanha do Pré-Olímpico, que acabou em decepção sem uma vaga para os Jogos de Paris-2024, era Endrick quem fazia parte do elenco, enquanto Rayan não estava com o grupo da seleção sub-23.
Na Copa do Mundo da FIFA 2026™ , o caminho dos dois finalmente voltou a se cruzar. E, no momento mais difícil da campanha até agora, ambos estavam em campo, mostrando que já estão prontos para o maior palco do futebol mundial. O futuro já chegou para a Seleção Brasileira.
* ascom/Fifa
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