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Brasil nas Copas: 1994, após 24 anos, tetracampeão nos EUA

Da Redação*
Publicado em 5 de junho de 2026 às 17:45

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Foto: Acervo CBF

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A Seleção Brasileira optou por uma estratégia mais pragmática para quebrar o jejum de 24 anos e ganhar a Copa do Mundo de 1994, nos EUA. Isso pautou o trabalho, naquele período, do técnico Carlos Alberto Parreira e do então coordenador Zagallo. Eles defendiam um esquema baseado no equilíbrio de forças entre retaguarda, meio-campo e ataque.

“A Copa do Mundo é um torneio recheado de partidas eliminatórias. Não vamos jogar bonito nem feio e sim de acordo com as circunstâncias”, disse Parreira, quando a Seleção dava os ajustes finais para a disputa.

Foi assim que ele fortaleceu o sistema defensivo, protegendo-o com dois cabeças-de-área, deixando um apoiador livre para criar, pois sabia que contava com dois atacantes diferenciados.

Na estreia, em 20 de junho, no Estádio Stanford, em São Francisco, o Brasil fez o dever de casa e derrotou a Rússia por 2 a 0, gols de Romário e Raí. Nas entrevistas pós-jogo, Zagallo parecia profetizar: “Faltam seis”, enfatizou.

O segundo confronto foi contra Camarões, que tentou jogar de igual para igual e não teve sorte. A Amarelinha venceu por 3 a 0, no mesmo local, diante de mais de 83 mil torcedores. Romário, Márcio Santos e Bebeto marcaram os gols.

Contra a Suécia, na terceira, partida, o Brasil se deparou com um adversário fechado e bem organizado taticamente, que atuava nos contra-ataques e à espera de uma falha alheia. Foi dessa forma que o time europeu fez 1 a 0. Mas Romário tratou empatar com um chute de bico de fora da área. O empate, no Estádio Pontiac Silverdome, em Detroit, garantiu a liderança da Seleção Brasileira.

O chaveamento da Copa opôs o Brasil contra o anfitrião do Mundial no início do mata-mata, num confronto novamente no Stanford. Foi realizado em 4 de julho, dia da Independência dos EUA, diante de mais de 85 mil pessoas.

A equipe mandante tinha claramente a intenção de segurar o empate que levaria para os pênaltis a decisão da vaga para as quartas de final. O Brasil tocava a bola com paciência, em busca de uma brecha na defesa dos Estados Unidos.

Conseguiu isso aos 72 minutos, quando Romário serviu Bebeto, que, num toque de muita categoria, rolou a bola do lado esquerdo do goleiro Tony Meola. Uma vitória suada, por 1 a 0.

O jogo seguinte foi contra a Holanda, num tradicional clássico do futebol mundial. No Estádio Cotton Bowl, em Dallas, o Brasil abriu 2 a 0, gols Romário e Bebeto, já no segundo tempo. No entanto, acabou permitindo a reação dos holandeses, que chegaram aos 2 a 2.

A disputa por um lugar nas semifinais estava dramática e acabou solucionada para os brasileiros quando Branco, aos 81 minutos, acertou uma cobrança de falta que entraria para a história como uma das jogadas mais memoráveis das Copas do Mundo.

A Seleção Brasileira estava na semifinal e toparia de novo com a Suécia, o que, de certo modo, era bom para as duas equipes, que já se conheciam bem por causa do duelo na fase de grupos.

No Rose Bowl, os suecos seguraram o ímpeto brasileiro até os 80 minutos. Naquele instante, Jorginho cruzou da direita e Romário, no meio de uma zaga de gigantes, usou a cabeça para fazer o único gol do jogo. Pouco depois, o apito final decretava a classificação do Brasil para mais uma final de Copa do Mundo.

Zagallo aproveitou a oportunidade, voltou-se para os jornalistas brasileiros e reforçou sua confiança: “Agora só falta um”.

A Itália estava mais uma vez no caminho do Brasil. Ou seria o contrário? O técnico italiano montou um esquema repleto de cuidados defensivos e deixou escapar que se daria por satisfeito se a decisão do título viesse nos pênaltis. Acreditava que o Brasil não suportaria uma nova disputa dessa forma, como se deu nas quartas de final de 1986, contra a França.

Já a Seleção Brasileira buscou o gol o tempo todo. Foram 22 finalizações ao todo, contra apenas seis da Itália. Mas o 0 a 0, teimoso, persistiu no tempo normal e na prorrogação, quando o Brasil esteve bem perto da vitória com Romário, que desperdiçou uma bola sob a trave. O jogo acabou sem gols.

Nos pênaltis, Baresi chutou para fora e Marcio Santos perdeu, com defesa de Pagluica. Na sequência, Albertini converteu e Romário igualou: 1 a 1. Depois, Evani marcou e Branco, também: 2 a 2. Massaro era a bola da vez e concluiu para a defesa de Taffarel. Dunga fez 3 a 2. Restava a Roberto Baggio fazer o 3 a 3 ou … E ele isolou a bola.

Fim do jejum de 24 anos e consagração de uma geração que foi muito criticada, mas teve resiliência para a dar a volta por cima.

Veja a convocação do Brasil para a Copa de 1994:

Goleiros: Gilmar Rinaldi (Flamengo), Taffarel (Reggiana) e Zetti (São Paulo);

Defensores: Aldair (Roma), Branco (Fluminense), Cafu (São Paulo), Jorginho (Bayern de Munique), Leonardo (São Paulo), Márcio Santos (Bordeaux), Ricardo Rocha (Vasco) e Ronaldão (Shimizu S-Pulse);

Meio-campistas: Dunga (Stuttgart), Mazinho (Palmeiras), Mauro Silva (Deportivo La Coruña), Paulo Sérgio (Bayer Leverkusen), Raí (Paris Saint-Germain) e Zinho (Palmeiras);

Atacantes: Bebeto (Deportivo La Coruña), Müller (São Paulo), Romário (Barcelona), Ronaldo (Cruzeiro) e Viola (Corinthians).

Técnico: Carlos Alberto Parreira.

* Ascom/CBF

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