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Eleições
Foto: Nilson Bastian / Câmara dos Deputados
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Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca (PSD), palhaço de circo que foi eleito deputado federal em 2010 com mais de 1 milhão de votos, foi derrotado pela primeira vez em sua quinta candidatura ao cargo, dessa vez pelo Ceará. Com 98% das urnas apuradas, ele não passou de 6 mil votos.
O humorista disputou o cargo pela primeira vez em 2010, pelo então Partido da República (PR), o atual PL, por São Paulo, quando foi o candidato mais votado do país.
Aquela eleição, que resultou na vitória de Dilma Rousseff (PT) à Presidência às vésperas do julgamento do mensalão, foi marcada pela insatisfação com a política. Com seu slogan “pior do que tá, não fica” e reconhecendo a sua ignorância em relação ao sistema, Tiririca se lançou como a válvula de escape ideal para a insatisfação nas urnas e virou símbolo do voto de protesto.
Desde então, foi reeleito três vezes, apesar de os votos irem diminuindo consideravelmente —em 2022, foi reeleito com 71.754 votos.
Em 2025, após várias tensões, trocou o PL, partido do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, pelo PSD. “É uma felicidade imensa estar de volta ao meu Ceará e, se Deus quiser, vamos fazer um mandato sensacional agora com o apoio do PSD”, disse na época de sua filiação.
Francisco Everardo Oliveira Silva nasceu em 1965 em Itapipoca, no interior do Ceará. Com pai ausente, trabalhou desde cedo como vendedor de picolé e algodão-doce e fazendo serviços braçais. O cenário interrompeu seus estudos e o impediu de concluir a alfabetização básica —o que se tornaria motivo de controvérsia em sua trajetória política.
Ao longo do tempo, ele recebeu o apelido pelo qual ficou conhecido —a mãe o chamava de “Tiririca” em referência a uma erva daninha, dado o seu temperamento genioso— e entrou em contato com o circo no interior nordestino.
Daí veio a percura loira, o chapéu de feltro, o terno colorido e a maquiagem típica dos palhaços, que o projetaram como humorista. Nos anos 1990, também se voltou à música, quando fez discos com sucessos como “Florentina”, e virou figurinha carimbada em programas de TV como “A Praça É Nossa”, do SBT, e o “Show de Tom”, da Record.
Tiririca entrou para a política em 2010, quando o PR decidiu convidá-lo a se candidatar a deputado federal pelo estado de São Paulo. A ideia era tornar o humorista um puxador de votos, emplacando a eleição de outros parlamentares.
Com uma campanha que recorreu a gozações e palhaçadas, foi o deputado federal mais votado do país, com 1,3 milhão de votos. Na época, precisou provar a sua alfabetização à Justiça Eleitoral de São Paulo, que concluiu que o humorista tinha “mínimo de intelecção, apesar da dificuldade na escrita”.
Esse caso só foi totalmente encerrado três anos depois, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou que o deputado era oficialmente alfabetizado.
Em 2011, quando Tiririca deu início ao seu mandato, seu filho, o também comediante Tirulipa, se filiou ao PSB e lançou uma pré-candidatura a vereador de Fortaleza, da qual desistiu no ano seguinte.
Quatro anos depois, Tiririca foi reeleito com pouco mais de 1 milhão de votos, e figurou outra vez entre os mais votados. Durante os primeiros mandatos, de 2011 a 2018, se destacou pela assiduidade, figurando entre os raros deputados com 100% de presença nas sessões da Câmara, e fez propostas voltadas às artes circenses.
Nesse período, foi autor de 14 projetos de lei. Com exceção da inclusão do circo no âmbito da Lei Rouanet, aprovada em 2017, os demais nunca foram completamente aprovados. Seu primeiro discurso na Câmara, além disso, ocorreu só naquele ano, quando ele anunciou que deixaria a política.
Mesmo assim, e alegando ter recebido apoio da população e querer superar Enéas Carneiro —eleito, em 2002, com 1,5 milhão de votos—, voltou a se candidatar em 2018. Especialistas afirmaram que ele foi pressionado pelo partido a voltar a puxar votos.
A estratégia funcionou, mas os votos de Tiririca caíram para cerca de 450 mil, menos da metade do que recebeu em 2014. Quatro anos depois, ele foi reeleito pela terceira vez, com pouco mais de 70 mil votos.
Durante seus anos na política, somou apenas seis discursos no plenário e, no ano passado, transferiu seu domicílio eleitoral para o Ceará, agora filiado ao PSD.
Os atritos se deram, principalmente, pela falta de posicionamento em meio à crise do partido, com publicações de humor e dissociadas do contexto, e pelo suporte que o político deu a projetos petistas como a Reforma Tributária e o arcabouço fiscal.
Ao longo de sua carreira, Tiririca também recebeu acusações de assédio sexual. Em 2017, uma ex-babá que trabalhou para sua família o acusou de ter sido forçada a manter relações sexuais com o deputado. Já em 2024, um prestador de serviços de manutenção alegou que Tiririca havia o tocado nas nádegas e o importunado sexualmente. A defesa do deputado negou todas as acusações em ambos os casos, que não chegaram a ser levados a julgamento.
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