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Sérgio Moro é eleito governador do Paraná

Da Redação
Publicado em 4 de outubro de 2026 às 21:10

Sergio Moro

Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

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O senador e ex-juiz Sergio Moro (PL), 54, foi eleito governador do Paraná nas eleições deste domingo (4).

Com 99,87% das urnas apuradas, Moro tem 50,11% dos votos válidos, ante 25,35% do deputado federal Sandro Alex (PSD) e 23,47% do deputado estadual Requião Filho (PDT).

O vice-governador eleito é o empresário Edson Vasconcelos (PL), que deixou a presidência da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) para disputar o pleito.

O resultado eleitoral representa uma derrota para o grupo do atual governador, Ratinho Junior (PSD), que demorou para escolher um nome para entrar na eleição deste ano e não conseguiu reduzir o impacto da aliança entre Moro e o bolsonarismo.

Em março, Moro trocou o União Brasil pelo PL, partido que no Paraná integrava a base aliada de Ratinho Junior.

A campanha foi marcada por intensa troca de ataques entre Moro e o grupo de Sandro Alex, especialmente na reta final da corrida.
No início da propaganda eleitoral, Moro evitou fazer críticas ao governo de Ratinho Junior, cuja aprovação se aproxima de 80%, segundo pesquisa da Quaest.
Mas o governador se tornou figura onipresente na campanha de Sandro Alex e o grupo passou a atacar o ex-juiz, que permaneceu líder em intenção de voto em todas as pesquisas da Quaest desde abril.

Em reação, Moro adaptou o discurso e passou a dizer que o Paraná “pode mais”, ao ser confrontado com indicadores da atual gestão.

Em um terceiro momento da campanha, o grupo de Sandro Alex observou o crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas ao Planalto e passou a falar da antiga aliança de Ratinho Junior com o ex-presidente Jair Bolsonaro, ignorando o presidenciável do PSD, Ronaldo Caiado.

Em resposta, Flávio Bolsonaro chegou a gravar mais um vídeo em apoio a Moro, em que dizia que seu candidato no Paraná era um só, o ex-juiz.

Na briga entre Moro e Sandro Alex sobre quem detinha mais proximidade com a família Bolsonaro, o candidato apoiado pelo PT, Requião Filho, concorreu à margem da troca de ataques.
Na avaliação das campanhas rivais, o pedetista não tinha espaço para avançar em segmentos do eleitorado mais distantes do campo da esquerda.

A disputa ao Palácio Iguaçu teve outros cinco candidatos: a produtora cultural Tayná Miessa (Unidade Popular), 31, o advogado Luiz França (Missão), 32, o advogado Alexandre Salomão (Mobiliza), 55, o mecânico Adriano Funileiro (PCO), 39, e o professor Samuel de Mattos (PSTU), 38.

Moro ganhou fama nacional ao julgar processos da Operação Lava Jato, deflagrada em 2014, quando ele atuava como juiz da 13ª Vara Criminal de Curitiba. Foi ele quem condenou o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá, em um processo que depois foi anulado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Em 2018, Moro aceitou o convite de Jair Bolsonaro, eleito naquele ano à presidência da República, para ser ministro da Justiça e Segurança Pública. Mas ele permaneceu à frente da pasta apenas entre janeiro de 2019 e abril de 2020.

Deixou o governo alegando interferência política do então presidente dentro da Polícia Federal para blindar familiares de investigações em andamento.

Desde então, apoiadores de Bolsonaro passaram a chamar Moro de traidor. A reaproximação ocorreu apenas na campanha eleitoral de 2022, quando o então presidente buscava a reeleição e Moro tentava uma vaga no Senado.

Quando questionado pela imprensa sobre o episódio de 2020, Moro não volta a detalhes do caso e repete que a bandeira contra o PT é superior às divergências entre eles.

Depois de sair do governo federal, Moro foi diretor da empresa de consultoria americana Alvarez & Marsal por um ano. Depois, se filiou ao Podemos, de olho em uma candidatura ao Planalto. Mas, faltando apenas uma semana para o fim das trocas partidárias, anunciou que estava se filiando ao União Brasil.

No novo partido, não conseguiu espaço para manter uma candidatura à presidência, optando pelo Senado. Moro foi eleito senador com 1.953.188 votos para um mandato de oito anos.

Com a vitória ao Governo do Paraná, quem assumirá sua cadeira no Senado é seu primeiro suplente, o advogado e empresário Luis Felipe Cunha, considerado um braço direito de Moro. Cunha nunca exerceu mandato eletivo.

*folhapress

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