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Educação e Ciência
Foto: Ascom/Aesa/Arquivo
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A pesquisadora Gabriela Reis, do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), alertou para os possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre o Nordeste durante participação no quadro semanal do Insa no Jornal da Manhã, da Rádio Caturité FM.
Segundo ela, os dados atuais de monitoramento do aumento da temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico são compatíveis com a intensidade do evento, mas a região hoje conta com uma estrutura de monitoramento e preparação muito mais robusta do que a existente décadas atrás.
Gabriela destacou que, embora o cenário possa guardar semelhanças com períodos de seca registrados no passado, como o da década de 1940, atualmente existem mecanismos de acompanhamento e infraestrutura que permitem uma resposta mais adequada.
Ela citou a transposição do Rio São Francisco, os comitês de bacias hidrográficas e tecnologias de convivência com o semiárido, como cisternas e outras soluções voltadas às populações rurais.
Para a pesquisadora, uma das principais preocupações é a possibilidade de redução do volume de chuvas durante a próxima quadra chuvosa no Nordeste.
“O que a gente provavelmente vai ter é uma redução do volume de água precipitada, ou seja, uma redução da chuva na próxima quadra chuvosa aqui para a região Nordeste”, explicou.
Ela também apontou a possibilidade de uma quadra chuvosa mais curta, o que pode comprometer a recarga de açudes e aquíferos.
O cenário pode trazer consequências para o abastecimento urbano e para as atividades agrícolas, principalmente para os produtores que dependem diretamente das chuvas.
“Isso pode afetar a recarga dos reservatórios, a recarga dos aquíferos, então pode ter um impacto no abastecimento urbano e também um impacto no campo, especialmente para o pessoal que vive da agricultura de sequeiro”, afirmou Gabriela.
Além da redução das chuvas, a pesquisadora chamou atenção para a tendência de temperaturas mais elevadas durante o verão. A orientação é para que a população acompanhe os alertas emitidos pelos órgãos de monitoramento e pela Defesa Civil, especialmente diante da possibilidade de períodos mais quentes e secos.
De acordo com Gabriela, os efeitos do El Niño podem se estender até o início do próximo ano e interferir diretamente no período chuvoso do semiárido. Por isso, ela defende que gestores públicos comecem desde já a adotar medidas de prevenção. “É importante que se espalhe a notícia, que tenha esses alertas, que a população fique sabendo”, destacou.
A pesquisadora também ressaltou a importância da participação popular nas decisões relacionadas à gestão dos recursos hídricos. Segundo ela, os comitês de bacias hidrográficas são espaços democráticos onde são discutidas, entre outras questões, as regras para alocação da água dos reservatórios. Em um cenário de possível menor recarga dos açudes, essa participação se torna ainda mais relevante.
Na Paraíba, a atenção deve ser redobrada principalmente nas regiões do Sertão, Cariri e Curimataú, que concentram períodos chuvosos no início do ano e já apresentam historicamente volumes de precipitação menores do que o Litoral e o Agreste.
Gabriela citou ainda o sistema Coremas-Mãe D’Água como um dos conjuntos de reservatórios estratégicos para o abastecimento do Estado e reforçou a necessidade de planejamento diante das projeções climáticas.
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