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Educação e Ciência
Foto: Folhapress/divulgação
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Quando o corpo de uma brasileira que morreu no exterior chegou ao Brasil, no ano passado, seu estado impossibilitou inicialmente que fosse identificado o dia do óbito.
A tarefa foi parar nas mãos da perita criminal Janyra Oliveira da Costa, da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que recorreu à entomologia forense.
A entomologia forense utiliza insetos e alguns outros artrópodes para obter evidências em investigações e ajudar a responder questionamentos jurídicos.
Cerca de 48 horas após o óbito, o estado de decomposição do corpo impede diversas inferências sobre as condições da morte.
“A entomologia é amiga do cadáver decomposto”, diz Janyra, em entrevista neste mês de julho.
No caso da brasileira citada no início deste texto, ao analisar o corpo dela, Janyra encontrou larvas da mosca Chrysomya megacephala, que existem tanto no país onde ela morreu quanto no Brasil.
A partir de dados como o ciclo de vida do inseto e a temperatura experimentada por ele, a perita conseguiu estimar o dia do óbito da vítima.
De acordo com Janyra, cerca de 95% do seu trabalho consiste em informar o intervalo pós-morte (IPM), ou seja, o tempo decorrido da morte até o corpo ser encontrado.
Porém, existem outros usos da entomologia forense, como aqueles ligados à genética.
Em crimes sexuais seguidos de morte, um cadáver em avançado estado de decomposição perde os vestígios do material genético do agressor.
Mas eventuais larvas localizadas na vítima incorporam esse DNA ao se alimentar.
Com isso, os peritos podem analisar o intestino da larva e obter evidências sobre o autor do crime.
Os insetos podem trazer ainda informações toxicológicas, como substâncias químicas ingeridas antes da morte, seja medicamentos, drogas ou venenos, o que possibilita inferências sobre a causa clínica do óbito.
Apesar do potencial da entomologia forense, a falta de conhecimento por vezes pela própria autoridade policial restringe suas aplicações, segundo Janyra.
A perita montou o laboratório de entomologia forense em 2005, quando a área era bastante incipiente.
Em Santa Catarina, a divisão de entomologia forense da polícia surgiu em 2022, composta de dois servidores, entre eles o perito criminal Victor Botteon. Em seu primeiro ano, o departamento coletou 21 espécies diferentes de insetos e reuniu evidências para calcular o IPM em 34 ocasiões.
Ossada
Um dos casos do departamento foi uma ossada humana parcialmente enterrada encontrada em agosto de 2024 em uma floresta de Florianópolis.
Por meio da degradação do crânio provocada por cupins, as autoridades conseguiram calcular que a morte havia ocorrido entre 3 e 6 anos atrás.
Botteon observa que há certa resistência dos servidores em fazer a coleta dos insetos, em parte por conta do nojo. Por outro lado, o cálculo do IPM por meio da entomologia se tornou praxe na cidade de Joinville.
*Com informações de Ramana Rech/Folhapress
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