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Economia

Cartões buscam inovação para resistir à era dos pagamentos por robôs

Da Redação*
Publicado em 5 de setembro de 2026 às 20:05

cartão de crédto na maquininha

Foto: Ascom/Jus

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Levaram-se décadas para que os cartões de plástico aposentassem as notas de papel-moeda na carteira dos brasileiros. Nesse caminho, as bandeiras de cartão viraram a ponte definitiva entre consumidores, bancos e lojistas.

Agora, o setor financeiro está prestes a passar por uma nova reviravolta: os agentes de Inteligência Artificial estão entrando na jogada como um quarto elo nessa corrente – e prometem transformar radicalmente a forma como compramos, pagamos e fazemos negócios.

Na corrida pela vanguarda do comércio agêntico, as operadoras de cartão querem ser mais que apenas “plásticos no bolso” e trabalham para se firmar como a camada invisível onde as “máquinas” vão efetuar transações.

No futuro, um assistente de IA vai comparar preços, escolher a melhor opção e concluir a compra de forma completamente autônoma.

Nos últimos meses, Mastercard, Visa e Elo avançaram nos primeiros passos concretos na disputa para intermediar a nova cadeia.

No entanto, executivos da indústria admitem incerteza sobre o cronograma para retirar o modelo agêntico da fase experimental e torná-lo tão trivial e difundido quanto fazer um Pix.

“Acredito que a autonomia total – do tipo em que você só percebe a compra quando o produto chega à sua casa – ainda vai levar um tempo. Isso se deve a uma questão cultural, à necessidade de construir confiança e aos próprios desafios de segurança”, reconhece o vice-presidente de tecnologia da Elo, Eduardo Merighi.

Quebra de paradigma

Os desafios já começam antes da decisão de compra. Depois da resistência nos primeiros anos do e-commerce, o varejo finalmente conseguiu acostumar o consumidor a seguir etapas muito particulares para obter produtos na internet: entrar em um buscador, encontrar a melhor loja, clicar no botão “comprar”, autorizar a transação e receber o item em casa.

Delegar todo esse processo a um robô exige um rompimento do paradigma cultural que demanda tempo.

Historicamente, grandes mudanças no segmento da adquirência demoram cerca de uma década para atingir escala global, lembra o diretor digital da Mastercard, Pablo Fourez.

A tarja magnética só substituiu de vez o velho “clack-clack” das maquinas manuais em meados dos anos 80, embora a tecnologia tenha sido desenvolvida cerca dez anos antes.

Do chip ao pagamento por aproximação no celular, a dinâmica de adoção foi semelhante.

A era da IA, por outro lado, parece encurtar os prazos. ChatGPT, Gemini e Claude nem existiam há cerca de quatro anos e já transformaram a experiência digital de pessoas e empresas.

No caso da tecnologia agêntica, a velocidade da disseminação deve ficar no meio entre os dois extremos, projeta Fourez.

“As ferramentas estão aprendendo muito rápido e o momento de investir é agora”, argumenta.

Aposta alta

Os esforços das bandeiras nessa frente buscam garantir a manutenção da competitividade em uma economia em transformação.

O comércio por agentes de IA para consumidores (B2C) deve movimentar entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões globalmente até 2030, de acordo com estudo da consultoria McKinsey & Company.

O sucesso do Pix, que ajudou na digitalização dos pagamentos, posiciona o Brasil como um dos mercados mais promissores para a nova tecnologia, avaliam executivos.

Por isso, as principais bandeiras em operação no Brasil têm ampliado investimentos em iniciativas voltadas para a IA.

A Elo, controlada por Banco do Brasil, Bradesco e Caixa Econômica Federal, recentemente expandiu para 5 mil clientes um agente de IA em parceria com a agência de viagens digital Decolar.

A ferramenta realiza toda a jornada de compra de passagens áreas, da busca à transação, e é integrada aos outros canais, como o WhatsApp.

Apenas na etapa de concluir a aquisição, o usuário ainda precisa intervir para dar a palavra final.

As rivais Visa e Mastercard, por sua vez, fizeram os primeiros testes no Brasil de transações em tempo real de pagamentos agênticos, em março.

A Visa trouxe ao País um programa para certificar emissores e credenciadores para a condução de operações feitas por agentes de IA.

Em vez de criar uma rede do zero, a estrutura atualiza sistemas já existentes (como APIS de tokenização e autenticação biométrica) para viabilizar essas transações.

Em junho, a Visa anunciou uma parceria com a OpenAI para habilitar o comércio agêntico, primeiramente nos EUA.

“Ainda não sabemos quando [essa solução] virá para o Brasil, mas estamos nos preparado tecnologicamente para recebê-la”, afirma o diretor-executivo de soluções para pagamentos digitais da Visa, Leandro Garcia.

Já a Mastercard tem concentrado os esforços no chamado Agent Pay, uma infraestrutura que promete trazer segurança, autenticação e confiança ao comércio agêntico.

Para além do foco no consumidor final, a credenciadora estendeu o conceito para automação entre empresas, com o Agent Pay For Machines, que permite que agentes de IA executem pagamentos corporativos de forma autônoma conforme orçamentos pré-definidos.

Na semana passada, a bandeira anunciou ainda uma solução que adapta sites de lojistas para serem lidos por agentes.

*Com informações de André Marinho/Conteúdo Estado

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