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Foto: ParaibaOnline
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O umbuzeiro, árvore símbolo da resistência do povo nordestino, começa a ganhar um novo papel no desenvolvimento econômico do Semiárido.
Em participação na coluna semanal do Instituto Nacional do Semiárido (Insa) no Jornal da Manhã, da Rádio Caturité FM, o pesquisador Renato Dantas destacou o potencial do chamado “umbu gigante” para impulsionar a fruticultura, gerar renda para agricultores familiares e fortalecer a cadeia produtiva da sociobiodiversidade na Paraíba.
Segundo Renato, o umbu faz parte da história alimentar e cultural do Nordeste e representa a capacidade de adaptação às condições extremas da região.
“Além de ser um símbolo de resistência, o umbuzeiro faz parte da história do perfil alimentar do nordestino. É uma planta que resiste às secas prolongadas, perde suas folhas e rapidamente se recupera, representando a força do povo do Semiárido”, afirmou.
Embora o aproveitamento do fruto seja secular, o pesquisador explica que sua exploração comercial ainda é recente.
Durante muitos anos, predominou o extrativismo, com baixo valor agregado. Nos últimos anos, no entanto, o desenvolvimento de variedades com maior quantidade de polpa abriu espaço para a industrialização e diversificação dos produtos derivados do umbu.
A Paraíba também vem acompanhando esse crescimento. De acordo com Renato Dantas, dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que o volume comercializado do fruto no estado cresceu mais de 200% nos últimos anos, impulsionado pelo interesse de produtores e pesquisadores.
Municípios como Soledade e Juazeirinho já se destacam na produção.
O pesquisador destacou que o Insa pretende assumir um papel estratégico na organização dessa cadeia produtiva, oferecendo suporte técnico aos agricultores e garantindo maior segurança na introdução de novas variedades.
“O Instituto Nacional do Semiárido é a casa do Semiárido. Precisamos dar suporte ao produtor que deseja plantar umbu, garantindo materiais com qualidade genética e sanitária, evitando riscos para a produção no estado”, explicou.
Renato também ressaltou que o Semiárido reúne condições naturais ideais para o cultivo do umbuzeiro. A planta exige pouca água graças à capacidade de armazenar grandes volumes em seu xilopódio — conhecido popularmente como “batata do umbuzeiro” — podendo acumular mais de mil litros de água em exemplares adultos.
Outro diferencial está na produção. Enquanto mudas originadas diretamente da semente podem levar até dez anos para frutificar, as mudas enxertadas começam a produzir em aproximadamente três anos, tornando o cultivo mais atrativo para os agricultores.
Para o pesquisador, o maior desafio agora é fortalecer a agroindustrialização e o cooperativismo. Segundo ele, o umbu pode ser transformado em polpas, doces, geleias, cervejas e diversos outros produtos com alto valor agregado, ampliando as oportunidades de mercado.
“O potencial é gigantesco, mas precisa ser organizado. O agricultor precisa enxergar valor no fruto e contar com cooperativas e agroindústrias capazes de transformar essa produção em renda”, ressaltou.
Renato Dantas informou ainda que o Insa trabalha para ampliar a produção e distribuição de mudas nos próximos semestres, contribuindo para a expansão da cultura no estado.
Além da importância econômica, ele reforçou o valor afetivo do umbuzeiro para as famílias do Semiárido.
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