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Governo registra déficit primário em maio

Agência Brasil
Publicado em 29 de junho de 2026 às 17:37

cedulas real

Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil/Arquivo

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As contas do Governo Central registraram déficit primário de R$ 53,3 bilhões em maio de 2026, informou o Tesouro Nacional nesta segunda-feira (29). O resultado considera as contas do Tesouro Nacional, da Previdência Social e do Banco Central e representa o pior desempenho para o mês desde 2024, em valores corrigidos pela inflação.

O déficit primário ocorre quando as despesas do governo superam as receitas, sem considerar os gastos com juros da dívida pública.

Em maio de 2025, o resultado negativo havia sido de R$ 40,2 bilhões. A piora ocorreu porque os gastos cresceram em ritmo superior ao da arrecadação.

Em maio, o déficit foi de R$ 53,3 bilhões. A receita líquida somou R$ 198 bilhões, enquanto as despesas alcançaram R$ 251,2 bilhões. Em relação ao mesmo mês do ano passado, as despesas tiveram alta real de 9,4%, enquanto as receitas cresceram 5,5%, já descontada a inflação. No acumulado de 12 meses, o déficit chegou a R$ 142,3 bilhões, o equivalente a 1,06% do Produto Interno Bruto (PIB).

O aumento das despesas foi o principal fator para o resultado negativo. Segundo o Tesouro Nacional, os gastos cresceram mais rapidamente que a arrecadação, impulsionados principalmente pelas despesas discricionárias, que incluem o custeio da máquina pública e investimentos.

Entre os destaques estão o aumento real de R$ 16,7 bilhões nas despesas discricionárias, alta de 73,9% nos investimentos, crescimento de 19,7% no custeio administrativo e aumento de R$ 4,9 bilhões nos benefícios previdenciários.

Apesar do déficit, a arrecadação federal apresentou desempenho positivo em maio. As receitas com impostos e contribuições somaram R$ 266,8 bilhões, o maior resultado para meses de maio desde 2000, segundo a Receita Federal.

As maiores altas foram registradas na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), que cresceu 36,7%; no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), com avanço de 30,4%; e nos royalties e participações do petróleo, que aumentaram 84,5%.

Por outro lado, houve queda nos dividendos recebidos de empresas estatais. Em maio, o governo arrecadou R$ 2,3 bilhões nessa rubrica, contra R$ 9,6 bilhões no mesmo período de 2025.

O pagamento de precatórios — dívidas do governo decorrentes de decisões judiciais definitivas — também influenciou o resultado. No ano passado, esses débitos foram quitados em maio, enquanto, em 2025, o pagamento ocorreu em junho.

Segundo o Tesouro, essa mudança impactou principalmente os benefícios previdenciários, que tiveram alta de R$ 42,7 bilhões; as despesas com pessoal e encargos sociais, que cresceram R$ 19,2 bilhões; e as sentenças judiciais de custeio e investimentos, que aumentaram R$ 35,4 bilhões.

As emendas parlamentares também aceleraram. O Orçamento de 2026 prevê R$ 49,9 bilhões em emendas, dos quais R$ 37,8 bilhões são de execução obrigatória.

No acumulado de janeiro a maio, o Governo Central registrou déficit de R$ 44,4 bilhões. No mesmo período de 2025, havia sido registrado superávit de R$ 32,9 bilhões.

Descontada a inflação, esse é o maior déficit para os cinco primeiros meses do ano desde 2020, início da pandemia de covid-19.

No período, a receita líquida acumulada chegou a R$ 1,059 trilhão, enquanto as despesas totalizaram R$ 1,104 trilhão.

Para 2026, a meta fiscal prevê superávit primário de aproximadamente R$ 34,3 bilhões, com margem de tolerância que permite resultado até zero. Considerando as exceções previstas em lei para determinadas despesas, como os precatórios, a estimativa atual do governo é encerrar o ano com déficit de cerca de R$ 60,3 bilhões.

O secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, afirmou que o resultado está dentro das expectativas do governo e que não compromete a previsão fiscal para 2026. Segundo o Tesouro, a diferença entre receitas e despesas continua sendo o principal desafio para o equilíbrio das contas públicas neste ano.

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