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Economia
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo
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O custo dos combustíveis no Brasil reflete o impacto direto da escalada das tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Dados recentes do Ministério de Minas e Energia (MME) revelam que, além da alta do petróleo, o setor de distribuição e revenda aproveitou o cenário para ampliar suas margens de operação desde o início do ano.
O aumento das margens ganhou força em meio ao sobe e desce das cotações internacionais do óleo e de medidas adotadas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – como subsídios e redução de impostos – para tentar conter a disparada dos preços do diesel e da gasolina neste ano eleitoral.
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A diferença entre o valor que os postos e distribuidoras pagam para comprar o combustível e o preço de revenda dele aumentou quase 28% desde o começo de janeiro, enquanto a do diesel S-10, comumente utilizado pela frota mais nova de caminhões, subiu mais de 17%.
O maior aumento de margem, porém, de mais de 103% no período, concentrou-se na venda do chamado diesel S-500, amplamente utilizado em veículos fabricados antes de 2012.
O economista Eric Gil Dantas, do IBGE (Instituto Brasileiro de Estudos e Pesquisas Sociais), destaca que não é de hoje que postos e distribuidoras têm elevado suas margens.
Desde janeiro de 2021, a margem para o diesel S-500 aumentou 302%; para o S-10, 115%; e para a gasolina, 90%. Segundo o IBGE, a inflação acumulada no período é de 35%.
“É algo que já vem ocorrendo, mas o movimento ganhou força em meio à confusão gerada pela guerra”, afirma Dantas.
“Quando há tensão e conversas sobre possível desabastecimento [como chegou a ocorrer no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina], o preço final perde relevância para o consumidor, que acaba aceitando valores maiores para não ficar sem o combustível.”
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Por outro lado, o representante de uma das maiores distribuidoras do país, que preferiu não se identificar, afirma que não há “oportunismo” do setor. Segundo ele, as margens têm aumentado pressionadas pela elevação de custos.
Como exemplo, citou reajustes salariais e o aumento dos fretes pagos aos caminhoneiros e o atual momento de escoamento da safra, que teria deixado os motoristas em posição de cobrar além do tabelamento.
Ele afirma que o governo está num “beco sem saída” e que, ao acusar distribuidoras e postos de abusos, quer “tirar o foco do problema”. Sua estimativa é de que os preços do diesel e da gasolina praticados pela Petrobras estejam defasados em R$ 2,70 e R$ 1,60, respectivamente, e que estão sendo represados para conter danos político-eleitorais.
A disparada dos preços e das margens preocupa o Planalto, pois ameaça neutralizar o pacote de alívio anunciado por Lula.
Recentemente, o governo zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel e instituiu uma subvenção a produtores e importadores, medidas que somam uma redução teórica de R$ 0,64 por litro na bomba.
O fato é que o governo acionou a ANP para coibir o que classifica como “práticas abusivas e especulativas”.
Uma força-tarefa nacional, realizada entre 16 e 20 de março, fiscalizou 154 agentes econômicos em 12 unidades da Federação. A operação resultou na autuação de 11 estabelecimentos por indícios de preços abusivos e nove interdições por irregularidades diversas.
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A ação baseia-se na Medida Provisória nº 1.340, que conferiu novos poderes fiscalizatórios à agência para enfrentar o armazenamento injustificado de combustível e aumentos sem lastro técnico.
Sob as novas regras, empresas que confirmarem a prática de preços abusivos após processo administrativo podem enfrentar multas que variam de R$ 50 mil a R$ 500 milhões, dependendo da gravidade e do porte do infrator.
A Vibra Energia, antiga BR Distribuidora e com participação de 22% no mercado, foi autuada pela ANP após elevar o preço do diesel em cerca de R$ 1,06 por litro, enquanto seu custo subiu apenas R$ 0,03 entre fevereiro e março, segundo reportagem da Folha.
A diferença, de cerca de 35 vezes, foi considerada indício de prática abusiva.
Em nota, a Vibra afirmou que “os preços no setor de combustíveis são resultado de uma dinâmica influenciada por múltiplos fatores, como diferentes fontes de suprimento, incluindo importações, custos logísticos, variações cambiais e condições regionais, em um ambiente de livre concorrência”.
*Com informações de Fernando Canzian/Folhapress
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