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Economia
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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O Copom (Comitê de Política Monetária) manteve inalterada nesta quarta-feira (28) a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano pela quinta reunião seguida.
No mercado financeiro, a expectativa majoritária dos economistas era de manutenção dos juros no atual patamar.
Levantamento feito pela Bloomberg mostrava que, entre 35 instituições consultadas, 32 projetavam que a Selic ficaria em 15% ao ano.
Nas últimas semanas, grandes bancos revisaram seus cenários e passaram a apostar em cortes a partir de março. Já uma parcela minoritária dos agentes continuou esperando que o ciclo de flexibilização da taxa básica ocorresse já na reunião inaugural do ano.
O encontro desta quarta teve quórum reduzido, uma vez que ainda não foram anunciados pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) os substitutos dos diretores Diogo Guillen (Política Econômica) e Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro e de Resolução), cujos mandatos terminaram em 31 de dezembro de 2025.
A decisão do Copom sustentou o atual diferencial entre os juros do Brasil e dos Estados Unidos. Mais cedo, o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) interrompeu o ciclo de cortes, apesar da pressão do presidente Donald Trump, e manteve as taxas estáveis na faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano.
No Brasil, o colegiado do BC optou mais uma vez por uma decisão conservadora, apesar da pressão do governo Lula e dos setores produtivos pela queda dos juros.
A Selic ficou estacionada ao longo de todo o segundo semestre do ano passado, depois de um ciclo de alta que durou de setembro de 2024 a junho de 2025. Ao longo dessa trajetória, a taxa básica acumulou elevação de 4,5 pontos percentuais, subindo de 10,5% para 15% ao ano -patamar mais alto desde julho de 2006.
Como reflexo do cenário de juros elevados por período prolongado, a inflação perdeu força em 2025 e fechou o acumulado do ano em 4,26%, abaixo do teto da meta perseguida pelo BC. Foi o menor índice para um ano fechado desde 2018, quando o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumulou variação de 3,75%.
O alvo central do BC é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. No atual modelo, de meta contínua, o objetivo é considerado descumprido quando a inflação acumulada permanece durante seis meses seguidos fora do intervalo, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto).
Devido aos efeitos defasados da política de juros sobre a economia, o Copom já trabalha com a inflação do terceiro trimestre de 2027 na mira. Nesse horizonte de tempo, contudo, as expectativas para inflação estacionaram longe do centro da meta.
Segundo os dados coletados pelo boletim Focus, divulgado na última segunda (26), os analistas projetam que o IPCA feche 2027 em 3,8% e termine 2028 em 3,5%. Ambas as projeções não sofreram alteração nas últimas 12 semanas.
São apontados pelos economistas como motivo de cautela o ambiente de incerteza na política doméstica, de volatilidade do cenário global e de resiliência da atividade econômica. A taxa de desemprego do Brasil ficou em 5,2% no trimestre encerrado em novembro, renovando a mínima da série histórica iniciada em 2012.
O Copom volta a se reunir nos dias 17 e 18 de março, no segundo dos oito encontros previstos para o ano.
*NATHALIA GARCIA/folhapress
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