Economia

Vorcaro diz à PF não saber quais créditos do Master eram bons ao negar esquema

Da Redação*
Publicado em 25 de janeiro de 2026 às 9:46

daniel vorcaro

Foto: Banco Master

Continua depois da publicidade

Continue lendo

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, negou à Polícia Federal ter fraudado carteiras de crédito no valor de R$ 12,2 bilhões vendidas ao BRB (Banco de Brasília) e afirmou que não sabia quais créditos eram bons ou ruins.

As carteiras haviam sido adquiridas pelo Master da consultoria Tirreno e teriam origem em operações de empréstimo consignado firmadas por meio de associações de servidores públicos da Bahia.

Investigações do Banco Central, do MPF (Ministério Público Federal) e da PF apontaram indícios de que os créditos haviam sido forjados e foram utilizados para inflar o balanço do banco de Vorcaro, que repassou a carteira ao BRB num momento em que a instituição enfrentava dificuldades de liquidez.

Segundo os investigadores, as carteiras de crédito teriam envolvido CPFs de diversas localidades, e não foram encontradas movimentações financeiras compatíveis com as operações nas associações de servidores.

“Eu não sei quais créditos são bons ou são ruins, têm documentos ou não. Eu não tenho como saber que não foi o banco que originou. E o negócio não foi realizado, afinal. Então, não existiu ação criminosa minha em nenhum momento e nem do banco”, disse Vorcaro à PF.

Banco Will entra em liquidação: entenda o que muda para clientes e investimentos

A declaração foi dada em depoimento concedido em 30 de dezembro, no STF (Supremo Tribunal Federal), e precedeu uma acareação entre Vorcaro e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. A investigação é conduzida na corte pelo ministro Dias Toffoli.

O dono do Master afirmou que recebeu uma comunicação do BC em março pedindo detalhes da origem dos créditos, e em abril o banco estava “cobrando e pressionando” o parceiro para que ele apresentasse a documentação.

“Não existia uma determinação ou não existia um entendimento de que havia um problema real com as carteiras. Existia uma cobrança nossa para que a gente tivesse a documentação toda feita”, disse.

“No momento em que a gente entendeu, eu acredito que foi ali em maio, que a gente entendeu com o BRB que realmente estavam faltando documentos e a gente não conseguia essa documentação completa por parte da Tirreno, aí sim a gente assina um contrato naquele momento para poder fazer o desfazimento [da operação], e a partir daí a gente não tem mais nenhuma negociação com a Tirreno”, afirmou.

Outra instituição bancária tem a sua liquidação decretada pelo Banco Central

Em outro trecho do depoimento, Vorcaro disse que a documentação da Tirreno “foi chegando em partes ao longo do tempo”, mas alegou não dominar os detalhes da operação.

“Para ser sincero, quando a gente fez o negócio, eu, pessoalmente, não dominava detalhes de operação de crédito consignado. Depois vinha a entender quando teve o problema. Mas acredito que a gente agiu com muito zelo.

Primeiro, quando a gente executou o contrato, a gente não liberou nenhum e não classificou como venda ou como uma compra e venda normal, até a gente ter a convicção de que tinha 100% da documentação. Então, nos precavemos documentalmente, nos precavemos financeiramente, porque a gente não liberou os recursos”, afirmou.

Segundo o ex-banqueiro, o Master nunca chegou a pagar efetivamente a Tirreno, uma vez que o dinheiro que seria pago à consultoria ficou numa conta “escrow”, um tipo de conta de garantia em que os recursos só são liberados quando as partes da transação cumprem o acordo.

No entanto, quando perguntado de onde, então, vieram as carteiras vendidas ao BRB por R$ 12,2 bilhões, Vorcaro disse não ter essa informação, uma vez que a transação não foi concluída. Ele ainda discordou dos investigadores quando eles questionaram se as carteiras foram criadas artificialmente.

“Não concordo. Volto a dizer, eu não sei dessas operações. A gente não aprofundou as operações na ponta, quantas delas eram boas, quantas estavam com documentação que não foi enviada. A gente não aprofundou porque a transação final não foi realizada. Como foi dito anteriormente, foi realizada com outros ativos da transação com o BRB, não esse. Então, eu não posso dizer que a transação ou as carteiras eram falsas. Eu não posso afirmar. O que eu posso afirmar é que a transação não existiu. Não existiu nem em pagamento para a Tirreno, nem na venda para o BRB”, afirmou.

Fundo Garantidor começa a ressarcir clientes do grupo Master

A PF ouve nas próximas segunda (26) e terça-feira (27) outros oito investigados na Operação Compliance Zero. Toffoli afirmou que os depoimentos são necessários “para o sucesso das investigações” e “como medida de proteção ao sistema financeiro nacional”.

* IDIANA TOMAZELLI (FOLHAPRESS)

Valorize o jornalismo profissional e compartilhe informação de qualidade!

ParaibaOnline

© 2003 - 2026 - ParaibaOnline - Rainha Publicidade e Propaganda Ltda - Todos os direitos reservados.

ParaibaOnline | Notícias de João Pessoa e Campina Grande Sra. Caixas | Caixas de papelão em Campina Grande Eticar Baterias | Baterias para Carros e Motos em Campina Grande e João Pessoa Sindilojas Campina Grande Sincopeças Paraíba Edmaq Equipamentos | Equipamentos paras Bares e Restaurantes em Campina Grande VLD DIstribuidora e Varejista de Peças para Caminhões Volvo na Paraíba Voldiesel Paraíba | Truck Center especializo em Caminhões Volvo na Paraíba Stancanelli Transportes | Transportadora de Cargas de São Paulo para toda a Paraíba