Economia

Sorda: tradição nordestina que atravessa gerações e fortalece a panificação regional

Da Redação
Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 11:47

antonio rodrigues da silva

Foto: ParaibaOnline

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*Vídeo: ParaibaOnline

A culinária nordestina é marcada por sabores intensos e histórias que atravessam gerações. Na coluna “Do Grão ao Pão”, exibida no Jornal da Manhã, um desses alimentos ganhou destaque especial: a sorda, iguaria típica que carrega identidade, memória e tradição.

Durante o programa, o colunista e panificador Norival Monteiro compartilhou com os ouvintes uma verdadeira imersão na história da sorda, alimento que desperta curiosidade até mesmo entre profissionais experientes da panificação. “Apesar dos anos de atuação como padeiro, confesso que não conhecia a fundo o processo de produção da sorda. Por isso, fui buscar conhecimento diretamente com quem domina essa arte”, relatou.

A experiência incluiu uma visita a uma fábrica referência em Campina Grande, onde foi possível conhecer de perto a história da família Mari Lima e o trabalho desenvolvido por Antônio Rodrigues da Silva (foto), um dos nomes ligados à produção da sorda na região. A vivência revelou não apenas técnicas produtivas, mas também a força cultural desse alimento.

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Com mais de 30 anos de atuação no setor da panificação, o convidado da coluna, Vando, destacou sua trajetória ligada à venda de farinha, manutenção de máquinas e consultorias em empresas do ramo, além de sua atuação como diretor sindical. Ele também fez questão de enviar uma saudação à esposa, Marinês, proprietária da Pães e Companhia, e aos padeiros que atuam diariamente no fortalecimento do setor.

Um dos pontos mais curiosos abordados foi a origem da sorda preta. Diferente do que muitos acreditam, pesquisas indicam que o alimento não tem raízes europeias. Um estudo acadêmico em nutrição, realizado por um pesquisador paraibano na Universidade do Pará, aponta que a sorda surgiu a partir da cultura dos tropeiros, especialmente durante os ciclos do algodão e do agave, nas décadas de 1920 e 1930.

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Campina Grande, nesse contexto, tornou-se ponto de encontro desses comerciantes, onde além de mercadorias, receitas eram trocadas entre famílias. “As esposas dos tropeiros compartilhavam modos de preparo, misturando influências de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba e do Sertão. Assim nasceu a sorda preta”, explicou.

Atualmente, Paraíba e Pernambuco disputam a autoria da receita, enquanto no Ceará o alimento é menos difundido. A maior indústria de sorda preta do Nordeste está localizada na Paraíba, pertencente à Perilima, do empresário Pedro. Outras marcas, como a Campinense, de Zé Newton, e a Marilima, também se destacam no cenário regional.

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