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Foto: ParaibaOnline/Arquivo
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*Vídeo: ParaibaOnline
Na primeira edição de 2026 da coluna Do Grão ao Pão, exibida na Rádio Caturité FM, o colunista Norival Monteiro levou os ouvintes a uma verdadeira viagem pela história, origem e processo de fabricação da tradicional bolacha sete capas, um dos produtos mais presentes nas padarias da região.
Ao iniciar o tema, Norival explicou as diferentes nomenclaturas utilizadas para o produto e como elas se consolidaram no uso popular.
“Daremos início ao nosso tema principal: o biscoito ou bolacha sete capas. Utilizo ambas as nomenclaturas, e é pertinente observar que, no uso cotidiano, ‘biscoito’ tende a se associar a produtos doces, enquanto ‘bolacha’ se relaciona aos salgados. Atualmente, a sete capas se enquadra em ambas as categorias, devido à evolução da receita, com opções doces e a tradicional salgada”, destacou.
Origem europeia e adaptação regional
Durante a coluna, Norival Monteiro explicou que a bolacha sete capas tem origem europeia e chegou ao Brasil ainda no período colonial, sendo adaptada aos ingredientes e costumes locais.
“Essa iguaria é uma herança europeia, originária do Velho Continente, que foi aprimorada e adaptada à nossa região, resultando em uma bolacha tradicional e muito apreciada, com presença constante nas padarias”, afirmou.
Segundo o colunista, a receita tem relação direta com massas folhadas da culinária francesa, como o mil-folhas e o croissant, inicialmente em versão salgada.
Processo de fabricação e papel do amido
Ao detalhar o processo de fabricação, Norival fez um alerta aos profissionais da panificação sobre a importância da organização do setor.
“Antes de detalhar o processo, gostaria de enfatizar aos panificadores a importância de buscar o Sindipan-CG, filiado à Federação das Indústrias, e formalizar sua participação, buscando o aprimoramento contínuo de seus negócios”, pontuou.
Sobre a composição da bolacha sete capas, ele explicou que os ingredientes básicos são farinha, sal, manteiga e amido de milho.
“Diante da ausência de conservantes eficazes à época, o amido de milho foi incorporado para prolongar a vida útil do produto, garantindo sua integridade durante as viagens”, explicou.
A chamada “farofa”, mistura de amido de milho e gordura, tem papel fundamental no resultado final.
“O amido e a margarina criam uma camada impermeável que impede a união das camadas durante as dobras da massa, formando as famosas ‘sete capas’, que na realidade são muitas mais”, detalhou.
Variações e sucesso comercial
Norival Monteiro também destacou as variações da receita ao longo do tempo, como o uso da banha de porco no passado, a substituição pela manteiga e, posteriormente, pela margarina, além da adição do leite de coco no Nordeste para realçar o sabor. Algumas versões ainda incluem ovos na massa.
Com base em sua experiência profissional, o colunista revelou que a versão doce da bolacha sete capas acabou conquistando maior aceitação no mercado. “Houve muitas adaptações na receita ao longo do tempo. Na minha experiência como gerente em uma fábrica de bolacha em Campina Grande, a versão adocicada se tornou a mais popular”, relatou.
Ele finalizou destacando que o açúcar não compromete a textura do produto. “A versão adocicada superou a salgada em termos de aceitação comercial. O açúcar, surpreendentemente, não comprometeu a crocância e ainda aprimorou o sabor”, concluiu.
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