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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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O Copom (Comitê de Política Monetária) manteve nesta quarta-feira (4) a taxa básica de juros inalterada em 13,75% ao ano e interrompeu o ciclo de cortes da Selic frente à turbulência nos mercados, na primeira reunião após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ao justificar a decisão, o colegiado do Banco Central mencionou o aumento significativo das incertezas em relação a suas próprias projeções, a elevação das expectativas de inflação e a desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada.
Para o comitê, esse é um cenário desafiador para a política de juros, o que requer “cautela” e “serenidade” em sua atuação.
A decisão do Copom foi unânime e veio em linha com a expectativa da maioria dos economistas.
A aposta pelo fim do ciclo de queda da Selic ganhou força na última semana após a piora no cenário econômico doméstico.
Às vésperas do encontro, 24 analistas consultados pela agência Bloomberg apostavam na manutenção dos juros e 5 projetavam novo corte de 0,25 ponto percentual, o sexto seguido.
“O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário, para manter a restrição adequada de forma a assegurar a convergência da inflação à meta”, disse.
Com a credibilidade do BC na berlinda, essa reunião do Copom era vista pelos agentes econômicos como a mais delicada sob a gestão de Gabriel Galípolo, que assumiu o comando da autoridade monetária em janeiro de 2025.
A queda acumulada no processo de flexibilização da Selic, iniciado em março, foi de 1,25 ponto percentual.
Ao todo, foram cinco cortes consecutivos de igual intensidade, 0,25 ponto percentual, depois de a taxa básica ter ficado durante nove meses parada em 15% ao ano.
A pausa no ciclo de queda ocorre agora com os juros no menor nível desde março de 2025, quando estavam estacionados em 13,25% ao ano.
O controle da inflação se tornou mais desafiador para o BC desde o último encontro do Copom, em setembro, com a piora no ambiente doméstico.
A incerteza sobre o rumo da política fiscal no governo Lula 4 é um dos principais riscos no radar dos economistas, que temem também a indicação de nomes heterodoxos para as vagas desocupadas no BC.
Pesa também a elevação dos prêmios de risco -rentabilidade adicional exigida pelos investidores para aplicar dinheiro no Brasil-, com estresse nos juros futuros, e a depreciação da taxa de câmbio, com a maior alta semanal do dólar em 18 anos.
Em setembro, a cotação da moeda americana usada pelo Copom em seus cálculos para projeção de inflação foi de R$ 5,15.
Sem ajuda do cenário externo -também desfavorável, com alta dos preços de petróleo-, as expectativas de inflação para os próximos anos se distanciaram ainda mais da meta.
Conforme os dados do boletim Focus, o primeiro coletado após o resultado eleitoral, as projeções dos economistas para o IPCA de 2027 e 2028 chegaram a 4,76% (acima do teto) e 4%, respectivamente.
Devido aos efeitos defasados da política de juros sobre a economia, o BC toma suas decisões tendo na mira o segundo trimestre de 2028.
O alvo central do BC é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
No atual modelo de meta contínua, o objetivo é considerado descumprido pela autoridade monetária quando a inflação acumulada permanece durante seis meses seguidos fora desse intervalo, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto).
No acumulado de 12 meses até setembro, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acelerou a 4,58%, rompendo o teto da meta de inflação perseguida pelo BC.
A projeção mediana no Focus para este ano é de 5,22%.
O Copom volta a se reunir nos dias 8 e 9 de dezembro, no último encontro do ano.
Sete das oito reuniões de 2026 tiveram quórum reduzido, com desfalque de dois diretores.
*com informações folhapress
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