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Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
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Novas revelações apontam que Daniel Vorcaro, do Banco Master, destinou R$ 61 milhões para a produção do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro (PL).
Segundo informações do The Intercept Brasil, áudios mostram ainda o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicitando aportes financeiros adicionais ao banqueiro.
A autenticidade das mensagens já foi confirmada por pessoas ligadas às investigações.
Em nota, Flávio confirmou ter pedido dinheiro a Vorcaro para o filme, mas negou ter recebido ou oferecido vantagens.
“É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público”, afirmou.
“Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, disse Flávio, acrescentando ainda ser a favor da CPI do Master.
Conforme revelado pelo Intercept, Flávio afirmou em mensagem enviada em 8 de setembro do ano passado: “Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. E tem muita parcela para trás, e está todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou pro filme, né?”.
“Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos do cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim”, acrescentou o senador na ocasião. Jim Cazaviel vive Jair Bolsonaro no filme. Cyrus Nowrasteh é o diretor da película.
As mensagens foram enviadas cinco dias depois de o Banco Central vetar a compra do Master pelo BRB (Banco Regional de Brasília).
A liquidação só viria em novembro, junto com a primeira prisão de Vorcaro, ocorrida em 17 de novembro.
No dia 16 de novembro, segundo o Intercept, Flávio teria enviado outra mensagem para Vorcaro dizendo: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.
Nos meses entre o veto à venda ao BRB e a liquidação pelo BC, Vorcaro tentava viabilizar uma forma de vender o Banco Master.
A publicação afirma que o valor total negociado entre Vorcaro e a família Bolsonaro era de R$ 134 milhões, mas não há evidências de que todo o dinheiro teria sido repassado.
Um pedaço do montante teria sido transferido de uma empresa chamada Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos. Esse fundo seria controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive no país.
A Entre pertence ao empresário Antonio Carlos Freixo Junior, que é próximo de Vorcaro e foi alvo da PF em janeiro deste ano.
Depois disso, em 27 de março, o Banco Central decretou a liquidação da Entrepay, empresa do grupo.
Dados obtidos pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mostram que o Master repassou R$ 2,3 milhões para a Entre em 2025.
Ao todo, foram R$ 7,7 milhões entre 2023 e o ano passado, com a maior quantia paga em 2024 (R$4,2 milhões).
A Entrepay foi sócia de Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro no Banco Master, até o fim de 2025 em uma outra empresa, chamada Consiglog, que atua no segmento de crédito consignado para servidores do governo baiano. Lima participa do quadro de sócios da Consiglog via uma outra companhia, a Kontrollpunkt.
A Kontrolpunkt pertence ao fundo Quality Golden Service, que está na teia de fundos fraudulentos do Banco Master.
O Quality Golden Service tem ações de outras empresas ligadas a Augusto Lima, como a Moussaief Red, que opera o cartão do Programa Credcesta.
O programa surgiu a partir da privatização da Ebal, a estatal responsável pela rede de supermercados Cesta do Povo, que operava com um cartão de compras, e é o embrião da operação de consignados por trás do crescimento do Master.
Questionado sobre a ligação, o Grupo Entre disse no início de fevereiro deste ano que “não possui qualquer vínculo societário com Daniel Vorcaro ou Banco Master”.
*com informações de Lucas marchesini e Thaísa oliveira/folhapress
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