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Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil
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A percepção dos brasileiros sobre a cúpula do Poder Judiciário atingiu um ponto crítico.
De acordo com o mais recente levantamento do Datafolha, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Judiciário como um todo enfrentam seu pior momento de imagem pública, registrando índices de desconfiança que acendem o alerta em Brasília.
Nos últimos meses, tem havido uma combinação de decisões controversas da Justiça, questionamentos éticos no STF e sobre a manutenção de privilégios financeiros conhecidos como penduricalhos.
Segundo o levantamento, o índice de brasileiros que não confiam no Supremo chegou a 43%, maior taxa registrada desde o início da série, em 2012.
Esse número era de 38% na pesquisa anterior, em dezembro de 2024 -desde então, os que confiam muito na corte caíram de 24% para 16%.
O menor índice numérico de brasileiros que confiam muito no STF foi registrado em junho de 2018 (14%), um empate com a situação atual, considerando a margem de erro.
Naquela época, porém, os que diziam não confiar no tribunal eram 39%, sendo que 43% diziam confiar um pouco na corte.
O cenário não é diferente para o Poder Judiciário como um todo.
A parcela da população que declara não confiar na Justiça saltou de 28% para 36%, também o maior índice da série (que, neste caso, é desde 2017).
Em relação ao STF, o crescimento na desconfiança é acompanhado por uma piora na avaliação do trabalho dos ministros: apenas 23% da população avaliam o desempenho da corte como ótimo ou bom, uma queda significativa em relação aos 32% registrados em dezembro.
Em contrapartida, a avaliação ruim ou péssima subiu de 35% para 39%.
O Datafolha entrevistou 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 137 municípios pelo Brasil, de 3 a 5 de março.
A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-03715/2026.
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A insatisfação com o Supremo é particularmente alta entre os homens (46%), pessoas com alta escolaridade (45%) e brasileiros com renda superior a 10 salários mínimos, grupo no qual a reprovação ao tribunal atinge 65%.
Entre as principais causas para o desgaste do STF em 2026 pode estar o caso Master, que envolve relações suspeitas entre ministros do Supremo e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco.
O episódio atingiu diretamente os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.
O primeiro, que era o relator de um inquérito sobre o Master e havia imposto sigilo total ao caso, deixou a relatoria a pedido após a Polícia Federal identificar que fundos ligados ao banco compraram participação de uma empresa de sua família em um resort de luxo.
Já Moraes viu-se envolvido após perícias da PF revelarem diálogos com Vorcaro por meio de mensagens.
Embora isso tenha vindo a público após a realização da pesquisa Datafolha, sabia-se antes que a esposa de Moraes possui um contrato bilionário de prestação de serviços advocatícios com o Master, o que gerou questionamentos sobre a imparcialidade do magistrado.
A percepção pública de falta de limites éticos é corroborada pelos dados do Datafolha sobre a conduta dos ministros do STF.
A pesquisa aponta que a maioria da população defende restrições severas à atuação dos magistrados: 79% discordam que um ministro julgue causas que envolvam clientes de seus parentes; 78% são contra ministros serem sócios de empresas; e 76% rejeitam o recebimento de pagamentos por palestras organizadas por instituições privadas, por exemplo.
Mas a criação de um código de ética formal no STF enfrenta severas resistências internas.
Atualmente, a corte se divide entre um grupo que vê o código como uma espécie de salvação para a imagem institucional e outro que considera as regras uma restrição excessiva.
Penduricalhos
No caso do Judiciário, um ponto de forte desgaste pode ser a persistência dos penduricalhos -auxílios e bônus que permitem a juízes e integrantes do Ministério Público contornar o teto constitucional de R$ 46.366,19. Muitos juízes conseguem com isso remunerações líquidas superiores a R$ 100 mil mensais.
Para combater os penduricalhos, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) tem intensificado o monitoramento de folhas de pagamento para barrar benefícios criados sem base legal por tribunais estaduais.
No STF, o debate foca em definir que toda verba de natureza salarial deve obrigatoriamente respeitar o teto constitucional, evitando manobras que inflam os rendimentos. Até agora, no entanto, a agenda tem avançado pouco.
*Com informações de Fernando Canzian/Folhapress
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