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*Vídeo: ParaibaOnline
A transposição do Rio São Francisco é fundamental para a segurança hídrica do Nordeste, mas também provoca impactos ambientais que precisam ser acompanhados de forma contínua. O alerta é do diretor do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), Etham Barbosa, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Caturité FM.
Segundo ele, é consenso que qualquer intervenção na natureza gera impactos.
“A instalação de uma torre, de uma placa ou a construção de um canal acarreta impactos. Por isso a legislação exige Relatórios de Impacto Ambiental”, destacou.
O projeto começou a ser estruturado ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso e foi concretizado no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Os estudos ambientais iniciais, realizados na década de 1990, indicavam melhorias na qualidade da água para regiões como Boqueirão, que enfrentou até 2017 uma das mais graves crises hídricas da história recente, com quase mil dias de racionamento.
Etham ressaltou que, além de garantir segurança hídrica, a transposição impulsiona o desenvolvimento econômico em polos como Petrolina e Juazeiro e fortalece políticas públicas em estados como o Ceará. No entanto, ele enfatiza que os impactos ambientais precisam ser constantemente avaliados.
Estudos apontam mudanças na biodiversidade aquática em Boqueirão, com registro de novas espécies de peixes e micro-organismos oriundos de outras bacias hidrográficas, além de alterações no pH e na composição físico-química da água, especialmente durante a estação seca, quando o abastecimento é majoritariamente proveniente do São Francisco.
Uma das principais ameaças é o mexilhão-dourado, espécie invasora originária da China, que já provocou danos significativos na Usina Hidrelétrica de Itaipu, afetando turbinas e sistemas de captação. Sem predadores naturais, o molusco pode comprometer ecossistemas e estruturas hídricas.
O Insa, em parceria com pesquisadores e programas de monitoramento ecológico, realiza estudos para acompanhar a expansão dessas espécies e os efeitos da integração de bacias.
Para Etham Barbosa, o desafio é equilibrar desenvolvimento e responsabilidade ambiental.
“A transposição é estratégica para o Nordeste, mas precisa ser acompanhada de ciência, monitoramento e políticas públicas que garantam sustentabilidade a longo prazo”, concluiu.
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