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Benedito Antonio Luciano

Benedito Antonio Luciano

Professor Titular aposentado do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

Transformadores de grande potência

Por Benedito Antonio Luciano
Publicado em 2 de abril de 2025 às 8:45

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A motivação para escrever este texto surgiu após assistir a algumas reportagens na TV e ler algumas matérias publicadas em mídias digitais sobre a logística complexa do transporte rodoviário de um transformador de 250 toneladas, entre o porto de Suape, em Pernambuco, e o município de Nova Palmeira, na Paraíba, iniciado no dia 15 de março de 2025.

Nos sistemas elétricos atuais, transformadores desse porte, conhecidos como transformadores de força ou transformadores de potência, são utilizados para elevar os níveis de tensão oriundos das usinas hidrelétricas, termelétricas ou eólicas, de 12 kV a 25 kV, por exemplo, para níveis iguais ou superiores a 230 kV utilizados em linhas de transmissão. A unidade de tensão elétrica é expressa em volts (V), e o kV é equivalente a mil volts.

Esses níveis elevados de tensões permitem que grandes quantidades de energia elétrica sejam transportadas a grandes distâncias, por meio de linhas de transmissão, com a redução da intensidade da corrente elétrica, o que, por sua vez, diminui as perdas por aquecimento (efeito Joule) nos condutores. A unidade de medida da intensidade de corrente elétrica é expressa em ampère (A).

Ao chegar às subestações de grande porte localizadas próximas aos centros de consumo, as tensões elevadas precisam ser reduzidas para valores compatíveis e seguros, permitindo seu uso nos sistemas de subtransmissão e distribuição de energia elétrica, sejam eles aéreos ou subterrâneos.

Nessa etapa, novamente, os transformadores de força, com potências da ordem de megavolt-ampères (MVA), desempenham um papel fundamental, atuando como abaixadores de tensão nas subestações ao ar livre, abrigadas ou subterrâneas. A unidade de medida da potência elétrica aparente é o VA (volt-ampère) e o MVA equivale a um milhão de VA.

Na condição de engenheiro eletricista e ex-professor dos cursos de graduação e pós-graduação em engenharia na Universidade Federal de Campina Grande, senti-me instigado a compartilhar com os leitores algumas considerações sobre o tipo de transformador referido no primeiro parágrafo e fazer duas observações que julgo oportunas.

Essas explicações elementares sobre as principais grandezas elétricas relativas aos transformadores são dirigidas ao público não familiarizado com a forma correta de expressá-las.

A primeira observação é sobre a denominação “transformador eólico”. Tal denominação é tão inadequada quanto chamar de “nucleares” os transformadores elevadores utilizados nos pátios das subestações de usinas nucleares ou de solares os transformadores utilizados em subestações de usinas fotovoltaicas.

A segunda observação refere-se ao equívoco cometido por quem afirma que o “transformador eólico” serviria para converter energia eólica em energia elétrica. Pois, na verdade, são os aerogeradores que realizam essa conversão.

Deixando esses equívocos de lado, vou me ater ao que interessa: os desafios logísticos no transporte de um transformador de grande potência, desde a fábrica até o destino final: o pátio da subestação elevadora ou abaixadora dos níveis de tensão.

Segundo alguns informativos, o transformador citado no primeiro parágrafo foi produzido em uma fábrica chinesa e transportado para o Brasil pela empresa responsável pela instalação do Parque Eólico Serra da Palmeira, empreendimento composto por 108 aerogeradores, distribuídos entre as seguintes cidades da região do Seridó: Picuí, Nova Palmeira, Pedra Lavrada, São Vicente do Seridó e Baraúna.

Nas referidas matérias jornalísticas não foram explicados os motivos pelos quais o transformador foi importado da China, apesar de o Brasil possuir fabricantes nacionais de transformadores de capacidade semelhante, alguns deles exportados para diferentes países.

Importante ressaltar que, dada a complexidade, os custos envolvidos e o alto valor agregado, o transporte de transformadores de grande capacidade exige atenção especial ao longo de toda a cadeia logística.

Isso porque, durante a movimentação no embarque e transporte de transformadores até o destino final, podem ocorrer danos estruturais decorrentes de vibrações mecânicas, como deformações no chassi ou nos tanques, trincas ou rachaduras, ou quebras nos suportes dos isoladores. Esses eventuais danos podem comprometer o desempenho do transformador e até causar acidentes durante o seu funcionamento.

Assim, antes de ser posto em operação, o equipamento deve ser submetido a rigorosos processos de condicionamento e comissionamento, que consistem na realização de testes e avaliações, etapas essenciais para garantir o perfeito funcionamento do transformador, tudo isso realizado de acordo com os requisitos contidos nas normas técnicas específicas (ABNT, IEC, ANSI) e em conformidade com as exigências do comprador.

Para além do espetáculo midiático apresentado nos meios de comunicação, você, prezado leitor, já havia refletido sobre os desafios logísticos e os riscos envolvidos no transporte de transformadores de grande porte, desde a fábrica até sua instalação e uso final?

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