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Alexandre Moura

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Engenheiro Eletrônico, MBA em Software Business e Comércio Eletrônico, Diretor da Light Infocon Tecnologia S/A e Diretor de Relações Internacionais da BRAFIP – Associação Brasileira de Fomento à Inovação em Plataformas Tecnológicas.

TIC em 2027: “IA Agêntica”, Cibersegurança e Plataformas de IA devem redefinir os negócios no ano que vem

Por Alexandre Moura
Publicado em 15 de outubro de 2026 às 8:09

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Faltando pouco mais de dois meses para o final deste ano, já é hora de começarmos a “imaginar/prever” quais tecnologias vão estar em evidência no segmento de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) aplicadas aos negócios ao longo de 2027.

O ano que vem deverá marcar uma nova etapa na transformação digital das empresas. A IA (Inteligência Artificial) deixará de ser vista apenas como uma ferramenta de consulta e geração de conteúdo, para assumir, realmente, tarefas operacionais mais complexas.

A Segurança Cibernética precisará acompanhar a expansão dos sistemas autônomos e as Plataformas de IA ganharão importância estratégica para integrar dados, aplicações e processos de negócios (com uso sistemático de IA Agêntica e Sistemas Multiagentes).

Embora não exista um “ranking universal” que estabeleça exatamente tecnologias dominantes (como as listadas acima), as projeções recentes da empresa americana “Gartner Inc” (maior empresa do mundo em pesquisa e consultoria, voltada para a área de Tecnologia da Informação e negócios) apontam para essas “grandes frentes tecnológicas” listadas acima, além do uso cada vez maior de “modelos especializados e dados empresariais integrados”.

Esse é o “cenário” (bastante provável) para 2027 e as empresas, de qualquer porte, devem estar preparadas para os impactos desta “previsão” em seus modelos de negócio e de gestão.

Com efeitos esperados sobre produtividade, custos, competitividade e gestão de riscos, a IA Agêntica (sistemas que executam tarefas, e não apenas respondem a perguntas, os já “famosos” Agentes de IA) será consolidada em 2027. Sendo a evolução da IA Generativa.

TIC em 2027: “IA Agêntica”, Cibersegurança e Plataformas de IA devem redefinir os negócios no ano que vem (II)

Diferentemente de um chatbot convencional, que normalmente responde a uma solicitação, um Agente de IA pode receber um objetivo, planejar etapas, consultar sistemas, utilizar ferramentas, executar tarefas e verificar resultados, dentro de limites previamente estabelecidos.

Quando vários Agentes trabalham em conjunto, temos os chamados Sistemas Multiagentes, capazes de dividir atividades complexas entre componentes especializados.

Na prática empresarial, isso pode significar um sistema que identifica uma oportunidade comercial, analisa o histórico do cliente, prepara uma proposta, verifica condições de estoque e encaminha a negociação para aprovação humana.

Em uma indústria, Agentes de IA podem, por exemplo, auxiliar na programação da produção, no planejamento de compras e na identificação de desvios operacionais.

No planejamento de tecnologia para 2027, publicado no mês de agosto passado, especialistas da Gartner identificaram a IA Agêntica, como a área de investimento tecnológico com crescimento mais acelerado.

A tendência, portanto, é que as empresas passem da fase de experimentação para projetos vinculados a resultados concretos.

Entretanto, a adoção não garante retorno financeiro imediato. Existe uma boa distância entre as ambições de uso da IA e a capacidade das organizações de financiar, governar e medir essas iniciativas.

A recomendação é avaliar os resultados dos projetos em prazos curtos e interromper aqueles que não demonstrarem retorno adequado.

TIC em 2027: “IA Agêntica”, Cibersegurança e Plataformas de IA devem redefinir os negócios no ano que vem (III)

Outro ponto a ser discutido é sobre quais setores da economia serão afetados pelo “domínio” dessas tecnologias em 2027. Podemos listar alguns.

No Comércio e serviços: atendimento, vendas, pós-venda, gestão de pedidos e relacionamento com clientes;

Na Indústria: planejamento da produção, manutenção preditiva, compras e controle de qualidade;

Nos Serviços financeiros: análise documental, prevenção a fraudes e apoio a processos de crédito, evidentemente, sujeitos aos controles (humanos) aplicáveis;

No setor de Saúde: apoio administrativo, organização de informações e assistência à análise clínica (sob supervisão profissional) e nas MPEs (Micro e Pequenas Empresas): Automação de tarefas que hoje dependem de várias ferramentas distintas e de trabalho manual.

O desafio será estabelecer limites de autonomia. Agentes de IA que movimentam dinheiro, alteram cadastros, acessam dados confidenciais ou assumem compromissos comerciais, precisam de permissões restritas, rastreabilidade e mecanismos de aprovação (em alguns casos, pelo menos) por humanos.

Em uma análise fria, o impacto empresarial e sua vantagem competitiva não virão simplesmente de possuir um Agente de IA operando, mas de redesenhar processos para que pessoas e sistemas inteligentes trabalhem de forma coordenada.

TIC em 2027: “IA Agêntica”, Cibersegurança e Plataformas de IA devem redefinir os negócios no ano que vem (IV)

Deixei para o final, a mais importante e estratégica tecnologia que estará nos “holofotes” em 2027: a Cibersegurança adaptada à IA.

O crescimento dos Agentes de IA, das aplicações generativas e dos sistemas conectados – destaque para o recente alerta da empresa americana Anthropic, sobre os riscos de “modelos compactos de IA adquirirem (em breve) capacidade para se replicar entre dispositivos conectados, como fornos inteligentes e aparelhos Android TV” – amplia as possibilidades de ataque e cria vulnerabilidades que as ferramentas tradicionais nem sempre conseguem identificar ou controlar, adequadamente.

Este problema tem duas dimensões: proteger a empresa contra ataques realizados com o auxílio de IA e proteger os próprios sistemas de IA contra manipulações, acessos indevidos e uso abusivo.

Uma projeção divulgada da Gartner Inc estima que o mercado mundial de tecnologias para proteger sistemas de IA alcance R$ 30 bilhões em 2027, crescimento de cerca de 69% sobre 2026.

Este crescimento acompanha o aumento da exposição das empresas a ataques que exploram falhas de autorização, vulnerabilidades de software e manipulações de instruções conhecidas como “prompt injection”.

Nesse tipo de ataque, entradas maliciosas podem levar um modelo ou Agente de IA a ignorar regras, revelar informações ou executar ações não autorizadas. Os danos podem ser gigantescos.

Com este cenário, no mínimo complicado, o que as empresas precisarão fazer?

Sugiro aqui algumas medidas prioritárias: Gestão de identidade e acesso (conceder a cada Agente de IA apenas as permissões necessárias para sua função, exatamente como se faz com um funcionário humano);

Monitoramento contínuo (registrar todas as ações, consultas, alterações e transferências de dados realizadas por sistemas de IA);

Segurança em tempo de execução (bloquear automaticamente comportamentos suspeitos enquanto os Agentes de IA estiverem operando);

Governança de dados (impedir o uso indevido de informações pessoais, comerciais, financeiras e estratégicas);

E por último a mais importante recomendação: Preparação para ataques com IA (com reforço nos mecanismos de autenticação, prevenção a fraudes e resposta a incidentes).

Os analistas da Gartner recomendam ainda que as organizações iniciem projetos-piloto de criptografia pós-quântica ainda em 2027, considerando os riscos futuros que computadores quânticos poderão representar para determinados métodos criptográficos atuais.

Lembrando ainda que Cibersegurança não é mais uma despesa técnica, ela passou a integrar a gestão de continuidade operacional, reputação, conformidade e confiança dos clientes.

Empresas que adotarem IA sem controles adequados poderão transformar ganhos de produtividade em novas fontes de prejuízo.

Leia a coluna anterior:

“Imposto Seletivo” – novo tributo que vai atingir produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente

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