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Professor Titular aposentado do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
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No uso cotidiano da língua portuguesa, é comum tratarmos como sinônimos palavras que, embora próximas, possuem significados distintos. Essas diferenças, muitas vezes sutis, enriquecem a comunicação e permitem expressar sentimentos, ações e ideias com maior exatidão.
Um exemplo é o par “alegria” e “felicidade”. A alegria costuma ser entendida como um estado emocional passageiro, associado à euforia provocada por estados alterados de consciência ou por acontecimentos específicos, tais como uma boa notícia, um encontro agradável ou uma conquista momentânea. Por sua vez, a felicidade refere-se a uma condição íntima mais ampla e duradoura, associada à satisfação com a vida como um todo, aos valores pessoais e ao sentido que cada um atribui à própria existência.
Outro par frequentemente confundido é “amor” e “paixão”. A paixão é um sentimento fugaz que, em geral, surge de forma intensa e arrebatadora, marcada por forte atração emocional e, muitas vezes, física. O amor, ao contrário da paixão, constrói-se gradualmente. Envolve cuidado, compromisso e respeito, ultrapassando o entusiasmo inicial. Enquanto o fogo da paixão costuma arrefecer com o passar do tempo, o amor se mantém firme, mesmo diante das dificuldades e até mesmo das ingratidões.
Também é comum empregar como equivalentes os verbos “ouvir” e “escutar”. No entanto, ouvir está relacionado ao ato fisiológico de perceber sons, algo que ocorre mesmo sem intenção. Escutar requer atenção e interesse: é ouvir com o propósito de compreender o que está sendo dito. Essa distinção é particularmente importante nas relações humanas, pois escutar o outro envolve abertura ao diálogo e respeito à fala alheia.
Outro exemplo revelador é o par “ver” e “olhar”. Ver é um ato automático, decorrente do funcionamento da visão; basta que algo esteja diante dos olhos para que seja visto. Olhar, entretanto, pressupõe direção e intenção. Quando olhamos, escolhemos focar, observar detalhes e interpretar. Podemos ver uma obra de arte rapidamente ou olhar de forma atenta para perceber cores, formas e nuances. Essa diferença mostra como a linguagem reflete níveis distintos de atenção, conhecimento e envolvimento com o mundo que nos cerca.
Aqui, vale considerar o par “conhecimento” e “sabedoria”, palavras muitas vezes usadas como se fossem sinônimas. O conhecimento está ligado à informação adquirida por meio de estudo, leitura ou experiência. Por outro lado, a sabedoria envolve a capacidade de aplicar esse conhecimento de forma equilibrada, ética e sensata, especialmente em situações complexas da vida. Alguém pode ter vasto conhecimento, ser erudito, e ainda assim agir de modo imprudente; a sabedoria, por sua vez, revela-se nas escolhas, no discernimento e na compreensão profunda das consequências dos próprios atos.
Outro par que merece atenção é “pensar” e “meditar”, termos muitas vezes usados como equivalentes, mas, na realidade, expressam processos mentais distintos. Pensar é um ato espontâneo e contínuo, relacionado ao fluxo natural das ideias. Meditar, por sua vez, implica intencionalidade, foco e recolhimento interior profundo, como forma de organizar o fluxo disperso dos pensamentos, em busca de maior clareza, autoconhecimento e equilíbrio emocional, necessários à tomada de decisões conscientes. Portanto, pensar é um ato natural, ao passo que meditar requer esforço e disciplina.
Retomando o primeiro parágrafo, é oportuno ressaltar que o par “exatidão” e “precisão” também apresenta diferenças semânticas relevantes. Em termos metrológicos, por exemplo, nem tudo que é preciso será necessariamente exato. Por outro lado, o que for exato será efetivamente preciso, porque a exatidão ocorre quando um valor medido está próximo do valor tido como verdadeiro, enquanto a precisão refere-se ao grau de reprodutibilidade, isto é, quando as medições repetidas são próximas entre si, independentemente de estarem corretas ou não.
Atenção: Os artigos publicados no ParaibaOnline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo ao exercício da pluralidade de opiniões.
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