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Benedito Antonio Luciano

Benedito Antonio Luciano

Professor Titular aposentado do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

Sinônimos aparentemente idênticos

Por Benedito Antonio Luciano
Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 9:26

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No uso cotidiano da língua portuguesa, é comum tratarmos como sinônimos palavras que, embora próximas, possuem significados distintos. Essas diferenças, muitas vezes sutis, enriquecem a comunicação e permitem expressar sentimentos, ações e ideias com maior exatidão.

Um exemplo é o par “alegria” e “felicidade”. A alegria costuma ser entendida como um estado emocional passageiro, associado à euforia provocada por estados alterados de consciência ou por acontecimentos específicos, tais como uma boa notícia, um encontro agradável ou uma conquista momentânea. Por sua vez, a felicidade refere-se a uma condição íntima mais ampla e duradoura, associada à satisfação com a vida como um todo, aos valores pessoais e ao sentido que cada um atribui à própria existência.

Outro par frequentemente confundido é “amor” e “paixão”. A paixão é um sentimento fugaz que, em geral, surge de forma intensa e arrebatadora, marcada por forte atração emocional e, muitas vezes, física. O amor, ao contrário da paixão, constrói-se gradualmente. Envolve cuidado, compromisso e respeito, ultrapassando o entusiasmo inicial. Enquanto o fogo da paixão costuma arrefecer com o passar do tempo, o amor se mantém firme, mesmo diante das dificuldades e até mesmo das ingratidões.

Também é comum empregar como equivalentes os verbos “ouvir” e “escutar”. No entanto, ouvir está relacionado ao ato fisiológico de perceber sons, algo que ocorre mesmo sem intenção. Escutar requer atenção e interesse: é ouvir com o propósito de compreender o que está sendo dito. Essa distinção é particularmente importante nas relações humanas, pois escutar o outro envolve abertura ao diálogo e respeito à fala alheia.

Outro exemplo revelador é o par “ver” e “olhar”. Ver é um ato automático, decorrente do funcionamento da visão; basta que algo esteja diante dos olhos para que seja visto. Olhar, entretanto, pressupõe direção e intenção. Quando olhamos, escolhemos focar, observar detalhes e interpretar. Podemos ver uma obra de arte rapidamente ou olhar de forma atenta para perceber cores, formas e nuances. Essa diferença mostra como a linguagem reflete níveis distintos de atenção, conhecimento e envolvimento com o mundo que nos cerca.

Aqui, vale considerar o par “conhecimento” e “sabedoria”, palavras muitas vezes usadas como se fossem sinônimas. O conhecimento está ligado à informação adquirida por meio de estudo, leitura ou experiência. Por outro lado, a sabedoria envolve a capacidade de aplicar esse conhecimento de forma equilibrada, ética e sensata, especialmente em situações complexas da vida. Alguém pode ter vasto conhecimento, ser erudito, e ainda assim agir de modo imprudente; a sabedoria, por sua vez, revela-se nas escolhas, no discernimento e na compreensão profunda das consequências dos próprios atos.

Outro par que merece atenção é “pensar” e “meditar”, termos muitas vezes usados como equivalentes, mas, na realidade, expressam processos mentais distintos. Pensar é um ato espontâneo e contínuo, relacionado ao fluxo natural das ideias. Meditar, por sua vez, implica intencionalidade, foco e recolhimento interior profundo, como forma de organizar o fluxo disperso dos pensamentos, em busca de maior clareza, autoconhecimento e equilíbrio emocional, necessários à tomada de decisões conscientes. Portanto, pensar é um ato natural, ao passo que meditar requer esforço e disciplina.

Retomando o primeiro parágrafo, é oportuno ressaltar que o par “exatidão” e “precisão” também apresenta diferenças semânticas relevantes. Em termos metrológicos, por exemplo, nem tudo que é preciso será necessariamente exato. Por outro lado, o que for exato será efetivamente preciso, porque a exatidão ocorre quando um valor medido está próximo do valor tido como verdadeiro, enquanto a precisão refere-se ao grau de reprodutibilidade, isto é, quando as medições repetidas são próximas entre si, independentemente de estarem corretas ou não.

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