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Alexandre Moura

Alexandre Moura

Engenheiro Eletrônico, MBA em Software Business e Comércio Eletrônico, Diretor da Light Infocon Tecnologia S/A e Diretor de Relações Internacionais da BRAFIP – Associação Brasileira de Fomento à Inovação em Plataformas Tecnológicas.

Setores estratégicos e competição global: como 2025 redirecionou os investimentos em IA

Por Alexandre Moura
Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 8:00

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A coluna de hoje complementa a da semana passada. Como escrevi anteriormente, no decorrer do ano passado, a tecnologia de IA (Inteligência Artificial) consolidou não apenas um volume recorde de recursos aplicados, mas uma “disparidade clara entre setores da economia e entre países”, na forma “agressiva” como “capital financeiro e talentos (Recursos Humanos) foram mobilizados e investidos, em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento)”. O cenário revelou um movimento profundo de “transformação setorial”, com impactos econômicos, sociais e geopolíticos que ultrapassam o universo da tecnologia.

O “Segmento de Saúde”, por exemplo, se destacou como um dos maiores “captadores” de investimento em IA no mundo. Relatórios do setor apontam que, em 2025, “investimentos em empresas de IA voltadas para o “mercado” de saúde ultrapassaram R$ 95 bilhões, representando “46% de todo o capital direcionado ao setor no ano passado” – ainda que o volume total de aportes gerais ao segmento tenha caído, em relação a anos anteriores.

Os investimentos foram focados principalmente, em sistemas avançados de análise de imagens médicas, plataformas de suporte à decisão clínica e dispositivos “vestíveis” inteligentes, “refletindo a crescente confiança dos investidores em soluções digitais com/de IA, com potencial de impacto direto em resultados clínicos e operacionais (em hospitais e clinicas) e telemedicina”.

Vale destacar que, “esse movimento ocorre em meio à crescente aprovação regulatória de dispositivos médicos assistidos por IA nos Estados Unidos e em outros países, abrindo caminhos para a comercialização de tecnologias disruptivas”. Esse “movimento” está chegando rapidamente ao Brasil.

Setores Estratégicos e Competição Global: Como 2025 Redirecionou os Investimentos em IA (II)

Já no “Setor Financeiro”, a IA se consolidou como ferramenta essencial para fintechs, operadoras de cartões de crédito, bancos e cooperativas de credito. Instituições financeiras “usam algoritmos para detecção de fraudes, cobrança, análise de crédito ultrarrápida e automação de serviços ao cliente” (só para citar algumas aplicações de IA), enquanto “startups nativas de IA” emergem em nichos como negociações algorítmicas, gerenciamento de contratos de financiamentos e gestão patrimonial automatizada.

Segundo análises realizadas ao longo de 2025, essas aplicações estão remodelando a competitividade global do setor, “forçando” players tradicionais a “aumentar os gastos em plataformas inteligentes e em equipes especializadas em dados”.

Além de “Saúde e Finanças”, setores Industriais e de Manufatura observaram um “acelerado uso de IA para otimização de processos, automação e manutenção preditiva”. Economias com forte base industrial, como Estados Unidos, China, Alemanha e Japão, direcionaram investimentos significativos em IA aplicada à produção e à cadeia de suprimentos — incluindo “robótica inteligente, análise preditiva e supervisionamento de qualidade por visão computacional”.

Na Indústria, o uso de IA é uma questão “estratégica” e de “sobrevivência” para a maioria das empresas, e não uma opção. Na União Europeia, o lançamento da estratégia “Apply AI” (Aplicar IA), segundo matéria publicada pela Agência Reuters, incluiu cerca de R$ 7 bilhões em financiamentos para acelerar a adoção de IA em setores-chave da economia, destaque para “saúde, energia, logística e manufatura”.

Essa ação faz parte de um esforço mais amplo para reduzir a dependência tecnológica do bloco europeu, em relação aos “gigantes americano e chinês”.

Setores Estratégicos e Competição Global: Como 2025 Redirecionou os Investimentos em IA (III)

É interessante fazer uma “comparação” (mesmo que superficialmente) entre os Estados Unidos, a China, a União Europeia e o Brasil, no “quesito investimentos em IA”. Os Estados Unidos continuam dominando o cenário global neste tipo de investimento. Projeções recentes indicam que o país “acumula mais de R$ 2,5 trilhões em investimentos nessa área desde 2013”, com forte participação de capital privado — especialmente de Capital de Risco e de recursos das grandes empresas de tecnologia.

Além disso, gigantes como Microsoft, Amazon, Meta e Google, lideram os investimentos em “Infraestrutura de IA” incluindo datacenters e capacidade de processamento de última geração (computação quântica). Essa liderança se reflete também na atração de talentos altamente especializados, universidades de ponta e um Ecossistema robusto de Inovação, que continua a atrair pesquisadores de vários países, inclusive do Brasil.

A China segue como o segundo maior investidor global em IA, respaldada por “planos nacionais ambiciosos que preveem investimentos volumosos e diretos, para setores estratégicos como manufatura, saúde, segurança/militar e agricultura”. Diferentemente dos Estados Unidos, onde o setor privado lidera os investimentos, a abordagem chinesa mescla “diretivas governamentais com forte coordenação estatal”, tendo a “tecnologia de IA como um motor para modernização continua da economia”.

Setores Estratégicos e Competição Global: Como 2025 Redirecionou os Investimentos em IA (IV)

Por outro lado, a União Europeia tem buscado uma “terceira via entre o modelo americano de mercado aberto e o modelo chinês centralizado”. Iniciativas como o Programa “InvestAI”, que mobiliza fundos públicos e privados, de até R$ 1 trilhão, indicam um compromisso em “desenvolver capacidades internas de supercomputação, treinamento de modelos e suporte a pequenas e médias empresas”.

Essa abordagem, porém, convive com desafios regulatórios e competitivos, já que o bloco equilibra a promoção da inovação com uma “Agenda de regulação robusta de IA”, considerada uma das mais rígidas em nível mundial.

O Brasil, por sua vez, caminha de forma bem mais lenta. Embora iniciativas públicas, como o “Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 2024-2028” (mencionado na coluna anterior), prevejam investimentos conjuntos “bilionários”, e o “Ecossistema Brasileiro de Startups de Tecnologia” tenha obtido muito investimento nos últimos anos, o Brasil ainda enfrenta “lacunas críticas na adoção empresarial da IA e na formação de recursos humanos em quantidades adequadas”.

Segundo o “Portal Consumidor Moderno”, estudos setoriais indicam que uma parcela relativamente pequena de empresas brasileiras está planejando investir valores elevados em tecnologia de IA nos seus negócios (comparando com a nações avançadas) – uma indicação clara de que o potencial econômico do país, ainda não se traduziu em grandes investimentos.

Em nível global, ficou evidente que o ano de 2025 consolidou a IA como um “vetor principal de transformação econômica” e “grandes blocos econômicos” competem por posições de destaque e autonomia nessa área.

Com isso, a IA se firma não apenas como ferramenta de produtividade, mas como “infraestrutura crítica da economia digital do século XXI” – um elemento que continuará a moldar políticas públicas, mercados financeiros, estratégias corporativas e governamentais.

Atenção: Os artigos publicados no ParaibaOnline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo ao exercício da pluralidade de opiniões.

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