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Arcebispo Metropolitano da Paraíba.
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Páscoa é Cristo derramando misericórdia sobre o coração do pecador. Eis o centro deste Mistério: não apenas um acontecimento passado, mas uma presença viva que continua a alcançar a humanidade.
Cristo ressuscitou! E, com Ele, a misericórdia venceu o pecado, a vida venceu a morte e a esperança foi devolvida ao coração do homem.
O Domingo da Páscoa inaugura o novo dia — o dia que não conhece a noite. A escuridão já não tem a última palavra, porque foi atravessada pela luz do Ressuscitado.
A Cruz, que parecia sinal de derrota, tornou-se fonte de misericórdia: dela brota o amor que perdoa, que reergue, que recria. Em Cristo, Deus não apenas olha para o pecador, mas vai ao seu encontro, toca suas feridas e o chama novamente à vida.
Por isso, a Páscoa é tempo de renovar o perdão, restaurar laços na família e escolher a reconciliação como caminho concreto na sociedade. Quem experimenta a misericórdia não pode permanecer o mesmo.
Somos chamados a sair dos nossos túmulos — das culpas, das mágoas e das durezas do coração — para viver a liberdade dos que foram alcançados pelo amor.
Na noite da humanidade, o antigo Adão aguardava a luz. Em sua queda estavam também os nossos pecados, mas fomos encontrados pela misericórdia do Ressuscitado.
Como proclama o profeta Jonas: “Clamei a vós do meio da morada dos mortos, e ouvistes a minha voz” (Jn 2,3). A Páscoa é a resposta de Deus a esse clamor: Ele desce até as profundezas para nos resgatar.
A espiritualidade pascal faz a Igreja cantar a vida nova. Só a misericórdia nos torna verdadeiramente livres: ela nos move ao encontro do outro, cura as feridas das relações e sustenta a construção de uma sociedade mais justa e solidária.
O Cristo que morreu e ressuscitou continua a descer às “noites” do nosso tempo, tomando pela mão os que esperam e levantando os que caíram.
O Senhor nos convida a abandonar nossos túmulos e choros. Ainda que o sofrimento humano permaneça, a misericórdia que brota da Ressurreição é maior.
A Páscoa não ficou no passado — ela nos alcança hoje, inclinando-nos para o bem, para a vida verdadeira e para o perdão.
Páscoa é Cristo derramando misericórdia, não como ideia distante, mas como presença viva que transforma a existência humana. Essa misericórdia nos alcança exatamente onde estamos, nas nossas fragilidades mais profundas, e nos levanta para um recomeço sempre possível.
Ao jorrar do lado aberto de Cristo, ela nos ensina a viver de modo novo: olhar o outro com compaixão, perdoar sem medidas e reconstruir o que parecia definitivamente perdido. Assim, a Páscoa deixa de ser apenas uma data e se torna caminho: viver como ressuscitados, sustentados pela graça e configurados a esse amor que continua a renovar corações e a fazer novas todas as coisas.
E, apoiados pelas palavras cheias de esperança atribuídas ao Santo Padre, Papa Leão XIV, proclamamos com confiança: “Deus nos ama. Deus vos ama a todos. O mal não prevalecerá. Estamos todos nas mãos de Deus.”
Nesta afirmação papal ressoa a certeza pascal de uma misericórdia que não falha. Deus nos ama, e esse amor foi levado até o extremo na Cruz, sendo plenamente confirmado na Ressurreição. O mal não prevalece, porque já foi vencido pelo amor.
Estar nas mãos de Deus é reconhecer que a nossa história, mesmo marcada por limites e fragilidades, está envolvida por uma misericórdia maior que tudo. A Páscoa nos convida, portanto, à confiança: é a misericórdia que tem a última palavra.
Revistamo-nos, portanto, desta misericórdia. Deixemos que o amor do Ressuscitado transforme nossas atitudes, nossas relações e toda a nossa vida. Deus entrou na história, morreu por amor e ressuscitou, e, assim, abriu para nós um caminho definitivo de vida nova.
Sob o amparo materno da Virgem Maria, caminhemos firmes na esperança e proclamemos, com profunda alegria: Cristo ressuscitou! Aleluia! Feliz Páscoa!
Atenção: Os artigos publicados no ParaibaOnline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo ao exercício da pluralidade de opiniões.
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