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Benedito Antonio Luciano

Benedito Antonio Luciano

Professor Titular aposentado do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

O Som Brasileiro de Sarah Vaughan

Por Benedito Antonio Luciano
Publicado em 1 de abril de 2026 às 8:04

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Em 1978, foi gravado nos estúdios da RCA Victor, no Rio de Janeiro, o disco O Som Brasileiro de Sarah Vaughan. Observação: a pronúncia correta do nome Sarah em inglês soa como “Sér-a”, com o “r” suave, e Vaughan tem o som de “Vôn” ou “Vawn”, com o “V” forte.

Para integrar o referido disco, a cantora, já uma celebridade, escolheu um repertório de extremo bom gosto, que ganhou um brilho especial graças à voz poderosa da diva do jazz e aos arranjos primorosos.

Produzido por Aloysio de Oliveira e Oscar Ferreira, o álbum é composto por nove faixas: quatro no lado A e cinco no lado B.

Faixas do lado A:
1. “Bridges” (“Travessia”) – Fernando Brant, Milton Nascimento e Gene Lees.
2. “If You Want Away” (“Preciso aprender a ser só”) – Marcos Valle, Paulo Sérgio Valle e Ray Gilbert.
3. “Triste” – Tom Jobim.
4. “The Day It Rained” (“Chuva”) – Durval Ferreira, Pedro Geraldo Camargo e Ray Gilbert.

Faixas do lado B:
1. “A Little Tear” (“Razão de viver”) – Paulo Sérgio Valle e Eumir Deodato.
2. “Courage” (“Coragem”) – Milton Nascimento, Márcio Borges e Paul Williams.
3. “Roses and Roses” (“Das Rosas”) – Dorival Caymmi e Ray Gilbert.
4. “Someone to Light Up My Life” (“Se todos fossem iguais a você”) –Tom Jobim, Vinicius de Moraes e Gene Lees.
5. “I Live to Love You” (“Morrer de amor”) – Oscar Castro Neves, Luvercy Fiorini e Ray Gilbert.

Além dos arranjos e da execução primorosa dos instrumentistas acompanhantes, há de se destacar o domínio da técnica vocal e a notável sensibilidade da intérprete ao captar as nuances melódicas e rítmicas da música popular brasileira, mesmo cantando em inglês, seu idioma nativo.

Nesse disco, participaram da gravação os seguintes músicos: Ariovaldo Contesini (Percussão), Chico Batera (Percussão), Danilo Caymmi (Flauta), Edson Frederico (Piano), Hélio Delmiro (Guitarras), José Roberto Bertrami (Órgão e Piano), Maurício Einhorn (Harmônica), Nelson Ângelo (Guitarra), Novelli (Baixo elétrico), Paulo Jobim (Flauta), Robertinho Silva (Bateria), Sérgio Barrozo (Contrabaixo), Wilson das Neves (Bateria).

O interessante é que Sarah, por meio de seu canto, parece extrair de cada um desses instrumentistas o melhor de suas possibilidades expressivas. O resultado foi um disco antológico, um clássico, capaz de revelar novas sutilezas a cada audição atenta.

Foi o que ocorreu comigo ao perceber duas referências ao mês de abril no lado B: as rosas de abril, evocadas na terceira faixa, e a chuva de abril (“April rain”), lembrada na última.

Em 20 de setembro de 1970, de passagem pelo Brasil, Sarah Vaughan se apresentou no palco da extinta TV Tupi. Na oportunidade, a diva do jazz e Wilson Simonal, então considerado o maior showman da música popular brasileira, cantaram juntos “The Shadow of Your Smile” e “Time After Time”.

Esse encontro televisivo revelou a impressionante naturalidade com que a grande cantora americana transitava pelo universo rítmico da MPB, dialogando com o carisma e o balanço de Simonal em um dueto que unia, diante das câmeras, duas tradições musicais distintas, mas profundamente interligadas.

Em 1979, Sarah voltou ao Brasil para gravar seu segundo disco, Exclusivamente Brasil, produzido por Aloysio de Oliveira, e posteriormente o terceiro, Brazilian Romance, em 1987, produzido por Sérgio Mendes.

Sarah Lois Vaughan nasceu na cidade de Newark, em Nova Jersey (EUA), em 27 de março de 1924, filha de um marceneiro e de uma lavadeira. Seu pai era guitarrista amador, e sua mãe cantava no coro da Igreja Batista do Monte Sião. Foi nesse ambiente modesto, mas harmonioso, que a grande intérprete iniciou seu aprendizado musical, sob a orientação de uma professora de piano.

Em 3 de abril de 1990, Sarah Vaughan faleceu, vítima de câncer de pulmão, em Hidden Hills, subúrbio de Los Angeles, na Califórnia (EUA). Com sua partida para a vida eterna, silenciou-se a voz humana, mas permaneceram os registros de seu canto e as imagens preservadas em gravações, como testemunhos duradouros da arte daquela que foi, sem dúvida, uma das maiores cantoras de jazz de todos os tempos.

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