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Arcebispo Metropolitano da Paraíba.
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O coração do Evangelho de Cristo é a mensagem da misericórdia de Deus. Essa mensagem salvadora constitui um mandato missionário dirigido a todos os homens e mulheres.
Não importa o tempo: ela permanece sempre atual, pois o coração humano continua necessitando da verdade que liberta, da misericórdia que reergue e da esperança que não decepciona.
No Evangelho deste domingo, Jesus nos apresenta a parábola dos dois filhos (cf. Mt 21,28-32). Um deles responde prontamente ao pai: “Sim, senhor”, mas não vai trabalhar na vinha.
O outro, embora inicialmente diga “não”, arrepende-se e realiza a vontade paterna. Com essa imagem, o Senhor nos recorda que a fé não se resume a palavras, promessas ou aparências; ela se manifesta na resposta concreta que damos à vontade de Deus.
A vinha é o lugar da missão. É o mundo, a Igreja e as realidades humanas que aguardam o testemunho do Evangelho. Deus continua a chamar seus filhos e filhas para trabalhar em sua vinha: sacerdotes, religiosos, famílias, jovens e leigos engajados no coração do mundo. A vocação cristã não é uma promoção para subir, mas um chamado para servir.
Entretanto, há uma leitura ainda mais profunda da parábola. Bento XVI ensina que, por trás dos dois filhos apresentados por Jesus, podemos contemplar um terceiro Filho: o Filho Unigênito de Deus, Jesus Cristo. Ele é Aquele que diz “sim” ao Pai e realiza plenamente a sua vontade.
Ao entrar no mundo, Cristo afirma: “Eis que venho para fazer a vossa vontade” (Hb 10,7). Seu “sim” não ficou somente nas palavras: foi vivido na obediência, na humildade e na entrega de si até a morte de cruz.
Cristo é, portanto, a medida de toda verdadeira missão. Ele não apenas nos pede uma resposta, mas oferece em si mesmo o modelo da resposta perfeita.
Por sua humildade e obediência, assumiu a condição de servo e entregou a vida por nós (cf. Fl 2,6-8). A missão cristã nasce dessa contemplação: não anunciamos uma ideia ou um projeto pessoal, mas Aquele que nos amou até o fim.
A missão da Igreja é, por isso, um dever de amor. Ela não consiste em impor uma visão nem em buscar os aplausos do mundo, mas em testemunhar Cristo com verdade, caridade e coragem. O que move nosso esforço missionário é o amor pelo Senhor e o desejo sincero de que todos acolham a salvação que Ele oferece.
O Concílio Vaticano II recorda que a Igreja, “enviada por Deus a todas as gentes para ser ‘sacramento universal de salvação’”, procura incansavelmente anunciar o Evangelho a todos os homens (Ad Gentes, n. 1). Esse mandato não envelheceu.
Em meio a um mundo plural e tantas vezes indiferente à fé, permanece a urgência de anunciar Jesus Cristo, respeitando a liberdade de cada pessoa, mas sem renunciar à verdade e à beleza do Evangelho.
A parábola também revela que a conversão é sempre possível. O filho que inicialmente disse “não” foi capaz de rever sua postura e cumprir a vontade do pai. Assim, ninguém deve ser considerado definitivamente distante de Deus. A misericórdia divina abre caminhos de retorno para quem se arrepende e decide recomeçar.
Com a proximidade das eleições brasileiras, a parábola também ilumina a responsabilidade de nossas escolhas na vida comum.
O voto consciente é expressão da cidadania e deve estar em sintonia com o compromisso ético que nasce do Evangelho de Cristo: a busca da verdade, o respeito incondicional à dignidade humana, a promoção da justiça, o cuidado com os mais vulneráveis, a defesa do bem comum e do direito à vida, do seu início ao fim.
O cristão não pode separar sua fé de suas responsabilidades sociais; é chamado a participar da vida democrática com liberdade, serenidade e consciência, sem transformar divergências legítimas em agressão ou desprezo.
O Senhor continua a chamar apóstolos em nossos dias. Ele deseja contar com o nosso sim generoso, mas, sobretudo, com um sim que se torne vida, serviço e fidelidade.
O testemunho do Evangelho não pode ser um apêndice em nossa existência; deve transformar nossas escolhas e, por meio delas, transformar o mundo a partir da misericórdia de Deus.
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