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Jornalista, Pós-Graduada em Comunicação Educacional, Gerente de Negócios das marcas Natura e Avon.
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É na soma dos detalhes, dos pequenos gestos tantas vezes imperceptíveis e das grandes tempestades emocionais que a gente se constrói. A vida não é um álbum de fotos editado, com filtro bonito e legendas perfeitas. É mais como aquele baú antigo: às vezes bagunçado, às vezes empoeirado, mas cheio de histórias que explicam exatamente quem somos.
Lembro da infância, quando dei minha última calcinha limpa para uma colega que não queria brincar porque não tinha uma para vestir. Naquele momento eu não estava fazendo só um ato nobre, eu queria brincar junto. Mas hoje entendo: ali já existia empatia, coragem e um tipo de generosidade que não se aprende em livro.
Também me recordo das vezes em que assumi culpas que não eram minhas, só para evitar que outra amiga apanhasse. A amizade, às vezes, nos leva a lugares curiosos, inclusive ao “lugar da proibição”. Mas veja só: até nisso havia caráter sendo moldado. Porque proteger alguém, mesmo com custo próprio, é uma forma silenciosa de fortaleza.
E quantas vezes disse “está tudo bem” quando, na verdade, tudo faltava? Talvez ali tenha nascido essa capacidade de resistir, de seguir em frente mesmo quando o cenário não ajudava. Não era negação. Era sobrevivência emocional com pitadas de esperança.
Aos 16 anos, entre romances e inocências, vivi aquela fase em que o mundo parecia um grande filme. Namorava alguém que, aos olhos das outras, era quase um troféu: mais velho, formação superior e, meu professor. Naquele tempo, as coisas tinham nomes diferentes e talvez menos consciência também. Havia um romantismo ingênuo, uma ausência de malícia que hoje parece quase impossível.
Até que veio a festa de junho. Três dias aguardados com ansiedade que, convenhamos, não competem com os 30 dias grandiosos de Campina Grande, mas tinham seu brilho próprio. E logo no primeiro dia, enquanto eu estava no banheiro, o enredo muda: meu “valioso” namorado dançava com quem menos simpatizava comigo e a recíproca era muito verdadeira.
O constrangimento foi imediato. O machismo também. E a ordem: “espere a música acabar” doeu demais. Eu não esperei. Fui embora chorando, porque, às vezes, ir embora, abrir mão, também é um ato de coragem e dignidade.
No dia seguinte, a rua virou passarela de provocações, mas a vida, sábia como é, tratou de me surpreender. Um amigo inesperado surgiu, não o deixou se aproximar, me fez rir, me devolveu algo que ninguém deveria perder: a autoestima. Ele não ficou, mas deixou algo permanente. Às vezes, as pessoas passam rápido, mas o efeito delas fica para sempre.
E então veio a ameaça que feria toda ética: “você pode passar em tudo, menos na minha matéria”. Curioso como a vida gosta de repetir provas, não é? Naquele instante, algo dentro de mim respondeu antes mesmo que eu pensasse: “Posso não passar em nenhuma, mas na sua eu passo e com a maior média.”
Dito e feito. Me empenhei ainda mais, virei madrugada estudando e a recompensa veio. Notas acima de 9,5 , prova sendo devolvida aos arremessos. Teve até um 10 reduzido a 9,9 porque até na vitória há pequenos ajustes da vida, mas foi a maior média da classe. Tudo vale a pena quando há um propósito e o triunfo inexoravelmente chega, porque aquilo que a gente foca… floresce.
Anos depois, já na vida profissional, a história se repetiu com outra roupagem. Um gestor difícil, falta de empatia, pressão constante. De novo, o cenário parecia montado para me ver cair. E de novo, só havia as escolhas: reagir ou reagir.
Não foi fácil. Houve dias de cansaço extremo, vontade de desistir, reuniões que pesavam mais do que deveriam. Mas disciplina, planejamento e consistência foram minhas respostas, além de uma forte e inabalável força espiritual. Porque resultados falam. E falam alto calando a boca de quem tripudia.
Hoje, aposentada (e bem feliz com esse novo capítulo ) olho para tudo isso e entendo o fio invisível que conecta cada história. Não eram apenas acontecimentos isolados. Eram treinamentos da vida.
Por isso, ouso dizer a você querido leitor, não se arrependa de nada. Nem das escolhas, nem dos tropeços, nem das lágrimas. Lembre-se de tudo. Cada experiência carrega uma lição às vezes disfarçada, às vezes escancarada.
E quando a vida apertar, e ela vai, você terá duas opções: encolher ou reagir. Para mim sempre teve no meu inconsciente, apena uma: Reagir.
E é esse o recado: Reaja. Acredite. Faça aquela parte que ninguém pode fazer por você: a Sua. Dê o seu melhor, mesmo quando ninguém estiver aplaudindo.
E se, no fim, não der certo, que sua consciência esteja em paz. Porque fracasso não é tentar e não conseguir, é desistir antes de ir as últimas instancias. E você não veio ao mundo para desistir. Veio para triunfar; para ter Vida em abundância.
Por fim, não são os dias perfeitos que nos transformam. São aqueles em que a gente achou que não ia conseguir… e consegue. Aqueles em que a dignidade falou mais alto que o orgulho. Aqueles em que a dor quase venceu, mas encontrou dentro de nós, coragem e força que muitas vezes subestimamos.
Lembre-se:
Cada lágrima que você chorou regou a sua força.
Cada injustiça que enfrentou afiou a sua coragem.
Cada vez que você pensou em desistir… e não desistiu… construiu a pessoa extraordinária que você é hoje.
E se alguém ainda duvida de você, tudo bem, já que isso fala mais sobre o outro. Apenas use isso como combustível. Transforme descrédito em disciplina e ação. Transforme pressão em foco. Transforme dor em potência. Porque a vida não pergunta se você está pronta. Ela simplesmente acontece. E é na resposta que você dá a ela que mora o seu poder.
Então, quando tudo parecer difícil demais, lembre-se de quem você já foi. Da menina que dividiu o que tinha. Da jovem que enfrentou o que doía. Da mulher que decidiu não aceitar menos do que merecia.
Essa pessoa ainda vive em você. Mais forte. Mais sábia. Mais inteira.
E é ela quem vai te levar para onde você quiser ir.
Reaja sempre. Acredite, principalmente quando for mais difícil.
E nunca, absolutamente nunca, negocie a sua dignidade, porque no final da sua história, não será sobre quem tentou te derrubar. Será sobre todas as vezes em que você decidiu se levantar. Então, não se arrependa da nada, lembre-se de tudo que te fez evoluir pois este é o combustível e a potência dos vencedores.
Atenção: Os artigos publicados no ParaibaOnline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo ao exercício da pluralidade de opiniões.
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