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Edjamir Sousa Silva

Edjamir Sousa Silva

Padre e psicólogo.

Morremos quando não escolhemos o Amor

Por Edjamir Sousa Silva
Publicado em 15 de fevereiro de 2026 às 16:00

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As leituras propostas para este 6º Domingo do Tempo Comum (Eclo 15,16-21; 1Cor 2, 6-10; Mt 5, 17-37), sobretudo o evangelho, nos colocam diante do que há de mais essencial na lei de Deus. Os mandamentos do Senhor são um apoio que nos ajudam a caminhar quando decidimos para onde queremos ir.

Não se trata apenas de fazer ou não fazer as coisas, pois esse é o universo imaturo e legalista do mundo judaico (da época de Jesus) e o cristianismo segue por outro caminho mais profundo e mais exigente. O cristianismo é uma forma de decidir a vida quando ela nos faz pensar entre o que gera a vida e o que gera a morte.

Ninguém decide por nós, ninguém é responsável absoluto pela vida do outro, por decidir e condenar o outro, mas somos responsáveis por aquilo que decidimos. As pessoas tem medo de decidir. Somos livres. E o inferno pode ser a insegurança do “não decidir”.

Os mandamentos de Deus nos fazem pensar que se optamos em viver, porque desejamos aquilo que gera a morte?  Queremos a fraternidade, então, porque optamos pela violência e o egoísmo como se estas coisas formassem pessoas e sociedades eticamente saudáveis?

A Palavra de Deus ensina que quando somos levados a viver em sociedade e desejamos, de coração, ajudar os irmãos (por causa da justiça) estamos escolhendo a vida. Quando escolhemos em não nos preocuparmos com o bem, a integridade e desenvolvimento dos outros, então, optamos pela morte. MORREMOS QUANDO NOS FECHAMOS PARA O AMOR. Nos ferimos e ferimos os outros.

A lei de Deus não é um preceito vazio, mas faz renascer um coração. Na vida, não mata aquele que apenas apunha-la o outro com uma arma branca ou com armas e bombas, mas está morto também aquele que já anulou o outro no coração, aquele que chama o outro de patife, aquele lhe faz o outro de idiota, lhe humilha, lhe causa danos. Este, já tem um coração mergulhado no ódio. É preciso dizer hoje, as pessoas de nosso tempo, que a lei de Deus é o Amor e que, fora disso, não há maturidade humana, familiar, eclesial, social e político.

O que adianta dizer que ama sua família, dizer que família é tudo, se você pega uma arma e tira a vida dos outros e de pessoas inocentes? O amor deve nos ensinar que lealdada é honradez, mas também deve nos ensinar que também é nobre saber que quando uma relação não dá mais certo, não precisa ser “até que a morte [um matando o outro] os separe”. ISSO É LEGALISMO.

Na vida encontramos pessoas encalhadas em situações de não-vida (relações entre cônjuges e amigos, instituição…). Em algum momento a própria consciência e o coração há de perguntar: o que fazer com isso? É nesse momento que Deus vem ao encontro do ser humano, dizendo: “Escolhe, pois, a vida!”, porque viver importa e todas as vidas importam.

Ouvimos pessoas dizerem “não tenho nada a perder” quando desejam prejudicar alguém. Há tantos sinais de perversão que nem o sistema prisional assusta as pessoas. Nem mesmo a morte eterna lhes causam uma reflexão ética ou desconforto. Caminhamos em meio a estas sombras de nosso tempo.

Dizia Jesus: “Não tenham medo dos que matam o corpo, mas daqueles que matam a alma”(Mt 10,28). O medo de não viver é necessário e fundamental. Mas, o medo de ser roubado de si mesmo, da oportunidade de crescer, de ser livre e respeitado no que é, faz muita gente perder a doçura da paz.  Em nossa sociedade há muitos sinais de morte e a violência que não é só física, mas também psicológica, patrimonial…que ferem a dignidade humana e assusta a muitos.

Porém, não basta só viver diagnosticando a sociedade e as pessoas, mas pensar a vida a partir desse belo desejo do viver. Reconciliar todas as coisas em Cristo, isto é, ajustar a vida no amor, na liberdade, na promoção humana e na paz é uma tarefa para todos.

Em períodos como as festas de carnaval a gente sempre escuta “as pregações docetista” (moralista e legalista) de quem vive a todo o custo a julgar…julgar… condenar… condenar… condenar e a demonizar o lazer dos outros. Reprimidos em suas neuroses vivem a oprimir os outros.

O romancista francês Marcel Proust (1871-1922), autor do livro “Em busca do tempo perdido”, escreveu certa vez: “Quando uma pessoa está infeliz, ela se torna moralista”. O Espírito de Amor sai de cena e entra a lei fria, provando que ainda não estamos maduros em nossa espiritualidade.

O autor ainda dizia que o legalista ele não aprendeu a lhe dar com a própria dificuldade, por isso ele julga os outros e, como numa roleta russa, todos os dias ele procura alguém para viver condenando. Olhem para as nossas redes sociais.

O Evangelho de Jesus abre (EFFATÁ) os olhos, os ouvidos e o coração e ajuda a compreender que o amor será sempre a saudável felicidade que gera vida. Mas, é nossa escolha pela Lei do Amor que faz o mundo mudar em nós e em torno de nós.

Na 2ª Leitura (1Cor 2,6-10) Paulo diz que esta forma de pensar não é humana, mas divina e demarca maturidade. A sabedoria de Deus traz vida. Etimologicamente, a palavra sabedoria, quer dizer tirar/aproveitar o verdadeiro sabor da vida. É sábio quem tira o verdadeiro sabor do viver bem.

Estamos próximos do Tempo da Quaresma e até aqui a Palavra de Deus nos convidou à conversão. Deixemos que a graça de Deus nos acompanhe (cf. Sl 50(51). Não tenhamos medo de mudar a rota de nossa vida e optar pela vida: “O que Deus preparou para os que O ama é algo que os olhos jamais viram, nem ouvidos ouviram, nem coração algum jamais pressentiu” (1Cor 2, 9). O Evangelho é o caminho da salvação. E não se esqueçam que Deus lhe ama!

Boa semana!

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