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Professor Titular aposentado do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
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Entre setembro de 1981 e novembro de 1985, residi na Rua José Jesuíno de Brito, no Bairro do Quarenta, em Campina Grande (PB).
Antes, por haver participado da criação do Clube de Jovens da Sociedade de Amigos do Bairro da Bela Vista, durante a adolescência, resolvi colaborar com o Senhor Vicente Lopes da Silva, presidente da Sociedade de Amigos do Bairro do Quarenta, pai de Gilmar Lopes, atleta que defendeu a equipe do Treze Futebol Clube e atuou como professor do Colégio Estadual da Prata.
Coordenados pela religiosa Irmã Ângela Beleza, os movimentos comunitários que deram origem à criação das Sociedades de Amigos de Bairros (SAB) de Campina Grande datam de 1958.
Nesse período, existia um conselho comunitário cuja finalidade era reivindicar, junto aos poderes públicos, melhorias nos bairros. Com base nesse princípio de organização comunitária, foi criada a primeira SAB, no Bairro de José Pinheiro, em 1962.
Com a criação da SAB de José Pinheiro, foram criadas outras e, em 2 de agosto de 1964, foi fundada a União Campinense das Equipes Sociais (UCES), tendo como primeiro presidente o Senhor João Basílio, líder comunitário do Bairro Monte Castelo.
Situada na Rua Anacleto Eloy, s/n, a SAB do Quarenta foi criada para representar e defender os direitos e interesses dos moradores desse tradicional bairro campinense. A associação comunitária foi formalmente registrada em 17 de outubro de 1985, com a denominação “Sociedade de Amigos do Bairro do Quarenta”.
Desde os seus primeiros anos de atuação, a SAB do Quarenta teve no Senhor Vicente Lopes uma de suas principais lideranças, capaz de mobilizar os moradores para participarem ativamente das demandas do bairro, transformando as reivindicações da comunidade em ações concretas voltadas à melhoria de infraestrutura, serviços públicos e da qualidade de vida.
Entre essas ações concretas, destaco o apoio à criação do Clube de Mães, sob a liderança da senhora Maria de Souza Amorim, a pavimentação de ruas e a urbanização da antiga “Favela da Lama”, como era popularmente conhecida.
A área ocupada pela “Favela da Lama” situava-se próxima ao Canal de Santa Rosa, numa região socialmente vulnerável de Campina Grande, sujeita a alagamentos em períodos chuvosos, onde havia sanitário básico precário e alta incidência de doenças relacionadas à falta desse tipo de saneamento.
Nesse contexto, a urbanização da “Favela da Lama” talvez tenha sido a ação mais relevante da SAB do Quarenta, decorrente de uma reunião ocorrida nas dependências da Escola Municipal Melo Leitão, com ampla participação da comunidade, de secretários da Prefeitura Municipal de Campina Grande e de Rômulo Gouveia, futuro presidente da UCES, que na oportunidade representava a SAB do Jardim Tavares.
Certamente, quem conheceu, in loco, as condições precárias em que viviam os habitantes da “Favela da Lama”, antes do processo de urbanização, compreenderá a dimensão da transformação alcançada e perceberá a importância da articulação política e social entre o poder público e os representantes da comunidade, quando todos se unem em prol do bem comum e da melhoria das condições de vida da população mais vulnerável.
Leia a coluna anterior:
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