Fechar
O que você procura?
Blogs e Colunas
Arcebispo Metropolitano da Paraíba.
Continua depois da publicidade
A vocação cristã não nos retira do mundo, mas nos envia a habitá-lo com o coração de Cristo. Desde o Batismo, somos chamados a fazer da própria existência um sinal da presença de Deus no meio dos homens.
A fé, portanto, não pode ser vivida como fuga da realidade, mas como uma maneira nova de estar nela: com os mesmos sentimentos, o mesmo olhar e a mesma misericórdia de Jesus.
Em seus gestos, palavras e encontros, Cristo revela o rosto misericordioso do Pai. Ele se aproxima dos feridos, acolhe os pecadores, toca os esquecidos e devolve esperança àqueles que já não conseguiam enxergar um novo caminho.
O encontro com Jesus nunca deixa alguém exatamente no mesmo lugar. Quem experimenta sua misericórdia descobre também uma missão. Como dizia o Papa Francisco: “Jesus levanta-os com a misericórdia; obtendo misericórdia, tornam-se misericordiosos”.
Obtendo misericórdia, tornamo-nos misericordiosos. Essa verdade deveria marcar profundamente nossa maneira de viver no mundo. Não podemos pedir continuamente a compreensão de Deus e permanecer indiferentes às fragilidades dos irmãos.
Não podemos experimentar o perdão e continuar alimentando ressentimentos. Não podemos receber a paz de Cristo e, ao mesmo tempo, construir divisões.
Depois da Ressurreição, Jesus encontra os discípulos e lhes diz: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio” (Jo 20,21). A paz recebida imediatamente se transforma em missão. O discípulo reconciliado torna-se instrumento de reconciliação. Aquele que foi levantado por Deus aprende a estender a mão para levantar os outros.
É assim que somos chamados a habitar o mundo com o coração de Cristo. Na família, no trabalho, na comunidade, nas amizades e também na vida social, nossa vocação precisa produzir sinais concretos.
Onde existem conflitos, somos chamados à reconciliação; diante do sofrimento, à proximidade; onde cresce a indiferença, ao cuidado; diante do desânimo, à esperança. O cristão não pode simplesmente contemplar as feridas do mundo: deve aproximar-se delas.
Bento XVI recordava que “a misericórdia é a veste de luz que o Senhor nos concedeu no Batismo”. Essa luz não foi acesa para permanecer escondida. Nossa vocação consiste em permitir que aquilo que Deus realizou em nós alcance também aqueles que encontramos pelo caminho.
Há muitas pessoas que já não acreditam que sua história possa recomeçar. Algumas perderam a esperança; outras carregam feridas silenciosas; outras talvez nem consigam mais acreditar no perdão. É justamente nesses lugares que o testemunho cristão se torna necessário. Mais do que discursos, o mundo precisa encontrar homens e mulheres capazes de revelar, pela própria vida, que Deus continua próximo.
Habitar o mundo com o coração de Cristo significa, portanto, não fugir das dores do nosso tempo, mas atravessá-las levando a misericórdia que primeiro recebemos. Quem foi perdoado aprende a perdoar. Quem foi acolhido aprende a acolher. Quem encontrou esperança torna-se capaz de oferecê-la aos outros.
Neste Domingo dos Catequistas, essa vocação ganha um rosto muito concreto. Nossos catequistas são homens e mulheres que aceitaram permanecer no meio do mundo para semear a Palavra, transmitir a fé e ajudar crianças, jovens e adultos a encontrarem Jesus. A eles, nossa gratidão e nossa oração.
Que continuem exercendo sua missão não apenas ensinando conteúdos da fé, mas, sobretudo, testemunhando com a própria vida o coração misericordioso de Cristo.
Leia também:
Ser sal e luz é não fugir do mundo
Atenção: Os artigos publicados no ParaibaOnline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo ao exercício da pluralidade de opiniões.
Continua depois da publicidade
© 2003 - 2026 - ParaibaOnline - Rainha Publicidade e Propaganda Ltda - Todos os direitos reservados.