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Ailton Elisiário

Ailton Elisiário

O autor é economista, advogado, professor da Universidade Estadual da Paraíba e membro da Academia de Letras de Campina Grande.

Groenlândia na berlinda

Por Ailton Elisiário
Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 10:00

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O episódio da anexação da Groenlândia pelos Estados Unidos da América do Norte está causando muita perplexidade e muita preocupação aos países da União Europeia, sem se levar em conta a extensão do problema aos demais países do mundo, em especial os latino-americanos.

A disposição americana de anexação da Groenlândia, embora pareça ser inusitada, já havia sido anunciada no primeiro governo de Donald Trump. Não há, pois, nenhuma novidade nisto. O que ora ocorre, teria ocorrido há alguns poucos anos passados, de modo que a comunidade internacional das nações está diante da situação apenas postergada pela perda da eleição de Donald Trump em que saiu vitorioso Joe Biden.

O problema, no entanto, não é tão simples. A complexidade é de tamanha envergadura, que torna os governantes dos países em posição de xeque, pois se trata de um verdadeiro jogo de xadrez. Até então, não se pode afirmar que a jogada americana é de xeque-mate, apesar de grande possibilidade para tanto. Donaldo Trump, com sua sempre presente imprevisibilidade, anuncia que não pretende usar da força para a tomada da ilha, o que não inviabiliza a movimentação das pedras em direção ao xeque-mate.

Sem dúvida alguma, a imposição que está fazendo Donald Trump ao mundo europeu, é característica de imperialismo, que sempre foi a tônica da política mundial dos Estados Unidos, destruindo todo um arcabouço geopolítico que os próprios Estados Unidos protagonizaram sua formação após a Segunda Guerra Mundial.

Agora, a União Europeia se vê diante de um impasse, totalmente despreparada para confrontar a vontade política americana, que ameaça a destruir as colunas desse arcabouço, representadas pela ONU – Organização das Nações Unidas e pela OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte.

Sob o argumento de manter a segurança dos Estados Unidos, contra as ações de busca de hegemonia dos países não capitalistas, representadas pela Rússia e agora mais fortemente pela China, a anexação da Groenlândia tornou-se questão imprescindível e inegociável para Donald Trump. E não cabe, para este, a discussão de que a Groenlândia é território da Dinamarca e que o sentimento de nacionalidade do povo groenlandês deve ser considerado.

Ora, a Groenlândia tornou-se colônia da Dinamarca em 1721, mas desde 1600 a Coroa Dinamarquesa reivindicava soberania sobre a ilha. Em 1979 a Dinamarca concedeu autonomia à Groenlândia, mas manteve o controle dos assuntos constitucionais, das relações exteriores e defesa da ilha, deixando a cargo desta o seu desenvolvimento econômico e mantendo com ela a administração dos seus recursos naturais.

Donald Trump não pretende usar a força, mas sim o dinheiro que não lhe falta e a capacidade de comerciante que lhe caracteriza, como fizeram no passado os presidentes americanos anexando a metade das terras mexicanas, as ilhas caribenhas, o Alasca, comprando essas terras do México, da Rússia, da França, do Reino Unido, e as Ilhas Virgens da própria Dinamarca em 1917 por US$ 25 milhões, expandindo assim o seu território. Em 1946 os Estados Unidos se ofereceram para comprar a Groenlândia por US$ 100 milhões, não tendo a Dinamarca aceitado. Já há, pois, muitos precedentes nessa problemática.

Infelizmente, disso tudo o que se mais destaca, é a dependência de um povo que sai das mãos de um Estado para as mãos de outro Estado, ressoando nos ares suas indignações sem que ninguém as ouça com condições de lhe dar amparo. Tal qual um jogador de futebol que é comprado pela agremiação a quem prestará seus serviços, o povo groenlandês está na iminência também de ser comprado por um interessado que não lhe guarda nenhuma relação de afeto e de vivência comum, transformando-se em simples mercadoria.

Como nas cidades brasileiras, o que não deve ser diferente nas cidades dos outros países, há sempre uma ou algumas famílias que mandam e desmandam pela força política e econômica que detêm, o poder de mando dos Estados Unidos ainda se apresenta como tal, impondo suas vontades ao mundo inteiro e desta vez, com um timoneiro desbravador de situações que venham trazer benefícios ao seu país. O lema “América em primeiro lugar” adotado por Donald Trump já diz tudo, não há necessidade de discussões.

Em Davos, na Suíça, sede do Forum Econômico Mundial, Donald Trump tendo conversado com o Secretário Geral da OTAN, Mark Rutte, anunciou que um acordo se fará publicar proximamente, em que os interesses americanos estarão contemplados. Todavia, é com a Dinamarca que um acordo deverá discutido.

Donald Trump poderia tentar negociar com a Dinamarca uma administração tripartite da Groenlândia. Já tem uma base militar lá instalada e politicamente poderia dimensionar áreas que seriam adquiridas pelos Estados Unidos, dividindo a ilha numa relação tridimensional, cuja administração caberia em conjunto à Dinamarca, Groenlândia e Estados Unidos. Talvez isso fosse a forma de aquietar os ânimos de todos interessados, preservando-se a ordem geopolítica mundial ora vigente.

É uma solução que não leva os Estados Unidos a usarem a força militar provocadora de uma guerra mundial, atende aos anseios da Groenlândia que não quer deixar de manter seus liames dinamarqueses, mantém os interesses políticos da Dinamarca e acomoda todos os outros países, em especial os que formam a OTAN, assegurando a paz e a boa convivência no Ocidente. Que Deus ilumine os governantes para uma decisão pacífica e feliz para todos.

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