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Professor Titular aposentado do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
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Composta pelo arquiteto cearense Fausto Nilo e pelo músico e compositor pernambucano Robertinho de Recife, “Flor da Paisagem” é um poema musicado, uma das canções marcantes do álbum Orós, quarto disco de estúdio do cantor, compositor e músico cearense Fagner, lançado em setembro de 1977.
Em “Flor da Paisagem”, Fausto Nilo conseguiu traduzir sentimentos profundos em imagens poéticas por meio de uma narrativa sensível que exalta a beleza, a delicadeza, a efemeridade e o mistério das coisas simples da vida.
Na primeira estrofe, o poeta exalta os olhos da pessoa amada, comparando-os à beleza da flor da paisagem em meio à natureza: “Teu zói é a flor da paisagem/ Sereno fim da viagem/ Teu zói é a cor da beleza/ Sorriso da natureza”.
Na segunda estrofe, utilizando imagens poéticas, os olhos da amada são comparados a dois brincos de pedra rara, à cor da água do mar, ao riacho de água clara e à pureza da roupa com cheiro de mala: “Azul de prata, meu litoral/ Dois brincos de pedra rara/ Riacho de água clara/ Roupa com cheiro de mala”.
Na terceira estrofe, a repetição dos versos “Que renda branca”, faz alusão a um elemento elegante, de tessitura delicada no tradicional artesanato nordestino. A cor branca sugere a pureza e a beleza emanadas dos olhos da pessoa querida: “Zóim assim são mais belos/ Que renda branca, / Que renda branca, / Que renda branca na sala”.
Na quarta estrofe: “Quem vê não enxerga a praia/ Nós num lençol/ Nós num lençol/ Nós num lençol de cambraia”, o letrista revela a intimidade dos amantes em um jogo de palavras estabelecido no verso “nós num lençol de cambraia”. A cambraia é um tecido fino, macio, leve e agradável ao toque, simbolizando a suavidade e a intimidade do amor compartilhado.
Nas últimas estrofes, Fausto Nilo mantém o lirismo da letra, entrelaçando elementos naturais com sentimentos humanos: “Teus zói no fim da vereda/ Amor de papel de seda/ Teus zói que clareia o roçado/ Reluz teu cordão colado// Que renda branca na sala/ Nós num lençol/ Nós num lençol de cambraia”.
No arranjo de “Flor da Paisagem”, Robertinho de Recife, conhecido por sua habilidade como guitarrista e pela fusão de ritmos nordestinos com elementos de rock e pop, optou por um ritmo suave, permitindo que a melodia conduza a mensagem da letra de maneira emocional.
Nesse arranjo, percebe-se uma mistura instrumental bem elaborada, na qual a leveza dos acordes remete à tradição da música popular nordestina e, por extensão, à música popular brasileira, com uma pegada que transcende fronteiras, ao incorporar elementos musicais surpreendentes como violinos e acordes da guitarra portuguesa.
Em síntese, “Flor da Paisagem” é uma obra rara que demonstra a maestria de Fausto Nilo como letrista e de Robertinho de Recife como compositor e arranjador. No álbum Orós, os arranjos são creditados ao músico alagoano Hermeto Pascoal, que contou com a participação de instrumentistas experientes, entre eles: André Dequech (violino), Chico Batera (percussão), Dominguinhos (acordeom), Fagner (violões), Hermeto Pascoal (piano e percussão), Itiberê (baixo), Márcio Montarroyos (trompete), Nivaldo Ornellas (sax), Paulinho Braga (bateria e percussão) e o próprio Robertinho de Recife (guitarras e violas).
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