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Professor Titular aposentado do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
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Penny Lane é o título de uma música lançada pelos Beatles, em fevereiro de 1967. Embora a autoria seja creditada à dupla Lennon e McCartney, tudo indica que Paul McCartney tenha sido o principal responsável pela letra, inspirado em lembranças de uma das ruas suburbanas da cidade de Liverpool, na Inglaterra.
Por outro lado, Bela Vista é o nome de um dos bairros de Campina Grande (PB), intimamente vinculado às minhas memórias afetivas, da mesma forma que Penny Lane ficou marcada nas lembranças de Paul McCartney.
Assim, guardadas as devidas proporções, eu também tenho a minha Penny Lane. O vínculo é tão forte que, certa vez, quando fui indagado por um jornalista sobre o significado do bairro da Bela Vista para mim, respondi, sem hesitar: “Ele é a minha Penny Lane”.
Tanto ruas quanto bairros podem suscitar lembranças de lugares e de pessoas por toda a nossa vida, tal como na letra de outra canção dos Beatles, intitulada In my life, cujos primeiros versos, em tradução livre para o português, são os seguintes: “Há lugares que lembrarei/ por toda a minha vida; embora alguns tenham mudado, / uns para sempre, não para melhor…”/.
É isso que sinto quando percorro as ruas do bairro onde morei durante minha infância, adolescência e parte da idade adulta (1957-1977), mesmo após ter residido em outros bairros (1978-1992), antes de voltar a morar na “minha Penny Lane”, a partir de 1992.
Na letra da canção Penny Lane, o primeiro personagem citado é um barbeiro. Havia barbeiro na Bela Vista no meu tempo de infância e adolescência? Havia, sim! Barbeiros e barbearias, algumas localizadas na Rua Montevideo, uma localizada na Rua Cônego Pequeno e outra na Rua Ildefonso Ayres, próxima à Volta de Zé Leal.
Outros personagens presentes na letra de Penny Lane, que não fazem parte do universo das minhas memórias do bairro da Bela Vista, são: um banqueiro, um bombeiro e uma enfermeira que vendia flores em uma bandeja.
Do antigo bairro da Bela Vista guardo na lembrança vários personagens, entre outros: bodegueiros, professoras, professores, militares, feirantes, garçons, funcionários públicos, vendedores de carvão, jogadores de futebol, carpinteiros, marceneiros, pintores, pedreiros, padeiros, cantores, mecânicos, motoristas, músicos, repentistas, lavadeiras e engomadeiras de roupas, além de um coveiro, uma parteira e uma radialista.
Às vezes, quando dou livre curso às minhas recordações, é como se estivesse assistindo a um filme reprisado em minha mente, trazendo imagens e sons do passado para o presente. Talvez tenha sido isso o que me fez lembrar dos versos finais da música Penny Lane e correlacioná-los com as velhas lembranças do bairro da Bela Vista:
Penny Lane is in my ears and my eyes,
there beneath the blue suburban skies…
Penny Lane!
Tradução livre: Penny Lane está nos meus ouvidos e nos meus olhos, /lá sob o céu azul suburbano…/Penny Lane!
Essas lembranças remontam principalmente às décadas de 1960 e 1970, quando este cronista, ainda jovem, contemplava Campina Grande do alto do bairro da Bela Vista, como quem via o panorama e meditava, sem pressa, à maneira de Vinícius de Moraes: “não há nada como o tempo para passar”.
Atenção: Os artigos publicados no ParaibaOnline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo ao exercício da pluralidade de opiniões.
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